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Sobre Salazar e o concurso que ganhou, têm sido ditas algumas coisas interessantes e inúmeras enormidades. Das enormidades, destaco o paralelismo com Cunhal - como se o Salazarismo, com todos os seus vícios, defeitos, abusos, crimes, violência e indignidades, pudesse, alguma vez, assemelhar-se a uma ideologia que destruiu a vida a milhões de pessoas culpadas por com ela não alinharem ou, tantas vezes, apenas por existirem. Das coisas interessantes, destaco este post, do Adolfo Mesquita Nunes, até agora o que melhor resume o que penso.

 

De resto, e pelo que se tem visto, as “elites” continuam com cassete de sempre: uns insistem que Salazar foi o pior tirano da História universal (“cometeu crimes contra a humanidade!”, excita-se o deputado Fazenda); outros que era provinciano, mesquinho e ignorante; poucos se mostram interessados em perceber o que de facto – para lá do maniqueísmo primário - Salazar foi. No meio disto, o povo (ora soberano ora analfabeto, consoante as conveniências) parece cada vez menos impressionado com as tentativas mediáticas de lavagem ao cérebro colectivo. Perante os alarmes e alertas de que Salazar iria ganhar e o país cair em vergonha, esteve-se nas tintas: “Deixá-lo ganhar. Poupou 60 cêntimos e foi tratar da vidinha.

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De André de Soure Dores a 28.03.2007 às 18:25

Repito aqui o comentário que fiz a um "post" anterior do Henrique Burnay a propósito do programa televisivo em questão:

Muito vocacionado para o entretenimento mas também para alguma divulgação e debate terminou com o 1º lugar para o Prof. Oliveira Salazar. Com 41 % dos mais de 210 mil votos. Apesar de tudo, não devemos ser alarmistas nem ficar excessivamente receosos no que diz respeito a um crescimento das preferências por experiências políticas não democráticas (nunca é descabido sublinhar que o Estado Novo não é sinónimo de Fascismo! É historicamente pouco rigoroso e politicamente não muito sério insistir nessa ideia, o que não retira o carácter ditatorial do Salazarismo, como é inegável).
O voto em Salazar foi uma miscelânea certamente. Entre partidários de regimes autoritários e ditatoriais, mas sobretudo de pessoas que não queriam que Cunhal vencesse e dos descontentes com a política contemporânea, não unicamente com o actual governo mas com a política e a situação actuais de uma forma geral.
Como já foi dito o esquema de votação não foi cientificamente rigoroso, verificou-se a tendência generalizada (não só no programa português) por votações em personalidades do séc. XX, por estarem mais próximos no tempo naturalmente, secundarizando épocas e "personagens" mais recuadas.

O ensino do Estado Novo nas escolas portuguesas ou é dado de uma forma muito superficial e pouco aprofundada ou é abordado de uma forma completamente tendenciosa e maniqueísta: de um lado os maus fascistas e do outro os resistentes e combatentes pela Liberdade! Ora quer uma ideia quer outra ficam a dever bastante à verdade, isenção e rigor históricos. O Estado Novo, como já referi não é o mesmo do que fascismo em Portugal, foi uma ditatura corporativista, foi um regime conduzido por um ditador, que aliás não tinha só defeitos, mas desprezava efectivamente a democracia e o liberalismo(sobretudo aquele que tinha experimentado na Iª República). Reforça esta ideia a existência de uma força política, se em rigor assim se pode apelidar, denominada "Camisas Azuis" liderada por Rolão Preto que foi a face visível do nacional-sindicalismo enquanto expressão do fascismo em Portugal (aliás fisicamente muito semelhante a Adolf Hitler...). No grupo dos "bons" inclui-se geralmente o PCP e Álvaro Cunhal, que tinha como projecto político a substituição da ditadura de contornos salazaristas/marcelistas por uma outra de silhueta... bolchevique! Ora que ideia de democracia tinha (e tem) o PCP...

Mais uma vez graves problemas na Educação que acabam, de uma forma ou de outra, por afectar e condicionar gravemente o País. Desta vez é o efeito de uma visão distorcida, redutora e a preto e branco de uma época histórica que teve uma palete de cores tão diversificada como qualquer outra.
O resultado não é a apologia do fascismo, como gritou Odete Santos em estúdio, é um aviso e uma lição aos pseudo-democratas actuais, incluindo a própria mas a muitos outros...

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