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special one

por Rui Castro, em 17.07.08

O primeiro-ministro, sr. José Sócrates, em comentário à revisão em baixa que o Banco de Portugal fez relativamente ao crescimento económico e outros indicadores, desculpou-se (mais uma vez) com a crise internacional. No fundo, optou por lavar as mãos, rejeitando toda e qualquer responsabilidade por tal facto. Afirmou ainda, com a arrogância que lhe é tão característica, que era impossível prever o rumo que a crise tomou. Em parte, não posso deixar de lhe dar razão; é evidente que um Governo incompetente como aquele a que o primeiro-ministro preside, apesar de com ele não se confundir (lembro a questão da isenção do IA para os veículos eléctricos), é incapaz de prever seja o que for. Só isso explica que, já este ano, em plena crise, Sócrates tenha aparecido a vangloriar-se da situação económica vivida em Portugal, anunciando uma baixa do IVA. O que Sócrates não explicou, desconheço se por ignorância ou má fé, foi a razão do FMI ter conseguido prever que o crescimento em Portugal seria bem inferior ao anunciado pelo Governo, aproximando-se dos valores agora anunciados pelo Banco de Portugal. Mais, com a maior das latas, Sócrates conseguiu ainda desqualificar todos aqueles que andam há meses a prever a subida do preço do petróleo, qualificando-os como "profetas da desgraça", quando, na realidade, devia ter posto a mão na consciência e assumido que ele próprio se tinha revelado incapaz de interpretar os sinais que os mercados vinham a dar há já bastante tempo. Alguém devia avisar o nosso primeiro-ministro que, para manter a postura arrogante que ele tanto preza, tem de haver um mínimo de competência, qualidade de que Sócrates e demais Governo objectivamente não beneficiam.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De António Leite a 23.07.2008 às 12:10

se isso é para defender o nosso Zé de S. Bento, lembro-lhe que uma das principais críticas dadas ao governo de Santana Lopes foi a de as previsões do orçamento para 2005 terem sido bastante inferiores às que foram divulgadas depois pelo FMI, BCE, entre outros, e do que se verificou realmente no fim desse ano (penso que o deficit foi de 6%)

Lembro também que talvez tenha havido uma certa instabilidade política, como um parlamento dissolvido, que penso que talvez influencie a economia

e que, embora tenha sido Bagão Félix a fazer o orçamento para 2005, nesse ano os ministros das finanças foram, sem dúvida, Campos e Cunha e Teixeira dos Santos, penso eu, do governo do Sr eng técnico Sócrates

de facto esta rapaziada diverte-me.quem é que em 2005 critica quem fez o orçamento, quando era sua a obrigação de o fazer cumprir e agora vem falar de moralidade e imprivisibilidade em relação à actual conjuntura económica e à incapacidade de o seu governo a prever?
quem é que, após subir o IVA, o vem descer para o nível em que ele estava antes de o subir, numa altura em que o buraco se está a afundar ainda mais, como se esta fosse uma medida sóbia e generosa?

se uma coisa falta a este governo, essa é a coerência.espero que os portugueses, para o ano, não perdoem erros para os quais não foram pedidas desculpas
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De edobasilio a 23.07.2008 às 13:49

Caro António Leite
Você começou mal. Rotulou-me de imediato como defensor de Sócrates. Logo, assunto arrumado, porque para si quem "defenda" Sócrates não não tem razão. Acaba pior, se não forem pedidas desculpas os portugueses devem votar noutros. Só faltou dizer em quem. Para pior já basta assim. É capaz de ter um desgosto, pois em todas as sondagens os tais portugueses continuam a dar uma maioria ao actual governo.
Mas não é isto que me interessa. O meu comentário ao post de Rui Castro era sobre previsões de aumento do preço de petróleo e sobre o que são previsões propriamente dito. É bom voltar atrás e confirmar. Ele, moita carrasco, respondeu-me sobre as previsões do FMI para 2008 e 2009, dizendo que tinham acertado. Mas como acertaram se os factos sobre os quais form feitas previsões ainda não ocorreram, ou seja os anos 2008 e 2009. No final de 2008 e 2009, então sim saberemos se foram acertadas. Até lá são previsões. Cada um tem as suas. O que também não interessa muito. O importante são os resultados. Só os irresponsáveis farão previsões irrealistas, ou seja não condizentes com os dados reais conhecidos. Porque sabem que não vão ser eles a executá-los. Aliás foi o que aconteceu com o (des)governo de Santana Lopes. O orçamento foi executado com base em pressupostos que já estavam errados naquele momento. Se alguma dúvida existisse, a realidade veio exactamente demonstrá-lo. Não estou numa de partidarite, mas sim numa discussão séria com argumentos técnicos.

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