O cristianismo resolveu o problema da igualdade dos homens há dois mil anos atrás. E com admirável pragmatismo. Deus é pai. Nós somos filhos. Os homens são irmãos numa família grande. Esta simples equação dissolve todas as dúvidas que podíamos ter. Porquê? Porque a família não se escolhe e por isso a família entristece-nos mas temos que amar os irmãos. Por muito estúpidos que sejam.
Quando 1800 anos depois Karl Marx tirou Cristo da equação deixou novamente o problema da igualdade por resolver. Seguindo a cartilha, todo o revolucionário acredita na igualdade das criaturas humanas. Essa é a premissa de todas as outras crenças. Essa também é a premissa que justifica a própria revolução. As dificuldades começam com a extraordinária descoberta de que os homens, afinal, não são todos iguais. Há uns mais estúpidos que outros. Sem Cristo, sem família, o revolucionário desilude-se com a natureza humana. Desilude-se com os homens.
Incompreendido pelas massas, sem talento para as conduzir, incapaz de encontrar conforto nos braços de um igual, o revolucionário tem ainda e sempre a necessidade de elevar-se sobre o anonimato. A única forma de o fazer é através da intelectualidade. O intelectual é
Todos os intelectuais são revolucionários desiludidos com a natureza humana.
Alguns anos mais tarde, Lenine tentou tapar o buraco deixado por Marx, ao mesmo tempo que dava utilidade a esta gente com dificuldades de ego. Criou as castas musculares. Aquelas castas que deveriam suprimir as classes sociais. Para a revolução, uns contribuíam com os músculos dos braços, outros com os músculos do cérebro.
Este princípio, tão simples, tinha ainda a vantagem de justificar aos campesinos e aos proletários a razão pela qual sustentavam com o seu trabalho alguém que não produzia a sua própria comida.
A intelectualidade, os intelectuais enquanto casta como hoje os conhecemos, são o resultado da primeira tentativa bem sucedida de estratificação social com base em critérios puramente eugenicos: o socialismo.
Por isso, Tiago, não foi por falta de honra, respeito ou tomates que não “cospi” na cova de Prado Coelho. Quando centenas de “intelectuais” o entronizaram como “o grande intelectual” achei desnecessário insultá-lo ainda mais.