Domingo, 18 de Julho de 2010

As diferenças entre portugueses e espanhóis são inúmeras e eu sempre me orgulho e orgulharei de ser português. Mas há uma característica que tempos como povo que nos mata, a falta de auto-estima que tanto abunda na vizinha Espanha. Hoje, ao entrar num táxi saído do aeroporto de Barajas (Madrid) digo ao taxista, numa de português simpático a tentar agradar, que o tempo está quente e que gosto muito de Madrid, mas é pena ser uma cidade com um clima terrivelmente quente no verão e frio no inverno. E aí o taxista deu-me uma resposta que nenhum português daria, “Sabe”, disse taxista, “Madrid é uma cidade perfeita e mesmo o clima é quase-perfeito!! Com mais dez graus no Inverno e menos dez graus no Verão seria mesmo o paraíso!” Resposta extraordinária, pois são exactamente esses dez graus a mais ou a menos, que fazem com que a cidade seja insuportável do ponto de vista do clima. E que às oito da noite não me deixavam, nem a mim nem a ele, conseguir respirar num táxi sem ar-condicionado, a entrar numa cidade deserta pelo calor. Se fosse um português aposto que teria dito, “Sabe, Isto neste país já nem o clima se aproveita!”. A auto-confiança ou auto-estima, como lhe queiramos chamar, constrói-se desde o berço e sobretudo através de um sistema escolar que nos faça acreditar que somos capazes. Os EUA, onde estudei alguns anos, são especialistas em criar esse ambiente fomentando uma auto-confiança no indivíduo extraordinária, através de mensagens positivas. Parece que foi ontem e já lá vão 10 anos, que aterrei em Boston e fui à minha primeira aula na universidade. Num inglês medonho, faço um comentário tonto no meio de 80 pessoas e sinto-me mal, mesmo incomodado. Penso, nunca mais abro a boca. No fim da aula o professor aproxima-se e diz-me, “ Carlos - Great Job! Keep it up”. Fiquei alucinado! E quase acreditei que o meu comentário não tinha sido assim tão mau, o que me fez no dia seguinte voltar a participar sem aquele medo típico, que em Portugal temos, de dizer asneiras em frente ao professor. Se ele me tivesse dito, “Carlos – para próxima pensa bem no que dizes e talvez valha pena teres aulas de inglês”, tal teria sido a morte do artista. Aquele dia marcava a minha entrada num sistema em que os alunos são motivados pela positiva o que os faz querer ir mais longe. A função do professor é mais do que ensinar, é ajudar o aluno a acreditar que pode conseguir. Acreditar que é capaz. Obviamente e como diz um amigo americano, não há sistemas perfeitos e o positivismo americano em excesso cria muitas vezes as suas tragédias, e dá como exemplo a Sarah Palin que acredita tanto nela que não tem consciência dos seus limites, que são muitos. Por isso, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Mas um pouco mais de auto-estima, como povo, não nos faria nada mal !!

 


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publicado por Moedas às 23:15
link | nunca erro e raramente me engano
69 comentários:
De Mário Cruz a 19 de Julho de 2010 às 00:08

100% de acordo. Combater a falta de auto-estima nacional deveria ser uma das prioridades de qq governo deste país.


De Isa a 19 de Julho de 2010 às 00:21
Os professores e os paizinhos, com conta peso e medida, naturalmente. pais que têm medo dos filhos criam sarahs pallins
Abraços


De Frederico Pinto a 20 de Julho de 2010 às 16:40
http://www.naomialdort.com/book.html (http://www.naomialdort.com/book.html)


Metodo eficaz que nos ensina a rever a nossa propria estrura psicologica e modo de actuar perante os desafios de todos os dias. O resultado desta aprendizagem particular e' a possibilidade de criar novos portugueses mais auto-confiantes. Com menos medos e finalmente, mais realistas e empreendedores (a todos os niveis, nao me refiro a dolares americanos).


De Portugues. a 19 de Julho de 2010 às 02:54

Absolutamente de acordo!


De Joshua a 19 de Julho de 2010 às 09:23
Carlos,
Comecei a ler sem ter passado os olhos pelo rodapé.
Mas a meio apercebi-me que poderias ser tu o autor desta nota...e não me enganei.
:-)
Até aqui tens o teu próprio estilo.
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Carlos,
Comecei a ler sem ter passado os olhos pelo rodapé.
Mas a meio apercebi-me que poderias ser tu o autor desta nota...e não me enganei.
:-)
Até aqui tens o teu próprio estilo.
<P class=incorrect name="incorrect" <a>Keep</A> it up !<br /></P>


De Andre a 19 de Julho de 2010 às 09:30
Ola,desde ja parabens por o blog...partilho da mesma opiniao,resido de momento na Belgica e o mesmo por ca se passa,nos somos prontos no mal dizer de nos proprios ai em portugal,querendo rebaixar vizinhos colegas,poucas palavras de incentivo enfim,tambem conheco a realidade americana,custumo ir a las vegas,tenho la familia e aproveito para uma jogatana de poker ;) a positividade e por todo lado com toda gente...o que me faz sentir vontade de la voltar sempre...bom nao quero tar aqui a repetir o que aqui ja foi dito,viva Portugal e viva todos nos Portugueses


De P Amorim a 19 de Julho de 2010 às 10:02
Uma coisa que parece ridícula aos portugueses, mas que vai no mesmo sentido, é a questão das catedrais, que são todas a melhor, a maior, a mais comprida, a mais alta, a mais clara, etc.. Algumas são edifícios esplendorosos, outras nem tanto, mas o povo local tem um orgulho imenso nos seus monumentos.


De Jacinto Bettencourt a 19 de Julho de 2010 às 10:17
Muito bem visto. E, pelo que vemos, nem os americanos, nem os espanhois se têm dado mal.


De rui sousa a 19 de Julho de 2010 às 17:20
Está visto que não tem ido aos EUA nem a Espanha nos últimos tempos... A crise por lá é bem durinha...


De olhadelas a 20 de Julho de 2010 às 11:48
ÓRui Sousa não se preocupe com os Estados Unidos
porque será que nestas notas de opinião tem de haver sempre alguêm a querer enterrar os Estados Unidos,só pode ser por uma razão; cor politica Já se vé,faça uma viagem pelos Estados Unidos e vai reparar que estão muitos anos á nossa frente apesar de não serem perfeitos assim comonada é perfeito.


De Alexandre Kulcinskaia a 19 de Julho de 2010 às 11:16
Podemos bem gostar de Portugal e de ser portugueses e mesmo assim conseguir ver em outros povos exemplos que deveriam ser tomados por nós.
Quando assim não é a pessoa cai no ridículo de estar a ser cegamente nacionalista.
________________________________
http://kulcinskaia.blogs.sapo.pt/


De fsc a 19 de Julho de 2010 às 11:30
Muito bom, e o pior é que o pessimismo pega-se.  Eu tambem quero acreditar em mim, pelo menos estou a fazer um esforlo o pior que já la vai mais de metada da minha vida


De tenho medo de dizer quem sou a 19 de Julho de 2010 às 11:43
Gosto do texto. Mas talvez acrescente mais uma coisinha. Que tal para alem de auto estima, trocar o espírito de inveja pelo de iniciativa"?
Eu também tenho muito orgulho em ser Português, mas sinceramente não consigo compreender este Povo que dá provas que é capaz de fazer e elaborar tão bem ou melhor que os estrangeiros, e depois internamente é tão derrotista.


Na minha opinião pessoal

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