Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007

Meu querido Tiago,

 

O cristianismo resolveu o problema da igualdade dos homens há dois mil anos atrás. E com admirável pragmatismo. Deus é pai. Nós somos filhos. Os homens são irmãos numa família grande. Esta simples equação dissolve todas as dúvidas que podíamos ter. Porquê? Porque a família não se escolhe e por isso a família entristece-nos mas temos que amar os irmãos. Por muito estúpidos que sejam.

 

Quando 1800 anos depois Karl Marx tirou Cristo da equação deixou novamente o problema da igualdade por resolver. Seguindo a cartilha, todo o revolucionário acredita na igualdade das criaturas humanas. Essa é a premissa de todas as outras crenças. Essa também é a premissa que justifica a própria revolução. As dificuldades começam com a extraordinária descoberta de que os homens, afinal, não são todos iguais. Há uns mais estúpidos que outros. Sem Cristo, sem família, o revolucionário desilude-se com a natureza humana. Desilude-se com os homens.

 

Incompreendido pelas massas, sem talento para as conduzir, incapaz de encontrar conforto nos braços de um igual, o revolucionário tem ainda e sempre a necessidade de elevar-se sobre o anonimato. A única forma de o fazer é através da intelectualidade. O intelectual é o homem que não é igual aos outros homens. É aquele que é um pouco melhor.

 

Todos os intelectuais são revolucionários desiludidos com a natureza humana.

 

Alguns anos mais tarde, Lenine tentou tapar o buraco deixado por Marx, ao mesmo tempo que dava utilidade a esta gente com dificuldades de ego. Criou as castas musculares. Aquelas castas que deveriam suprimir as classes sociais. Para a revolução, uns contribuíam com os músculos dos braços, outros com os músculos do cérebro.

 

Este princípio, tão simples, tinha ainda a vantagem de justificar aos campesinos e aos proletários a razão pela qual sustentavam com o seu trabalho alguém que não produzia a sua própria comida.   

 

A intelectualidade, os intelectuais enquanto casta como hoje os conhecemos, são o resultado da primeira tentativa bem sucedida de estratificação social com base em critérios puramente eugenicos: o socialismo.     

 

Por isso, Tiago, não foi por falta de honra, respeito ou tomates que não “cospi” na cova de Prado Coelho. Quando centenas de “intelectuais” o entronizaram como “o grande intelectual” achei desnecessário insultá-lo ainda mais.  


publicado por Rodrigo Moita de Deus às 14:40
link | o que é uma calhandrice?
7 comentários:
De Infidel a 31 de Agosto de 2007 às 15:24
Bom post !


De torpedo gratis a 19 de Outubro de 2009 às 19:41
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De isa a abasurdida a 31 de Agosto de 2007 às 16:33
até li duas vezes e tudo...


De David Silva a 31 de Agosto de 2007 às 16:51
Achei o post muito bom, mas esta última parte passou-me ao lado. Então, "intelectual" passa a ser insulto? Faz-me lembrar o "Tens a mania que és esperto por andares na universidade!"... Mas aqui somos todos ganhamos o pão com o trabalho intelectual, ou não?


De isa ainda abasurdida a 31 de Agosto de 2007 às 16:55
Ser-se intelectual é diferente de fazer trabalho intelectual. N me parece que o Rodrigo seja intelectual, ai dele...


De queiroz a 31 de Agosto de 2007 às 16:53
então e no meio disto tudo, como te consideras tu, rodrigo?
enfim, no teu ponto de vista és o quê?
humorista não és, crítico falta-te assim um bocadinho (grande), intelectual não és nem queres ser... és o quê?

eu sugiro uma vocação, que aliás é extensível aí a outros marinheiros: papagaio de pirata. que tal?


De Portela menos 1 a 1 de Setembro de 2007 às 22:18
papagaio? acho mais justo ...pedante!


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