Em relação aos posts em que apareceriam alegadas insinuações sobre o «percurso profissional» ou a competência do novel embaixador português em Estocolmo mative-me até agora calado. Nem esperava falar. Não li nenhum insulto, nenhum agravamento ou, como se diz em certas bandas, um vislumbre de «estultícia» ou «infâmia» de que seria acusado o Francisco. Não o fiz porque não vi necessidade e sobretudo porque sou amigo do Francisco (evitemos a tautologia do 'amigo pessoal', sim?) há muitos e muitos anos, estando ele na qualidade de letrista da Sétima, parceiro de copos e jogos da selecção inglesa ou no seu emprego. A sua promoção era há muito esperada e a colocação foi natural, depois de dois mandatos como Chefe de Gabinete (Gama e Amado). Não houve um «despachar» mas sim um funcionamento regular do sistema diplomático nacional. Talvez tenha sido o único ponto que teria de apontar ao primeiro post do Carlos.
Mas pior do que não ter razão ou errar é alguém ter razão da maneira errada, como o prova o post de Isabel Moreira. A indignação e a ânsia de colocar o dedo em riste, para o moralismo pop, estraga qualquer vestígio de ironia e da sua detecção. Só assim se explica o que escreveu, defendendo estridentemente o percurso profissional dos que ela acha visados e encontrando injúrias onde só há quando muito um sorriso blasé: o post do Francisco Mendes da Silva mostra isso mesmo e só com pouca boa-fé, falta de leitura ou «fulanização» se pode compreender aquilo como um ataque ad hominem.
A família Menezes anda com azar: o Filipe, por ser rigoroso na sua biografia do Salazar, foi apelidado de «infame» pela moral vigilante; o Francisco é defendido como ninguém gostaria de ser defendido. Às vezes vale a pena descer um bocadinho do caixote de sabão para ver que o mundo é mais simples do que parece.