Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007
Estas são as primeiras directas realmente renhidas em qualquer partido. E nelas podemos ver todas as desvantagens desta nova moda. Os líderes são eleitos num momento diferente em que a orientação do partido é votada. O debate fica vazio. Os militantes acompanham a discussão pelos jornais. O debate é mediado. Os candidatos falam mais para dentro do que quando se dirigem a delegados, mais preparados para ponderar variantes externas ao partido. O partido expõem-se mais mas fecha-se. Os líderes desgastam-se ainda antes de o serem. E como directas difíceis só acontecem a quem está na oposição, fragilizam sobretudo quem já tem a tarefa dificultada. Os congressos são violentos, mas duram três dias. Dois meses depois de se atacarem, é mais difícil colar os cacos.

É verdade que as directas são, do ponto de vista interno, mais democráticas e mais transparentes. Mas fecham ainda mais os partidos em si mesmos, beneficiam o populismo e fragilizam quem está na oposição. E mais democracia nos partidos nem sempre se traduz em mais democracia no país. Todo o poder para o militante pode mesmo querer dizer menos poder para o eleitor.

O que seria verdadeiramente democrático: directas com o voto do eleitorado. Mas é viável? Se não é, mais valia voltar aos velhos congressos, sem lugares por inerência e com regras mais claras.
publicado por Daniel Oliveira (convidado especial) às 18:33
link | o que é uma calhandrice?
1 comentário:
De António de Almeida a 28 de Setembro de 2007 às 19:36
-O que fragiliza os partido não são as directas, antes pelo contrário, pois representam a hipótese que os militantes têm de participar activamente na escolha do lider, o que fragiliza os partidos, ou pelo menos o PSD que é o caso que estamos a acompanhar, é o caciquismo, e as regras que possibilitam a sua existência, não sou militante do PSD, mas ouvi ontem alguém afirmar que paga 12 Euro/ano de quotas, e precisa que lhas paguem? Se o partido practicasse democracia interna, onde por exemplo para votar em vez de 6 meses de filiação fossem necessários 12, tornaria mais dificil as infiltrações, mas depois pudessem votar todos os que tivessem as quotas em dia, a compra de votos sairia muito cara a quem a tentasse fazer, agora o que na realidade existe é promoverem directas, mas depois criarem um conjunto de regreas confusas passiveis de ser interpretadas á là carte, que funcionam como seguro de lugar ocupado.


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