Quarta-feira, 6 de Junho de 2007

Completamente de acordo com este post do Francisco José Viegas. As razões da baixa natalidade são de tal forma intrínsecas à vida moderna que nenhum "incentivo" do Estado poderá inverter decisivamente o problema. Partindo do princípio de que não estamos a falar de subsídios incomportáveis, não me parece que uns míseros benefícios fiscais ou laborais fossem capazes de atenuar a formação académica até tarde, a indisponibilidade financeira e as opções de vida maioritárias.

 

Mais útil seria que os governos vissem na baixa natalidade, não um problema circunstancial, mas um dado estrutural da actualidade. Goste-se ou não. E que percebessem que o futuro próximo passa pela pirâmide geracional atenuada e, logo, por alternativas ao modelo de solidariedade inter-geracional da segunda metade do Séc. XX. 

 

Aliás, não se percebe ao certo que tipo de sociedade seria essa em que as pessoas teriam filhos pelo egoísmo (errado) de beneficiarem de vantagens patrimoniais e pela solidariedade improvável de quererem salvar as contas públicas, em vez de, como sempre aconteceu, procriarem com o intuito egoísta (mas saudável) de constituírem prole e descendência, de terem alguém para amar e por quem serem amados.    


publicado por Francisco Mendes da Silva às 00:56
link | não me voltem a falar de perú
6 comentários:
De anonimo a 6 de Junho de 2007 às 07:59
Na Suécia foram capazes de inverter as estadísticas ...
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Na Suécia foram capazes de inverter as estadísticas ... <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Craro</A> que a Suécia não é Portugal. Elementar !


De DrOvos a 6 de Junho de 2007 às 09:26
e não será o egoismo que move o mundo? para a economia é a mão invisivel, para os catolicos é deus, mas na base é egoismo! talvez alimentar esse egoismo diminua o problema. o que para mim seria um problema. mas isso é um problema diferente


De Raul Renato a 6 de Junho de 2007 às 10:43
A baixa de natalidade é um "dado estrutural" da vida moderna. Mas também é um "dado estrutural" da vida moderna que a maioria das pessoas espera que a sociedade a assista com um mínimo de qualidade quando a velhice lhe chegar. Não é preciso muita inteligência para concluir que estes "dados estruturais" vão criar um problema estrutural....


De isa a 6 de Junho de 2007 às 10:57
FMS a bombar!

Bom, se nas entrevistas de emprego a mulheres continuarem a condicionar-lhes o acesso porque "vão casar ou estão a pensar ter filhos" e isto existe, aos pontapés, então essa taxa vai continuar a vai baixar e mt.

mas pode ser que com a má vida que levamos tb morramos mais cedo, evitando a pirâmide ao contrário, e aí fica o problema "resolvido"

PS: contente por te ver de volta c tanto vigor! Bjs


De Nuno Mendes a 6 de Junho de 2007 às 10:58
É curioso achar-se que o egoísmo de ter um filho para ter alguém que nos ame é de alguma forma moralmente mais aceitável do que ter um filho para equilibrar as contas públicas ou para ter vantagens patrimoniais.

As pessoas têm filhos pelas mais diversas razões entre as quais o mero impulso da reprodução, e não cabe a ninguém enunciar quais dessas razões são certas ou erradas.

Nessa distante era de prole numerosa as pessoas tinham filhos porquê? Talvez porque a médio-prazo era mais um trabalhador para o núcleo familiar. Eram essas razões mais "puras"? Não era esta sociedade uma em que uma parte substancial da motivação para ter filhos residia em vantagens patrimoniais?


De Pedro Marques Lopes a 6 de Junho de 2007 às 16:26
Grande texto, Francisco... grande texto mesmo.

Parabéns

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