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Agora mete-se o Natal

por João Vacas, em 06.12.06

Qualquer pessoa que tente resolver um problema nos próximos dias vai confrontar-se com a inevitabilidade de ter de adiar essa pretensão porque agora “mete-se o Natal”. Esta informação aos aflitos e desatentos é mesmo das poucas que é dada de forma voluntária pela maioria dos serviços nesta altura do ano.

É assim. Somos assim. Quem não o entende mete-se em trabalhos.

Adoraríamos ajudar, esclarecer, resolver mas a inesperada e metediça quadra festiva impede-o. E não é a única. Ainda há bem pouco tempo foram “os feriados” que se meteram, que se intrometeram, entre nós e a compulsão laboral que secretamente albergamos.

É que, ao contrário do que se diz por aí, nós gostamos de trabalhar. Até gostamos muito. Mas metem-se as férias, mete-se a Páscoa, metem-se os feriados, mete-se a ponte, mete-se o fim-de-semana, mete-se o Natal e mete-se o Ano Novo. Estes obstáculos insidiosos insistem em atravessar-se no nosso caminho e impedem-nos de manter o ritmo.

Metódicos e perfeccionistas que somos, não apreciamos interrupções. Nunca estamos à espera. Confundimo-nos. Desconcentramo-nos. Desaceleramos. Paramos para ver o que foi aquilo. Como nos acidentes de trânsito. E custa-nos voltar a arrancar.

Connosco, nada acontece por acaso mesmo quando nada acontece.

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