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Uma ASAE mais pedagógica e menos militar

por Sofia Bragança Buchholz, em 17.01.08
É indiscutível a necessidade de uma entidade que regule o sector alimentar e a actividade económica. É, sim, discutível a forma como essa entidade actua e os limites da sua intervenção. O mal começa logo pela designação – “autoridade” – a fazer lembrar "apitos e ordens" ao estilo do caricato polícia dos desenhos animados do Noddy e da sua célebre frase: “Parados, em nome da lei!”.
Evidentemente que a falta de higiene na restauração ou o abuso dos direitos de autor, entre tantas outras coisas, têm de ser corrigidos. Isso não é questionável sequer. O que me parece exagerado, chocante até, é que essa entidade receba treino militar e actue encapuçada como se lidasse com os maiores terroristas à face da terra.
Só quem não conhece a realidade empresarial portuguesa pode pensar que os empresários nacionais (a sua grande maioria, pequenos e médios) são indivíduos preparados, cultos, informados. A maior parte deles mal sabe ler, quanto mais interpretar uma lei! A economia nacional move-se à custa de “self-made men” que corajosamente arriscaram o seu capital para abrirem a lojinha na esquina ou o cafezito do bairro. Os mais aventureiros, a fábricazeca. Não sabem o que é um balanço, um relatório de contas, nem percebem de recursos humanos ou de higiene e segurança no trabalho. Não pensem que com isto os estou a desresponsabilizar na parte por que devem ser punidos, se tal for o caso. Nada disso. Apenas quero chamar a atenção para a realidade que temos. Chamem-lhe medíocre se quiserem, mas é o que há.
Fechar metade dos cafés existentes no país (como se ouve, para aí, dizer o inspector da ASAE) parece-me assustador para uma economia já por si periclitante. Atulhar os já atulhados tribunais com processos a que não vão conseguir dar vazão, parece-me desastroso.
Por isso, parece-me muito mais correcta uma actuação da ASAE mais pedagógica, mais tecnicamente preparada, menos militarmente apetrechada, a fim de elucidar (quem sabe, até formar) e não simplesmente punir, os agentes económicos.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De HA-ZHAI a 17.01.2008 às 03:07

Olhe que não, Dra Sofia, olhe que não...e a maçaroca, hein? Quem é que a paga?
Isso é tudo muito giro mas esquece o essencial: a ASAE está lá para fazer dinheiro. A dita da higiene é um manto diáfano que é lançado au passant, para enganar papalvos... salvo seja.
Ora portanto temos, então: a ASAE passa multas, a ASAE cobra multas. Ponto final. O que se passa pelo meio é palha de encher jornais. O resultado final é uma pipa de massa que vai encher vários buracos... o que a lei do tabaco abriu, por exemplo. Ou acham que o Estado não vai buscar a outro lado o que deixa de arrecadar no imposto do tabaco? (aqui para nós: eram vários euromilhões todas as semanas, e dos gordos!)
Alguém já fez as contas aos éros que a ASAE arrecadou em 2007? Pois é... façam, façam, é capaz de haver surpresas.
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De blogdaping a 17.01.2008 às 05:45

Aqui no 31 da MARMELADA, é que sabem como se deve lidar com mixordeiros, com tipos de vendem CD's e DVD piratas , roupa contra-feita perfumes Chanel "marados" etc... e tal ?
Exprimente ir pedagógicamente a uma feira e vai ver o Arraial de porrada que leva !
Vá pró terreno e depois fale com o pessoal... agora , sentadinha a arrotar postas de bacalhau.....
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De PR a 17.01.2008 às 09:18

Toda a gente sabe que o desconhecimento da lei não é desculpa para o seu incumprimento. Só que há leis impossíveis de ser conhecidas. Ou melhor, podem ser conhecidas, mas por técnicos. Sabia que se tiver um restaurante com um congelador, tem de aplicar uma dada potência a uma certa quantidade de comida, bem como ditribuí-la de uma forma pré-estabelecida? Acha que alguém que monta um restaurante pára para pensar numa minudência destas?
E depois se chegam lá os "ASAE'S" e detectam irregularidades de congelação, o que é que fazem? Deitam tudo fora...
Isto não é só uma questão de pedagogia. É uma questão de bom senso.
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De blogdaping a 17.01.2008 às 11:27

