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Fumo-gate

por Francisco Mendes da Silva, em 14.05.08

Discordo do Francisco José Viegas (alguma vez tinha de ser). Posso estar enganado, mas parece que o Francisco se entedia com o que pensa ser mais uma manifestação da fúria anti-tabagista, no caso disparada contra o fumo de Sócrates no avião para Caracas.

 

Do que tenho lido, não se trata, nem do prolongamento das profeciais sanitárias que envolveram a lei do tabaco, nem de uma conversão dos seus opositores. A proibição do fumo em espaços fechados foi-nos vendida, não como uma ordenação social de relevância residual, mas como uma medida essencial de saúde pública - nuns termos, aliás, que fizeram com que a sua eventual rejeição parecesse o caminho para a auto-destruição da Humanidade. Ora, o que o comportamento do primeiro-ministro e da sua entourage provocam é que nos perguntemos se a lei que com tanta gravidade nos impuseram é verdadeiramente para ser aplicada ou se não passará, afinal, de uma proposta de vida do tipo religioso e, portanto, de letra-morta jurídica.

 

Não sei se é moralismo. Mas é, pelo menos, uma questão de moralidade política básica.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De PR a 14.05.2008 às 18:03

Com certeza que os meus argumentos são ideológicos. Se não o fossem, provavelmente nunca teria tido argumentos para contrariar a sua posição.

Quanto ao avião de Cavaco, concordo consigo. Se lá também se fuma, alguma coisa deveria ter sido dita. Mas aposto consigo que, se Cavaco tivesse fumado (coisa que não faz), isso teria sido notícia no Público. No entanto, não podemos comparar a importância mediática e a obrigação moral que é imposta ao Primeiro-Ministro com a importância mediatica e obrigação moral imposta aos membros da comitiva de Cavaco. Uma coisa é Sócrates fumar, outra coisa é um qualquer empresário fumar (ou seja, são igualmente graves - certamente - mas forçosamente diferentes do ponto de vista mediático).

Quanto ao uso do argumento de Hitler, lembre-se que ele foi um contra-argumento. E os contra-argumentos são tão mais fracos quanto os argumentos que pretendem destruir.

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