Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

Obviamente que o nível de juros atingido pela Divida Portuguesa está relacionado com a proposta Franco Alemã de revisão do SDRM (Debt Restruturing Mechanism). Obviamente que o que se está a passar com a Irlanda, com necessidades enormes de refinanciamento do seu sistema bancário, está a contagiar Portugal. Obviamente que o Governo, como diz António Vitorino, acordou tarde para o problema dos custos da Divida Pública.

 

Hoje parece mais provável a entrada do FMI. Mas, ao contrário da intervenção na Irlanda, que apenas necessita de re capitalizar o sector bancário, Portugal tem um enorme problema de competitividade e produtividade. Não é um País atractivo nem gerador de riqueza. Os enormes investimentos da ultima década, não foram produtivos. Geraram divida e custos financeiros e operacionais. O Governo foi totalmente incapaz de criar condições para o crescimento e sustentabilidade tendo sido potenciador de ineficiências estruturais graves.

 

O contágio via Irlanda e a Grécia é inevitável. Por isso, o acesso a fundos irá secar algures no próximo semestre. Este é o máximo tempo que teremos disponível para fazer acreditar os mercados  sobre a nossa capacidade de reformar e evitar a entrada do FMI. Em Portugal,  é já um dado mais ou menos seguro, que isso irá acontecer. Ao contrário do que acontecerá na Irlanda, a intervenção, irá provocar um ainda maior redução nos salários da função pública e por contagio no sector privado. Irá provocar uma redução substancial nas pensões, nos subsídios e num desmantelar de  direitos e outros "fringe beneficts", julgados hoje inatacáveis. Irá definitivamente abalar um tecido produtivo frágil com consequências no aumento do desemprego. Irá cortar empregos no sector público, ou no sector empresarial do estado.  Obviamente que a maioria destas reformas faria todo o  sentido, mas a magnitude e a forma cega e imediatista com que seria aplicada teria consequências duras que perdurariam por muitos e muitos anos. Foi assim em 1983 em Portugal e está a acontecer assim na Grécia.

 

A entrada defendida por muitos, será péssima para o País, para os Portugueses. A defesa da intervenção do FMI é uma atitude desesperada de alguém que viu o País e as contas publicas a serem delapidadas com particular ênfase na ultima década pagar mais e durante mais tempo. Alguém que já não acredita na nossa capacidade de execução e reforma. Aqueles que entram em pânico com cada mês execução orçamental socialista.  Aqueles que ouviam o PM a dizer uma coisa e os números a mostrar outra.

No entanto, impedir a entrada do FMI, é absolutamente critico. Só a disciplina orçamental, aceleração das reformas, corte na despesa corrente, anulação dos investimentos já comprometidos, deverá ser um imperativo nacional.

 

Nem que para isso, o PS o tenha de o fazer, sem José Sócrates e este Minístro das Finanças. Ambos já provaram a sua competência. Escassa!!!


publicado por Manuel Castelo-Branco às 19:51
link | merkel perdeu as eleições em frança
15 comentários:
De tenho medo de dizer quem sou a 8 de Novembro de 2010 às 20:38
mais um latito a descentlalizal o disculso pala o q del e viel... ou melhol, um veldadeilo joão latão.


De David Ferreira a 8 de Novembro de 2010 às 22:27
Permita-me discordar , a entrada do FMI a médio prazo (2-5 anos) será positiva, aliás será a única forma de termos um crescimento durante a próxima década. Embora ache que que com a conjuntura actual a vinda do FMI é uma questão quando é que vem e não de que se vem, a manutenção do estado actual iria a levar a uns sucessivos remendos todos difíceis para a população mas sem qualquer perspectiva de melhoria a longo prazo, só uma intervenção forte e inevitavelmente dolorosa permitirá alicerçar uma  perspectiva sólida a longo prazo para Portugal, caso vamos-nos afogando de PEC em PEC. Nenhum partido tem essa capacidade em Portugal, nenhum partido terá coragem de flexibilizar as leis laborais, reduzir as regalias sociais, retirar direitos à função pública (equiparar o despedimento na FP, ao despedimento no privado (que é tudo menos fácil) seria uma medida simples e que alteraria a produtividade em Portugal de uma forma revolucionária) e tocar nos "santíssimos" direitos adquiridos por uma geração que só teve direitos mas poucos deveres e que endividou-me a mim, aos meus filhos e possíveis netos. Não havendo esta capacidade de ruptura interna ela terá que vir de fora... é uma inevitabilidade... e permite sempre exorcizar a culpa numa uma entidade externa


