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A regionalização contra-ataca

por Francisco Mendes da Silva, em 06.12.06

Segundo Carlos Abreu Amorim, "os partidos são os principais obstáculos à regionalização", uma vez que existe "uma corte neste país que atravessa todos os partidos que não quer perder os seus poderes". Mas não haverá também toda uma corte que se prepara para abocanhar esse novo feudalismo? Talvez fosse útil o exercício de adivinhar quais seriam os líderes políticos das regiões administrativas. Bastava verificar, por exemplo, quais os líderes distritais do PS que estão no Parlamento sem que tivessem sido agraciados com a ansiada Secretaria de Estado. Se podemos concluir que quem nos partidos é contra a regionalização está a segurar o seu poder e influência, então também nos será possível suspeitar que quem a defende e tem carreira política feita poderá ansiar que dele se lembrem se a coisa avançar.

Seja como for, estranho que um liberal, ainda para mais um dos mais zelosos, entenda combater o centralismo com a multiplicação de novos centralismos. A tradição liberal é muito mais devedora do municipalismo (do reforço dos seus poderes e competências) do que das ideias regionalistas. Por isso é que, como bem refere o André Azevedo Alves, foi infeliz a decisão de abandonar as comunidades urbanas inter-municipais. O que é mais harmonioso, prudente e liberal? A divisão cega, centralista, de cima para baixo, ou a livre associação entre municípios?

O ressentimento quasi-separatista do Norte não explica tudo.      

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