Como...como...?
Qualquer técnico de frio pode calcular a potência e dimensão necessária para congelar, refrigerar, etc... daquilo que quiser.
Se eu quiser instalar um restaurante, tenho de saber o básico para tal, se certas pessoas acham que aqui pode ser tudo à balda e vão à "Europa" e dizem :
- Aqui sim, tudo funciona... em Portugal é uma miséria... ! Já ouvi eu com estes que a terra há-de comer.
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De Anónimo a 17.01.2008 às 12:14

blogdaping, estávamos interessadíssimos em saber qual é a sua página pessoal, para conhecer as suas ideias mais aprofundadamente... :(
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De David Silva a 17.01.2008 às 10:28

As regras são da responsabilidade dos legisladores (e da AR, suponho) e não da ASAE - se a ASAE deixa de verificar o cumprimento das regras, serão os seus funcionários os prejudicados - por isso não podem pedir "um pouco de tolerância" aos inspectores. Têm de protestar com quem teve as ideias disparatadas que estão a ser verificadas pela polícia.
Agora, como disse o blodaping - espero não me ter enganado - experimentem entrar nalgumas feiras apenas com uma atitude pedagógica...
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De David Silva a 17.01.2008 às 10:29

perdão, blogdaping.
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De Joao a 17.01.2008 às 10:36

Sofia,
Não é, de todo, indiscutível a necessidade de uma entidade que regule o sector alimentar e a actividade económica. É aliás bastante discutível.
Uma das "tascas" mais conhecidas cá do burgo - a "Badalhoca", famosa pelas sandes de presunto - não engana ninguém pelas condições de higiene (começa logo pelo nome). Mas, mesmo assim, tem todos os dias filas à porta para comer as tais sandes, com um copo de vinho de pipo. Preço: imbatível.
Pergunto: se os clientes que lá vão sabem do que gasta a casa (e sabem todos) mas, mesmo assim querem comer as sandes (e olha que são de facto boas e baratas) porque raio há-de um senhor qualquer que nunca almoçou a mais de 500m do Terreiro do Paço decidir que ali não se cumprem as regras que ele entende serem as correctas e portanto "fecha o tasco"?
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De blogdaping a 17.01.2008 às 11:32

Que há cá na nossa tabanca uma quantidade de " BADALHOCOS " e afins, já cá se sabia....
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De David Silva a 18.01.2008 às 15:47

Também gosto de ir a alguns sítios que talvez não estejam dentro do que a lei exige. Mas nem todos são como eu. E a maioria, se apanhar alguma bactéria ou algo do género, será rápida a reclamar por condições de higiene, e que ninguém avisa de nada e porque é que deixam sítios assim estarem abertos, etc....

Não se pode ter tudo.
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De medida a 17.01.2008 às 12:10

Épá, coitaditos dos nossos empresários, pá! não façam mal a eles, pá! São como as crianças, pá! Não sabem o que fazem, pá! Castigar não, pá! tratem-nos com carinho, pá! Peguem-lhes ao colo, dêem-lhes chocolates e expliquem-lhes devagarinho e com calma as coisas, para não os traumatizarem, pá!

E deixem a malta comer sandes com estafilococos, pá! A gente quer comer merda e não nos deixam, pá! Fasciiiiistas!

Agora a sério, este país está a ficar engraçado. É silly season todo o ano ;)
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De Zeca Zarolho a 17.01.2008 às 14:00

Gangsta Rap

Não tens medo da vizinhança?
Nunca te degolaram ao virar da esquina?
Nunca te enfiaram lâminas pela retina?
Não te batiam quando eras criança?

E não tens medo da sociedade?
Nunca foste esventrado
em plena praça pública com um machado?
Nunca foste oprimido pela autoridade?

E não tens medo dos médicos?
juramentos à pressa de hipócrates?
que te anestesiem e envenenem com remédios?

Não tens medo do estado?
do Mário Lino, a ASAE, Loçã e o Sócrates?
Não tens medo de ao sabor da lei seres violado?


http://heteronimus.blogspot.com/2008/01/gangsta-rap.html

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