De tenho medo de dizer quem sou a 9 de Novembro de 2010 às 11:56
Isto é um autêntico regresso ao passado... Eu estou de acordo que os funcionãrios de estado,tenham um estatuto idêntico ao do privado ( para lá caminham..) Os que entraram a partir de 92, as reformas já são com o mesmo calculo, para os mais antigos,Socrates arranjou uma maneira de suave (de mais...) de fazer justiça.  até 2006 salvo erro,o cálculo é o vigente, a partir dessa data, os anos seguintes são com o mesmo calculo do privado. Devia ter ido mais longe,mas com esta oposição nas ruas, não se pode governar (o Psd e Cds também lá andaram...) Com a vinda do FMI o Pib subir? liberalizar os despedimentos? É`bom que façamos a declaração legitima de interesses,pois só pode defender isto quem  é patrão ou filho. termino, sugerindo-lhe que para levar a cabo este regresso ao passado, como já não pode ser com chaimites..que o faça com Submarinos.


De David Ferreira a 9 de Novembro de 2010 às 12:47
Quem tem medo de dizer quem é a pedir uma declaração de interesses??? LOL !
Depois os de antes de 92 -» privilegiados tal como os de antes 2006. Porquê? Porque tenho que pagar com o meu trabalho regalias que eu não terei e que os outros distribuíram entre si endividando-me até à medula?
Só quem chucha no orçamento de estado e tem "todos os sacrosantos direitos adquiridos" intocáveis pode ser favorável à manutenção do estatus quo sem entrada do FMI. É bom que não se escondam atrás de um pseudónimo...


De ruy a 9 de Novembro de 2010 às 13:09
A decisão da entrada do FMI será tomada quando, e só quando ele próprio concluir que o capital dos credores de Portugal, as oligarquias financeiras que compraram a dívida pública portuguesa, está deveras ameaçado, que Portugal não tem dinheiro para assegurar o pagamento das dívidas que contraiu. O FMI não vem assim para “ajudar” o país, mas muito simplesmente para garantir o retorno financeiro dos credores internacionais a quem o governo de Sócrates entregou a dívida pública nacional. Pouco lhe importa que as medidas de austeridade provoquem uma recessão económica ou que se agravem as condições de vida dos portugueses. Pelo contrário, ele procurará fazer tão só uma operação financeira, retirando rendimentos aos cidadãos portugueses para o entregar aos credores internacionais.


De lucklucky a 8 de Novembro de 2010 às 22:40
Um texto esquizofrénico.


Ou seja os cortes do FMI são dolorosos os nossos não.


Você julga que um Estado Central em que 19% do que gasta é pedido emprestado pode cortar alguma coisa sem incluir pensões e ordenados?


Para terminar só recordar que o défice do estado com EP's e Municípios que não aparecem no Orçamento é bem maior que esse valor.


E ainda não sabemos o que está escondido...


De Manuel Castelo-Branco a 8 de Novembro de 2010 às 23:14
Penso que se enganou na leitura. Não sou contra as reformas, mas sim contra a forma absurda como estas seriam implementadas, se o mandante fosse o FMI. Podemos faze-las melhor, minimizando os impactos na economia. Isso não significa que sejam menos tímidas, apenas mais direccionadas e focadas. Apenas isso!


