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As praxes e o estudo

por Augusto Moita de Deus, em 24.09.17

Fala-se muito nesta altura das praxes académicas. Uns destacam as práticas des- e sub-humanas a que os... bichos (precisamente), ie os (pré-)caloiros, são frequentemente submetidos ao entrar na Faculdade, criticando alguma complacência das instituições ou até recomendando a sua abolição. Os outros destacam a necessidade de integração e a propensão natural da juventude para o divertimento como argumentos para a sua continuidade. 

 

Algo que é sistematicamente ignorado nessas discussões é a influência das praxes no rendimento académico dos novos alunos. Não disponho de dados para desenvolver uma tese consistente, mas por experiência vejo que em alguns casos os alunos começam a sua experiência universitária com um foco errado. Se é verdade que ao entrar na Faculdade é bom que os alunos percebam que a vida universitária não se pode resumir apenas ao estudo, por outro lado a ênfase que as praxes dão à diversão, leva a que muitos só realmente comecem a olhar a sério para os estudos ali em Outubro ou Novembro. Sim, que muitas vezes as actividades de praxe prolongam-se por semanas e semanas a fio, seguidas dos arraiais e outras actividades sociais que pouco mais fazem que proporcionar a destruição dos neurónios. Entretanto os testes e frequências já começaram, inúmeras aulas se perderam e quando esses alunos dão por si... já estão a contemplar uma época de exames e um final de semestre em que será inevitável deixar várias cadeiras por fazer..., situação que constituirá uma verdadeira pedra no sapato académica, com as cadeiras atrasadas constantemente a afectar a vivência dum plano de estudos equilibrado, muitas vezes durante anos. Tentar fazer 6 ou 7 cadeiras com um horário semanal descoordenado é completamente diferente de fazer as habituais 5 disciplinas, com um horário harmonizado, horário que inerentemente deverá permitir aos alunos terem os seus sãos e necessários momentos semanais de escape e diversão. 

 

Podem os perigos aqui mencionados suceder a quaisquer alunos universitários, quer se submetam quer recusem as praxes? Claro que sim. Mas penso que há uma reflexão, um estudo a fazer relacionado com as praxes. Da forma como estão muitas vezes organizadas, as praxes académicas estão a enviar a mensagem académica errada às novas gerações de..., precisamente, estudantes

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comentários

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De Simplório a 25.09.2017 às 13:46


Mas será realmente preciso um estudo? Não será já altura de uma mudança de mentalidades?

Não seria muito melhor substituir as praxes que servem muito mais para rebaixar os novos estudantes dos que para os integrar na vida académica por algo que fosse, isso sim, verdadeiramente útil?

Em vez de praxes com "veteranos" mortinhos por se divertirem às custas de quem está numa situação mais frágil seria muito melhor que cada curso de cada estabelecimento de ensino superior tivesse uma Comissão de Boas Vindas onde os melhores alunos dariam as boas vindas aos caloiros orientando-os nas primeiras semanas de aulas para que estes não se sintam como que lá caídos de para-quedas e ainda a terem de se desenrascar sozinhos sem sequer conhecerem os cantos à casa e o modo como tudo funciona.

Os veteranos poderiam funcionar como uma espécie de padrinhos dos caloiros talvez até sendo beneficiados com uns créditos extras por esta actividade extra-curricular e os caloiros, mais rapidamente integrados com este apoio, não só teriam um primeiro semestre mais tranquilo como possivelmente até se sairiam melhor na sua primeira época de exames o que lhes daria uma confiança extra e uma motivação reforçada para a continuação dos seus estudos.

O que temos actualmente não passa de um bando de "veteranos" - muitos deles com a maioria do 1.º ano ainda por fazer - a desencaminhar os novos estudantes tal como eles foram também desencaminhados e levados a maus resultados e a grandes desilusões logo na primeira época de exames.

O primeiro semestre embora seja obviamente o semestre com as cadeiras mais fáceis, dado o ritmo muito mais acelerado com que as matérias são leccionadas quando comparado com as escolas secundárias, torna-se bastante difícil para muitos com tantas distracções pelo meio e sem os conhecimentos que deveriam adquirir logo de início vão ter dificuldades bastante acrescidas nos semestres seguintes, tipo bola de neve.

Vamos lá mudar de mentalidade! Praxe não, integração sim!

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