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Nada foi mais importante para reduzir o défice que as SCUTs. Aliás, as SCUTs são um dos esquemas mais lucrativos alguma vez pensado por um governo socialista. Ali mesmo, na fronteira entre o esquema e a fraude.

 

Permitam-me que recorde o processo. Em 1995, João Cravinho e António Guterres têm a brilhante ideia de criar auto-estradas sem custos para o utilizador. Defendiam eles que, e cito: “o desenvolvimento e o crescimento nas regiões servidas por estas vias compensariam, através de outros impostos (IRS, IRC, IVA) o investimento realizado”.

 

Como os governos não mentem aos governados, presumimos que as receitas de IRS, IRC e IVA das regiões beneficiadas de facto aumentaram cobrindo o investimento realizado. Ou seja, as SCUTs estão pagas.

 

Em 2005, José Sócrates aproveitou que andávamos distraídos e aumentou os impostos sobre os combustíveis (2.5 cêntimos em 2005 e 7.5 em 2008). Servia o aumento, segundo o próprio, para pagarmos…as SCUTs. Estamos a pagar na gasolina as SCUTs que entretanto já estavam pagas por via do aumento de receitas extraordinárias dos impostos.

 

Eis senão quando, para o orçamento de 2008, o governo avança com a introdução de portagens nas SCUTs. Ou seja, os portugueses vão pagar aquelas auto-estradas pela terceira vez. Primeiro com o aumento das receitas dos impostos, depois com uma taxa no imposto sobre os combustíveis e, agora, através de portagens.

 

Não tenho nada contra as portagens. Mas se a dupla tributação é ilegal, imagino que a tripla tributação seja ilegalíssima. Como o Estado é uma pessoa de bem, não quero acreditar que continue a cobrar taxas e impostos indevidos quando já está a cobrar portagens.  Ainda por cima para uma obra que já está paga.   

 

Admito que o processo de correcção possa ser complicado. Pois eu quero ajudar e posso perfeitamente receber a minha parte em talões de desconto de gasolina.

 

Enquanto isso, permitam-me que recorde as palavras do nosso primeiro durante a apresentação deste orçamento: "3%. Conseguimos controlar o défice. Parabéns seus tansos".

 


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De alexandre lagoa a 19.10.2007 às 15:32

e nós respondemos, cá deste lado: "porreiro, pá!"
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De António de Almeida a 19.10.2007 às 16:32

-O estado português pessoa de bem? O estado português é o que de mais próximo conheço da máfia, na sua relação com os cidadãos, utiliza todas as formas legais de extorsão, quando já não consegue, altera a legislação a seu favor, e o actual governo ainda pretende introduzir na sociedade a Omertà á sua política.
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De Nuno a 19.10.2007 às 16:48

E a quádrupla tributação? Não nos podemos esquecer que com as multas por excesso de velocidade o estado cobra outro tanto.
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De isa a 19.10.2007 às 19:57

o Estado só pessoa de bem na teoria aka: na Constituição da República Portuguesa...

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