De Manuel Castelo-Branco a 8 de Novembro de 2010 às 23:16
Os nossos cortes são menos dolorosos pq somos nós que os escolhemos, tendo em conta o impacto na economia, e na vida dos cidadãs. Os do FMI são cegos e só têm a preocupação de angariar receita no curto prazo, desprezando a sustentabilidade a longo prazo. Ou seja o corte nos salários da função publica, inevitável seria mt maior daquilo que foi, nas pensões seria o dobro e no resto nem se fala. Não vejo como se reduz despesa sem cortar na despesa corrente e nos consumos primários, mas prefiro ser eu a faze-los no sitio certo e não da forma imediatista com que o FMI o fará. Aliás, veja-se o caso da Grécia que não parou de decrescer desde que entrou o FMI.

Qt à divida as EP´s e Municípios e ainda dos órgãos regionais, que não referiu, são assustadores. Mais uma vez, é melhor que sejam corrigidos por nós em vez de terceiros.


De lucklucky a 8 de Novembro de 2010 às 23:15
"veja-se o caso da Grécia que não parou de decrescer desde que entrou o FMI. "


É este tipo de frases que não entendo. Mas você julga que um País que gasta (X+Empréstimos) ao passar a gastar (X*) não tem uma recessão inevitável?!


Que parte de "viver acima das posses" não entendeu? 
Deixar de viver acima das posses quer dizer que temos de viver com menos dinheiro o que quer dizer que para isso suceder há uma inevitável recessão a não ser que as pessoas por milagre desatem a produzir mais e esses recursos passem a vir da produção e não do crédito.


Note-se que nem estou a falar do nosso caso já que estamos em recessão desde há 10 anos  camuflada pela dívida.
Estou a falar da Grécia que chegou a crescer a 4% ao ano.
Quanto a nós vamos ter contacto diferido com a recessão dos últimos 10 anos, agora adicionando os juros e a perturbação provocada por quem prefere viver de euforias e ressacas.


*Note-se que nem é isso que está a suceder, a Grécia continua em trajectória insustentável a aumentar a dívida. O estado Grego  é suposto ter 150% de dívida do PIB em 2014 segundo os planos de contenção.
Terá de ter défice zero durante anos, tal como nós.


De Anónimo a 9 de Novembro de 2010 às 02:07

Mas esta decadencia era inevitável. Era apenas uma questão de tempo. Mais ano, menos ano.
Desde o 25 do 4, que se trabalha intensamente para isto, em Portugal.
Ou já se esqueceram, que foi desmantelada a Indústria Metalúrgica, a Conserveira, a Textil, desactivadas as Minas, impedida a exploração de Ouro, de Gás Natural e de Petróleo.
Já se esqueceram, que os agricultores foram subsidiados para arrancar Olivais e Vinhas?
E que os recursos dos que trabalham foram esbanjados com vagabundos, e políticos sucateiros?!

Santa Ingenuidade!
Julgavam que tinham sido medidas gratuitas?
Nada é gratuito! Tudo tem um custo!  


De Paulo Franzini a 9 de Novembro de 2010 às 02:38
Acho piada aos mesmos que defendem,com naturalidade, a aposta no aumento das exportações e ao mesmo tempo a entrada do FMI. Claro. De certeza que a nossa imagem no exterior não vai ser abalada. Não senhora.
Há uns dias falava com um colega grego que também trabalha na área de comércio internacional. Quando lhe perguntei como iam as coisas depois da entrada do FMI, respondeu-me "Paulo,i cant even sell a fuckin peanut, luckily i have clients from Cyprus,cos everybody runs from greek companies" . Porque será?


De lucklucky a 9 de Novembro de 2010 às 09:16
"Ou já se esqueceram, que foi desmantelada a Indústria Metalúrgica, a Conserveira, a Textil, desactivadas as Minas, impedida a exploração de Ouro, de Gás Natural e de Petróleo.
Já se esqueceram, que os agricultores foram subsidiados para arrancar Olivais e Vinhas?"



