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Rei das três religiões

por DBH, em 15.02.08

 

A polémica sobre a possibilidade dos muçulmanos britânicos  seguirem a Sharia não é progressista. É, aliás, um dos poucos casos em que a Igreja de Inglaterra mostrou ser  tradicionalista.

 

Pelo menos para nós. Até ao Código Seabra, as vetustas Ordenações permitiam aos fiéis de outras "nações" (judeus, ciganos e mouros de castela) seguirem os seus preceitos e serem, por eles, julgados. Inquisition aside, enquanto foram aceites, na idade média, os não-cristãos tinham os seus privilégios (direitos) e a própria coroa de Leão se intitulava "Rei das Três Religiões".

 

Hoje, fala-se do futuro rei britânico se vir a intitular  pluralmente "Defender of the Faiths", em vez do actual e protestante "Defender of the Faith" - já de si irónico, já o título Fidei Defensor foi atribuido pelo Papa Leão X a Henrique VII depois deste reconhecer os sete sacramentos e a supremacia (mas, pelos vistos, não a presciência) papal - o que leva a pensar no caminho dos multiculturalismos...


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Cláudia a 15.02.2008 às 22:34

Convirá dizer, para que não se façam interpretações erróneas, algo que é mais que um pormenor: os monarcas medievos (falando mal e depressa) validaram e promoveram o cumprimento dos usos e costumes de mouros e judeus, sim, relativamente a questões cíveis, penais e sucessórias relativamente específicas; em casos sem precedentes ou em situações de apelação, valiam o monarca e o direito comum. O que quero dizer com isto? Que mesmo naquela remota época, em que a coabitação de diferentes era não menos complicada que agora, havia, num determinado território, um princípio legal último aplicável a todos. Assim sendo, não sei se se poderá chamar "tradicionalista" a posição suprareferida.

[Em caso de dúvida é possível consultar, por exemplo, as Ordenações Afonsinas, em particular o Livro II(http://www1.ci.uc.pt/ihti/proj/afonsinas/l2ind.htm)]

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