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eufemismos à parte

por Rui Castro, em 16.09.08

Não alinho na tese que defende que a actual crise representa a falência do capitalismo. E não me parece que o Rodrigo o tenha dito. Mais do que demagógica, tem atrás de si objectivos ideológicos evidentes que recuso aceitar. Posto isto, acho no mínimo de mau gosto que haja quem pretenda atribuir à actual crise um efeito regenerador, visando sustentar a teoria do mercado livre e sem necessidade de regulação. A pantomina tem limites.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De CN a 16.09.2008 às 12:39

"acho no mínimo de mau gosto que haja quem pretenda atribuir à actual crise um efeito regenerador, visando sustentar a teoria do mercado livre e sem necessidade de regulação. A pantomina tem limites."

A realidade nua e crua tende a ter mau gosto nestas coisas.

Deixe-me dizer outra com mau gosto:

As recessões são a cura não a doença.

A doença foi a expansão artificial induzida pelo socialismo monetário.
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De Henrique Burnay a 16.09.2008 às 13:59

Rui, sim, em termos genéricos podemos dizer que eu acho que a economia liberal é capitalista. E, já agora, se tu ou o Rodrigo me conseguirem mostrar que o sistema financeiro era auto-regulado, e não mal regulado, com más opções etc.., isso ajudava à vossa tese.
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De Rui Castro a 16.09.2008 às 14:25

Henrique, o que eu perguntei foi se o capitalismo era necessariamente sinónimo de liberalismo. Ninguém põe em causa que a economia liberal é capitalista. Como em tudo, há que separar o trigo do joio. No caso, o que me parece evidente é que o mercado é incapaz de auto regulação e que a (pouca) regulação das entidades financeiras norte-americanas falhou. O resultado está à vista. Queres convencer-me de que o grau de especulação a que se chegou seria possível se por acaso, como acontece em muitos países europeus - a quem recuso o epíteto de socialistas por que efectivamente o não são-, a regulação tivesse sido eficaz, penalizando quem usou e abusou do facto do mercado ser tendencialmente livre? Ou será que temos de radicalizar posições, de forma a que, quem como eu, não partilha do liberalismo radical, passa a ser automaticamente socialista?
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De CN a 16.09.2008 às 14:52

Regular aqui seria o quê?

-Impedir os Bancos de conceder tanto (e tanto é o quê?) crédito à habitação?
-Aumentar os spreads por decreto governamental?
- Impôr que os Bancos só podem financiar 70% do valor das casas?
What?

Quanto ao caso Europeu, o que se pode dizer é que as perdas estão mais ocultas que no caso Americano, o que faz com que a reacção seja mais rápida.

Mas..

...em que seja por instinto sabemos é que nas bolhas existe dinheiro a mais e fácil.

Isso sim, é preciso restringir e é culpa única dos Bancos Centrais (por mim, era acabar com eles).
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De CN a 16.09.2008 às 14:53

"o que faz com que a reacção seja mais rápida." ... no caso americano.
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De Bruno - Planetas a 16.09.2008 às 14:41

O Capitalismo é uma treta!

http://planetaspolitik.blogspot.com/2008/09/treta-do-capitalismo.html
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De Rodrigo Adão da Fonseca a 16.09.2008 às 15:03

Rui,

"No caso, o que me parece evidente é que o mercado é incapaz de auto regulação e que a (pouca) regulação das entidades financeiras norte-americanas falhou. O resultado está à vista."

Pouca regulação, nos EUA? Parece é que há excesso de regulação, que impede que se concentrem esforços onde eles são mais necessários: na gestão dos conflitos de interesse, e na limitação da ganância. Aganância só pode ser moderada com o risco de falência. Os conflitos de interesse já podem ser alterados, mas nunca com mais regulação, mas eventualmente com uma regulação menos preocupada com fetiches burocráticos.

Talvez o problema é que há actividades que pela sua natureza não são monitoráveis do exterior. A Lehman era um pooço de derivados e produtos estruturados, que despertou a ganância dos investidores - ainda o ano passado apresentou lucros recorde. Faliu? É a vida. Morreu pela ganância. Pode o Rui Castro explicar-nos como é que se "regulam" certas actividades, que não pelo risco de falência?
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De António de Almeida a 16.09.2008 às 15:27

-Quando uma empresa inscreve um budget , e a administração alcança e ultrapassa o objectivo, é incentivada pelos accionistas a melhorar ainda a perfomance , corre riscos, se estivermos a falar de venda de dinheiro, emprestando sem garantias, a baixo spread , acontece o quê?
-Se o sr . Manuel da loja da esquina, factura digamos 1000 Euros por mês, com os quais obtém um lucro de 100, desata a conceder crédito para atingir uma facturação de 10.000 Euros, esperando 1000 Euros de lucro, não se terá esquecido que existia o risco de algum do crédito concedido poder não ser recuperável? E pior, que para facturar os 9000 a mais, tinha ele próprio de recorrer ao crédito? A falha terá sido do capitalismo? Do liberalismo que não atendeu a falta de capacidade de gestão do sr . Manuel? Ou da ganância deste?
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De Henrique Burnay a 16.09.2008 às 15:31

Rui,
Para teres uma ideia, muitos hedge funds saíram dos EUA e mudaram-se para a Europa (é certo que antes de mais para o RU) exactamente porque a actividade era muito regulada (nomeadamente por razões de segurança). IOsto é só paradizer que nem sempre as ideias feitas correspondem à realidade. Mas, para resumirmos a discussão, a divergência é simples: eu não concebo um sistema capitalista onde não exista o risco da falência. E não acho que a falência tenha uma função da salvar credores etc etc. Isso é a função da regulação do regime da falência. A falência tem uma função económica. Dura, no imediato; criadora no longo prazo. Já agora, espreita o FT e verás que ontem, à porta do Lehman Brothers havia empresas a pedir CVs aos recém desempregados.
Quanto ao resto, convence-me que o mercado financeiro norte-americano é desregulado. Foi isso que disseram, tu e o Rodrigo, que era o fim do mito da auto-regulação. Auto-regulação dos mercados financeiros? Só se for a falência.
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De Bruno - Planetas a 16.09.2008 às 16:36

Henrique Burnay a questão não conveniência ou não de regulação, mas sim do preço que acabamos por pagar pela má gestão de uma instituição privada.
Fez mau negócio, Faliu, como qualquer outro negócio de esquina, o problema é que os BC desatam a injectar dinheiro uns nos outros e a factura é sempre dos mesmos! Vide aumento de juros
http://planetaspolitik.blogspot.com/2008/09/crisepaga-o-senhor.html

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