Acabo de ler o post do Nuno Gouveia e do Tomaz Belchior sobre o tema da RTP. Estou de acordo com quase todas as dúvidas, não consigo é chegar à mesma conclusão. A questão não está no argumento ideológico da propriedade estatal de um meio de comunicação, ou na influencia dos Governos sobre a RTP, mas no pragmatismo relativo aos efeitos de uma privatização sem acautelar as condições de sustentabilidade. Estará este o mercado preparado para uma tão grande revolução?
Deve ser privatizada a RTP neste momento? Entre 2009 e 2012 o mercado publicitário cairá entre 25% e 30%. Se a privatização da RTP1 acontecer até 2012, isso significa, per si, um adicional de 6 minutos de stock publicitário por hora (num total de 30min), o que se representaria uma queda total de quase 50%. Isso implicará a falta de sustentabilidade do canal privatizado como todos os outros operadores de media existentes. Num cenário destes, tenho dúvidas sobre a viabilidade financeira da maioria dos jornais existentes bem como de algumas estações de rádio. País sem diversidade de opinião é monolítico e com deficit democrático. Ou seja, em vez de serem os contribuintes a pagar, passariam a ser os accionistas dos restantes grupos de media. É uma espécie de imposto sobre os ricos ou uma taxa tobin sobre os media. Não conheço mais nenhuma privatização, tenha sido ela nas telecomunicações, na energia ou na banca, cuja consequência seja a redução do nº de players do mercado, a redução da concorrência e menor liberdade de escolha. Não conheço nenhuma outra privatização, onde a longo prazo, o consumidor final viesse a ser tão prejudicado, directa ou indirectamente.
E se o mercado voltar a crescer? Havendo crescimento e dimensão de mercado, para mais um operador, sou o primeiro a defender a venda da RTP. Nenhum tipo de argumento ideológico me impede de privatizar. Antes pelo contrario. Acredito que a RTP privada será substancialmente melhor gerida do que se for pública, menos imune a influências governativas como diz o Tomaz e sem propriedade estatal como defende o Nuno.
Apenas, não sou a favor é do argumento da privatização imediata, sem medir as consequências, para a concorrência e para a sustentabilidade dos operadores, o impacto na dívida e no deficit do País. Até lá, há que restruturar, reduzir custos , eliminar gorduras, racionalizar, diminuir os custos de programação, das delegações dos Açores e da Madeira. Ao contrario do que diz o Tomaz, acredito que esse caminho pode ser feito, mesmo que com menos eficiência, talvez com menos impacto. Espero aliás, que essa dinâmica esteja presente em 2012 na generalidade das empresas públicas. Há muito ainda a fazer, até assumirmos que não podemos fazer mais nada.
A privatização, meio de eficiência? Não seria melhor o Estado gerir bem aquilo que tem, talvez aprendendo com os privados, que vender por se crer que os privados farão melhor?
claro que hoje dá futebol e amanhã dá o filho do Mendes que fazia modelos de aviões em directo e o Pedro Granger e todas as luminárias da TV púbica
o Cabo tem coisas mais intressuntes de resto o ideal era passar a ouvir rádio se nã fossem os assaltos aqui no burgue até talvez sortir de la maison e enfrascarem-se com al kohois de in porta são
Bom é privado, com a Casota dos Degredos mais aquela coisa da SIC que parece os Circos em decadência, com 6 fulanos fazem tudo, desde locutores e palhaços
O que eu estou a sugerir é que se melhore o que se tem (seja a gestão, sejam os conteúdos), em vez de vender e esperar pelo milagre da "mão invisível" e da suposta eficiência inerente dos privados.
De António P. Castro a 27 de Setembro de 2011 às 20:36
Essa defesa da manutenção do "status quo" televisivo é própria de quem defende algum interesse particular, que ignoro. É que não é possível sustentar com seriedade que o Estado deve continuar na posse da RTP com base na argumentação que utiliza. Só gostaria de deixar duas perguntas: - Desconhece que a RTP é um sorvedouro do erário público (+ ou - um milhão de € por dia) e que esse dinheiro sai dos nossos bolsos, através das taxas e das indemnizações compensatórias? - A que propósito entende que a privatização da RTP deve ser afastada porque isso prejudicaria a SIC e a TVI?
1º A RTP é de facto um sorvedouro. São 120 milhões de indemnizações compensatórias. O restante é uma tx que cobra um serviço, supostamente o serviço publico. Podemos questionar o valor - a meu entender elevado - mas ele está lá por contrapartida de um serviço. Felizmente estamos longe do seu valor, mas mesmo assim não deixa de ser preocupante. 2º A privatização da RTP nas actuais condições de mercado afectaria tanto a TVI e a SIC, mas muito mais o Publico, a RR , o DN, O Correio da Manha, o JN, a TSF, etc , etc , etc . Com a descida do preço médio do GRP Gross Rating Point ) os investidores optariam por transferir dos jornais e rádios para a TV, com maior audiência e a preços concorrenciais. Espero ter lhe respondido ás dúvidas.
Duvido que afectasse o mercado dos jornais como supõe: o público dos jornais é diferente do público televisivo, e os jornais proporcionam outro tipo de publicidade.
Todos eles que têm interesse em manter a situação como está, não?
