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A liberdade de voto concedida com base no argumento de que a matéria em discussão é uma "questão de consciência" levante problemas curiosos. No nosso sistema eleitoral, em que se vota numa lista e não numa cabeça (ou numa consciência), é difícil para o eleitor decidir como votar tendo em conta as ditas questões de consciência (também conhecidas por causas fracturantes). Poderá, quanto muito, fazer uma média ponderada da soma das consciências de cada lista para decidir sobre qual a que mais se aproxima daquilo que dita a sua (do eleitor) consciência. Mas mesmo isso é complicado, já que, em regra, nem a cara de 90% dos membros da lista se conhece, quanto mais o que vai na sua cabeça.

 

Assim, ou a questão do casamento de homossexuais é "uma questão de consciência", e então - estou com o João Miranda - deve ser a consciência do eleitor a prevalecer (e a forma apropriada é o referendo); ou, tratando-se de uma questão política – como eu julgo que se trata – pouco interessa o que o deputado X ou Y pensam lá em casa, mas sim o compromisso político que foi assumido com os eleitores. Se bem me lembro, ninguém mandatou os deputados do PSD para aprovarem qualquer solução de casamento homossexual. Antes pelo contrário, durante a campanha para as eleições que elegeram estes deputados, a posição expressa pelo PSD foi a de que votaria contra uma alteração do casamento que fosse nesse sentido.

 

Conviria não transformar a putativa "questão de consciência" num pretexto para enganar o eleitor.