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Rigor Mortis

por Laura Abreu Cravo, em 11.12.06


As saudades que eu tinha deste senhor. Há alguns meses atrás este homem protagonizou  um dos melhores momentos televisivos de 2006. E não, não me refiro  ao debate do programa Prós e Contras em que Carrilho pegou numa pá a cavou a própria sepultura como os condenados nos filmes de domingo passados no faroeste. Esse, não menos extraordinário, exercício de autoflagelação negligente em público mediado pela igualmente lamentável e estridente Fátima Campos Ferreira não é, nem de perto, comparável à tentativa de homicídio político (à queima roupa) levada a cabo por (quem mais?) Marcelo Rebelo de Sousa aquando das autárquicas.
E quem não se lembra do momento em que o senhor professor, instado a comentar o desempenho de cada um dos candidatos, se refere a Carrilho com a repetido emprego de um adjectivo que, em si, não seria grave não tivesse sido repisado, na sua deliciosa singularidade e autonomia. E, cito de memória, perdoem qualquer (ainda que difícil) inexactidão: "Carrilho é mau, mau, mau, mau, mau, mau, mau, mau, mau, mau. É muito mau, mau, mau, mau, mau, mau."
Marcelo pode ser (ele mesmo) muito mau, mas quando é péssimo, é ainda melhor.
É por essas e por outras que preferia a eternidade no inferno ao lado da candura inepta de Santana Lopes a partilhar a barca do purgatório com o sibilar repelente de Manuel Maria Carrilho.

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comentários

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De Nuno Miguel Guedes a 12.12.2006 às 00:28

Eu já estava de faca e garfo na mão, pronto para escrever um post sobre o pobre filósofo. Mas este é tão brilhante que fico só aqui em contemplação. Parabéns Laura!
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De Laura Abreu Cravo a 12.12.2006 às 10:12

Obrigada a ambos. Tudo isto era muito bom, se não fosse tão Mau, mau, mau (enfim, vocês sabem...)
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De André de Soure Dores a 12.12.2006 às 01:13

Não vi este último "Prós e Contras", mas pelo seu comentário Laura deve ter sido giro, muito giro e citando o Henrique Burnay a propósito de um comentário noutro post , não necessariamente bom ou bonito... mas giro !
É sempre complicado passar sentenças de morte políticas, mas no caso de Carrilho parece-me que se justifica a inexistência de clemência, pois as atenuantes e o arrependimento são simplesmente ausências. Quando isso acontece não há outra solução: pena capital!
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De André de Soure Dores a 12.12.2006 às 01:36

Afinal ainda não acabou o "Prós e Contras"! Vou ver, está a falar o Carrilho! Chamem-me de masoquista mas isto é imperdível.

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