Seria melhor ver antes o que dizem, mais concretamente, em vez de saber quem diz. Talvez possa escrever nova mensagem onde cita o raciocínio, os estudos, etc. e onde nós, que lemos este blog, poderemos avaliar directamente da justeza ou não da argumentação técnica.
De 3º a publicidade no cabo é significativa a 28 de Setembro de 2011 às 00:00
públicos alvos diferentes logo a premissa da 2ª é falsa (excepto se for um daqueles gajos da......tenho nada contra não cada um defende os seus(jardins?)
2º A privatização da RTP nas actuais condições de mercado afectaria tanto a TVI e a SIC, mas muito mais o Publico, a RR , o DN, O Correio da Manha, o JN, a TSF, etc , etc , etc . Com a descida do preço médio do GRP Gross Rating Point ) os investidores optariam por transferir dos jornais e rádios para a TV, com maior audiência e a preços concorrenciais. Espero ter lhe respondido ás dívidas respondeu sim se esqueceu do Ediberto Lima da Dica do Metro (jornal) e similares que curiosamente nem perderam grande coisa
Meu caro, seu pensamento assenta na idéia de que a estrutura de custos, com uma penca de funcionários, comentaristas e meios, muitos deles exagerados, em cada compania permaneça estática. Alem disso vê a viabilidade das empresas unicamente pela ótica da receita.
Ora, uma empresa é antes de mais para dar lucros. Se para atingir o lucro é necessário que tenhamos uma televisão com formato dos anos 70, então que seja. Um pouco de chuvisco, cenários feios e um pouco de improviso não fará censura a ninguem.
De António P. Castro a 28 de Setembro de 2011 às 09:24
Claro que não respondeu, sequer minimamente, às minhas dúvidas. Não reconheço credibilidade a quem diz que a privatização da RTP afectaria a publicidade nos jornais, porque isso é um disparate.
De António P. Castro a 28 de Setembro de 2011 às 13:34
Ridículo, o seu conselho. Lamentável, a sua postura. Cheguei a uma idade e ganhei uma experiência profissional em administração e direcção na área da comunicação social que me permitem dizer-lhe o que lhe disse e rir-me do que lhe li. Tinha alguma consideração por si - atendendo também a razões familiares... -, mas perdi-a de vez. Passe bem, que por mim não voltarei a dar-me ao incómodo de o ler. É pura perda de tempo, está visto.
Se tem experiência em comunicação, deveria saber um marca que deseja investir define um budget. Depois, distribui-o pelos meios. Se o valor do GRP da TV baixa, imediatamente fará concorrência desigual com o custo por rating de um jornal e das rádios. E a qualidade de um GRP da imprensa ou rádios é substancialmente diferente, logo a preço concorrencial, não há duvidas onde é que o investidor prefere investir. Qt ao meu conselho, é apenas reação à sua afirmação de falta de credibilidade. Nada de pessoal, nem para levar mt a sério.
De Sérgio Marques a 29 de Setembro de 2011 às 11:34
Esses seus argumentos levariam a que a privatização da comunicação social, quase toda estatizada nos anos 80, nunca tivesse ocorrido, já que prejudicaria fortemente os grupos privados então a laborar. É sempre possível ver um empecilho qualquer para proceder a reformas. Então quando toca no bolso de quem já está instalado... ui, ui! Muito me espanta ver um homem de direita democrática e liberal defender a estatização da comunicação social e a protecção de empresas já instaladas pela via indirecta da subvenção estatal. Uma chatice, isto da ideologia quando não dá jeito...
Esta enganado Sergio. Acho que foi um erro, qd da liberalização da Televisão, que o estado tivesse ficado com dois canais. Na minha opinião, deveria ter ficado com um, alienando o outro. Por outro lado, se o total de minutos que a RTP fosse vender fossem 12m ( como os seus concorrentes) por hora e não 6m, como atualmente, ou se o mercado publicitário estivesse a crescer, eu estaria na primeira linha, da defesa da sua privatização.
Esta enganado Sérgio. Acho que foi um erro, qd da liberalização da Televisão, que o estado tivesse ficado com dois canais. Na minha opinião, deveria ter ficado com um, alienando o outro. Por outro lado, se o total de minutos que a RTP fosse vender fossem 12m ( como os seus concorrentes) por hora e não 6m, como atualmente, ou se o mercado publicitário estivesse a crescer, eu estaria na primeira linha, da defesa da sua privatização.
De Sérgio Marques a 29 de Setembro de 2011 às 14:48
Aliás, Sir Humphrey, do Yes Prime Minister, tinha exactamente essa táctica - demover as justas ideias do ministro com miudezas intrincadas de maneira a que nunca era possível fazer nada nem alterar o que convinha ao dito Sir. Essa já é velha, meu caro! Contudo, ainda há muitos a caírem nela. Espero que o governo não!
De Sérgio Marques a 29 de Setembro de 2011 às 14:58
A ver se entendi mesmo bem. Por forma a que as empresas de comunicação privada sobrevivam, é necessário que não haja mais concorrência. É isso? É então necessário o mercado ser regulado pelo Estado com a supressão de um concorrente que deve continuar a ser pago por todos. É isso? Mercado, sim. Desde que não haja risco... Safa! Nunca mais nos libertamos do proteccionismo económico a que estamos habituados há séculos. Todos a acreditar no mercado, mas com o Estado a proteger! Concorrência? Mercado livre? Sim, claro! Isso mesmo! Prós outros... Já não há pachorra. Anda tudo à côdea!