Não sei onde planeta vive. 
A Industria Metalúrgica nunca conseguiu competir.
O 25 de Abril foi o golpe na Industria. Fim da coerência  
de gestão, conflitos políticos e abaixamento da qualidade.
Agora ainda há mais competição. Como em Portugal a cultura é não competir é normal que ninguém tenha confiança para arriscar.
O Textil há bons e maus.
Minas as que dão lucro produzem as outras não.
Ninguém impediu a exploração de coisa alguma, ainda há meses na região saloia um consórcio estava a fazer prospecção de petróleo.
Os agricultores são subsidiados erroneamente na minha opinião - o mercado deve decidir- mas suspeito que você não saiba a razão. É para manter os preços.
Ao contrário dos outros produtos que podem descer de preço, na agricultura europeia isso é quase proibido.


FMI/FEEF é inevitável - Portugal  vai ter de pedir mais de 40 mil milhões de Euros emprestados no próximo. Em números redondos mais de 30 mil milhões para renovar parte da dívida existente  e 11 mil milhões de aumento da dívida, ou seja nova. Se pagarmos - optimistas 7% de media - isto são cerca de 2,8 mil milhões de Euros em Juros. Depois temos os Juros dos mais de 120 mil milhões de Euros de Dívida que não precisa de ser renovada. 
Ou seja uma boa parte do aumento da dívida do próximo ano será para pagar os juros da existente.
Uma espiral sem senso algum.


De Dorean Paxorales a 9 de Novembro de 2010 às 11:27
houve uma determinada quantidade de títulos de dívida soberana irlandesa que amadureceu este setembro. concreto, 55 mil milhões dele.
para os poder pagar (os credores são os bancos franceses, ingleses e alemães) a irlanda pediu mais dinheiro emprestado ao bce. é esta a origem da pequena descida para 7.6 de juros sobre default e, ao mesmo tempo, do agravamento da crise.

e por que é que o governo irlandês não teve dinheiro para pagar e teve de pedir emprestado? porque anteriormente atirou com mais de 30 mil milhões de euros para salvar o banco Anglo e outros tantos para os outros bancos restantes. como não trocou esta esmola por ações, quem paga a fatura são os contribuintes (até ao ano 3000). comparado com estes quase 70 mil milhões de euros deitados fora (dados a idiotas insolventes), o corte de 15 nas despesas é uma perfeita futilidade.
perante este quadro de insanidade geral, governo e banca, os irlandeses preparam-se para não pagar as suas hipotecas. isto é, o "melhor" na irlanda ainda está para vir...

onde é que isto estabelece contágio é coisa que ainda não percebi.


De ruy a 9 de Novembro de 2010 às 13:08

A decisão da entrada do FMI será tomada quando, e só quando ele próprio concluir que o capital dos credores de Portugal, as oligarquias financeiras que compraram a dívida pública portuguesa, está deveras ameaçado, que Portugal não tem dinheiro para assegurar o pagamento das dívidas que contraiu. O FMI não vem assim para “ajudar” o país, mas muito simplesmente para garantir o retorno financeiro dos credores internacionais a quem o governo de Sócrates entregou a dívida pública nacional. Pouco lhe importa que as medidas de austeridade provoquem uma recessão económica ou que se agravem as condições de vida dos portugueses. Pelo contrário, ele procurará fazer tão só uma operação financeira, retirando rendimentos aos cidadãos portugueses para o entregar aos credores internacionais.


De lucklucky a 9 de Novembro de 2010 às 15:11
 "Pouco lhe importa que as medidas de austeridade provoquem uma recessão económica ou que se agravem as condições de vida dos portugueses. "


Você deve julgar que tem direito ao dinheiro dos outros.
Se alguém vive do crédito e deixa de o fazer é evidente que compra menos coisas, este facto é conhecido como recessão quando aplicado aos países.
Mas nem chegámos aí é que é hilariante falar de austeridade com defices de 7% ou 5%. 
Mostra bem a qualidade das pessoas.
Pelo andar da carruagem qualquer dia ter défice de 10% é um direito humano.


Na minha opinião pessoal

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