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Quanto pior, melhor

por Pedro Marques Lopes, em 06.03.08

Caro Francisco, apesar de não saber o que é a “direita do comentário”, vou acusar o toque.

Quer queiras, quer não, a escola pública, com todos os seus problemas foi um dos, senão o maior, caso de sucesso da democracia portuguesa. Foi, provavelmente, o maior fenómeno de coesão social da nossa comunidade.

Não concordo com o modelo global do sistema mas não me custa admitir estes factos.

Não sei onde tu e o Vasco Pulido Valente viram essa catástrofe das últimas décadas (presumo que pensas que antes “dessas” décadas as coisas estavam melhores...) cheias de deslegitimação dos professores, de cultura do bom selvagem, e dessa coisa a que chamas “ideia torpe de democraticidade”.

Devolvo-te o comentário: este rapaz tem 3 filhos, dois numa escola privada e um na pública. O da pública (com 18 anos) já conta um lamentável “chumbo”, recebo periodicamente relatórios sobre a sua performance e ausências das aulas e para te ser franco não encontro esse estado miserável de facilitismo que tu vês. Bem sei que o Vasco Pulido Valente e outros como ele lidam, como eu, diariamente com problemas escolares mas devemos ter, com certeza, experiencias diferentes.

A questão das faltas é aliás um argumento que francamente me espanta. Por um lado vejo criticas ao facilitismo das escolas, por outro vejo as mesmas pessoas berrarem a favor do “chumbo” por faltas. Mas existirá coisa mais fácil que chumbar um aluno por faltas sem sequer querer saber o que se passa? O que será melhor: deixar a escola que conhece a situação decidir ou permitir que uma lei cega decida uma carreira académica? Isso não é educar, é facilitar a tarefa a quem está numa escola como quem está num qualquer serviço que não lida com a construção do futuro do maior activo de uma comunidade.

Como em quase todos os sectores da sociedade portuguesa grassa, isso sim, uma falta de cultura do mérito, de ausência de avaliação, de desresponsabilização, de amiguismo e de facilitismo. Estes defeitos não são exclusivos, pelo contrário, do nosso sistema de educação. Isto acontece em todos os sectores da nossa comunidade e, é preciso dizê-lo, também na iniciativa privada.

Sustentar que não se deve avaliar os professores porque eles, supostamente, não avaliam os alunos é pior que uma mentira, é um contributo para deixar tudo como está. Pior, é um argumento que serve para destruir o que de bom há no nosso sistema escolar. A verdade é que quem avalia (e é isso que os professores fazem todos os dias) não é avaliado e isso sim é causador das maiores iniquidades.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Gabriel Silva a 06.03.2008 às 15:21

«este rapaz tem 3 filhos, dois numa escola privada e dois na pública»

laracha de oportundiade: , o Pedro contou as crianças pela mão do Menezes?
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De Pedro Marques Lopes a 06.03.2008 às 16:13

Tem razão Gabriel. Obrigado. Até a mim esse tipo já afecta
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De blogdaping a 06.03.2008 às 16:27

A opinião, é como o olho do cu, todos temos um !
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De zedeportugal a 06.03.2008 às 16:44

É lamentável esta mania dos portugueses - mesmo os que parecem mais inteligentes - opinarem sobre assuntos que conhecem mal, ou superficialmente.

Meu caro Pedro: os que praticam actividade docente, de qualquer tipo - professores, formadores, assistentes, educadores, conferencistas, etc. - estão permanentemente a ser avaliados. É inerente à actividade. A sua prestação é avaliada por aqueles a quem se dirige durante cada sessão ou aula formal, pelos seus pares em função dos resultados obtidos, por aqueles que o contratam de acordo com as capacidades demonstradas para atingir objectivos pré-definidos ou resolver problemas existentes.

Esta ideia estúpida que foi insidiosamente instalada nas mentes dos que julgam ter ideias próprias, mas que, afinal, se limitam a fazer suas as ideias sugeridas por não serem conhecedores dos assuntos em causa, é uma grande falácia formal, tornada um paralogismo por todos os que a repetem como se fosse uma verdade indiscutível.

Só mais uma coisa. Isso que está a pensar não é verdade: - Eu não sou professor.

Clarividente? Talvez...
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De David Silva a 08.03.2008 às 15:26

A escola não se interessa pelos que faltam?! Talvez tenha tido azar na pública do seu filho, mas isso não é assim.
O aluno chumba por faltas injustificadas, que só o são com alunos que nada se interessam pela sua "carreira", porque se os pais estiverem ao corrente, qualquer justificação assinada serve. Não é por aí que se complica a vida às pessoas, a não ser que essas pessoas não queiram viver numa sociedade com regras.

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