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A Geringonça fez da TAP uma das suas bandeiras. Como se fosse um assunto de vida ou de morte, entrou a matar no dossier logo nos primeiros dias de governação. Reverteu a privatização, pôs o Estado português a dar o dito pelo não dito, afastou investidores, e tudo porque a TAP era, supostamente, uma bandeira do país, património dos portugueses e tinha de continuar pública. Perante o aplauso dos anteriormente indignados, o primeiro-ministro pôs a representar o Estado português nas negociações um advogado de quem esse país nunca tinha ouvido falar e a quem não tinha como pedir responsabilidades. Porquê? Porque era, disse Costa, o seu “melhor amigo”.

Sempre com os indignados felizes da vida, o amigo de Costa conseguiu o seguinte resultado retumbante: o direito a seis lugares na administração da agora híbrida TAP. Não conseguiu mais nada. Fez de Portugal um interlocutor pouco confiável, afugentou investidores durante anos, fez aquele tipo de coisa que faz com que Portugal continue a ser “lixo” para as agências de notação e que tanto custam a perceber ao senhor primeiro-ministro, para dar a Costa seis lugares de administrador, com os respectivos ordenados, bónus, carros, cartões de crédito e privilégios em geral. Nada mais. A TAP abre e fecha as rotas que quer, pratica os preços que quer, aposta nos aeroportos que quer, como faria se fosse privada e com os privados a assumirem as respectivas responsabilidades; e o Estado português divide essas responsabilidades em troca de seis administradores sem voto em nenhuma matéria que importe.

Com os notáveis dos “Não TAP os olhos” e afins caladinhos e felizes e um Presidente a quem aparentemente elegemos para fazer o papel de ursinho carinhoso, Diogo Lacerda Machado continuou a representar o Estado português noutros negócios nessa inaudita qualidade de “melhor amigo do primeiro-ministro”. Não fez confusão ao dito, nem ao Presidente dos afectos, nem aos indignados, nem aos apaixonados da geringonça em geral, que, no exercício das suas funções, António Costa não possa ser António Costa, o homem que tem amigos, parentes, inimigos e uma vida pessoal em geral com a qual nada temos a ver, mas sim o primeiro-ministro, o chefe do Governo português. E o chefe do Governo, como o chefe de qualquer Governo, não tem amigos, mas esta prerrogativa tão simples parece de difícil compreensão para Costa e demais pessoal afectivo. Enquanto não põe alguém à frente do Banco de Portugal por ser, sabe-se lá, sua prima, o primeiro-ministro vai reincidindo na proveitosa confusão, entre outros, a propósito da bronca da Caixa (ainda que mais uma vez Presidente da República e outros fãs do estilo não tenham visto problema em que Costa considerasse assunto “privado” as mensagens trocadas entre o ministro das Finanças e o administrador do banco público).

Agora, tudo culmina na “escolha” de Diogo Lacerda Machado para, hélas, administrador da TAP. Está encontrado o Armando Vara de Costa, insigne figura que, num dia, concluía o curso de Economia e, no outro, saltava para administrador dos dois maiores bancos portugueses.

Enquanto isso, os indignados da ”Não TAP os olhos” permaneciam desaparecidos em parte incerta, e o Presidente e o melhor amigo de Lacerda celebravam no Brasil as maravilhas do Dia de Portugal.

Que Portugal? O que permite que tudo isto aconteça, enquanto vai sorrindo e acenando.

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comentários

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De Manolo Heredia a 12.06.2017 às 14:29

É por Portugal ser lixo que cada vez mais gente quer visitá-lo ou até residir lá.

Queremos a nossa Lixeira!
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De AB a 14.06.2017 às 13:47

Abre os olhos pá.

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