Pedro Passos Coelho disse o óbvio. Questionado sobre se aconselharia os professores excedentários a emigrar, o Primeiro ministro disse algo que qualquer pessoa diria: se não têm colocação no mercado, a alternativa ao desemprego é encontrarem uma profissão noutra área ou procurarem emprego no estrangeiro, nomeadamente nos países lusófonos. Com o decrescimento da taxa de natalidade das últimas décadas, aliado ao aumento do número de licenciados dos cursos via ensino, o mercado de ensino português, quer no público ou privado, ficou com excesso de recursos humanos. O desemprego é infelizmente uma realidade há vários anos nesta área e a situação não irá melhorar. Certamente nunca a curto prazo. Mas as claques que têm vindo a reagir de forma indignada, muitos dos quais nem sequer se deram ao trabalho de lerem o que realmente Pedro Passos Coelho disse, denota que em Portugal há uma série de pessoas que prefere que os políticos mintam. Ou então, como o anterior Primeiro ministro fez tantas vezes, que atirem areia para os olhos das pessoas e façam promessas que nunca serão cumpridas. Como a dos 150 mil empregos. Se Passos Coelho fosse como outros, teria respondido que não, que o governo iria promover um plano para oferecer emprego aos professores não colocados. Que iria aumentar o número de professores nas escolas ou que iria promover a contratação de professores nas escolas privadas. Mas a via de Passos, como nos tem vindo a provar, não é a da hipocrisia nem da fantasia. É a da realidade. Seria mais fácil, politicamente falando, se fosse hipócrita? Talvez. Eu continuo a preferir esta total abertura de espírito para falar verdade do que tentar enganar as pessoas. De vendedores de fórmulas mágicas estou eu farto.