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tenho sempre que explicar tudo III

por Rodrigo Moita de Deus, em 06.10.08

137. 137 euros é o preço médio do cabaz de manuais escolares obrigatórios que continua a incluir o infame manual teórico de educação física. 100.000. É o número de professores que em Março deste ano sairam à rua porque recusavam ser avaliados.  


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Daniela Major a 06.10.2008 às 21:10

Sr. Moita de Deus, com todo o respeito que tenho por si e por este blogue, penso que estes posts são desnecessários. A sua posição em relação a este asssunto já ficou bem esclarecida no texto que escreveu no blogue do PSD, e as pessoas reagiram da maneira como o senhor, que é inteligente, certamente esperava que reagissem. Estar-se a "explicar" ou seja qual for a finalidade destes posts, é absurdo.

É óbvio que alguém, aluno ou professor, que esteja dentro de uma escola, que trabalhe lá, reconheça os problemas da escola muito melhor do que uma pessoa que não é nem professor nem aluno e que a única coisa que vê são as estatisticas. Ou seja, alguém de fora. Não sei se o senhor é pai, e se é não sei se vai a reuniões de pais mas mesmo assim estas reuniões não chegam. Os pais estão interessados nas notas dos filhos e não necessariamente no que os rodeia em termos de professores e escola em si. Até porque, pelo menos, até há bem pouco tempo, muito pais pensavam com o Rodrigo.

Alguém que trabalha num banco sabe reconhecer os problemas do banco muito melhor do que alguém de fora, tal como alguém que trabalha numa empresa sabe reconhecer os problemas dessa empresa.
O Paulo Guinot que ao que parece é professor, eu que sou aluna, e muitos outros que comentaram o seu post e que continuam a comentar tem certamente mais experiência no que toca à escola do que o senhor.

Eu dou lhe razão em certos pontos, mas é óbvio para qualquer pessoa que frequente assiduamente e que esteja a par dos procedimentos de uma escola pública, que o senhor não tem conhecimento de causa no que toca a certas matérias.

A escola portuguesa não é perfeita. Os professores não são perfeitos. E os alunos muito menos. E então os políticos nem se fala. Todos tem um pouco de culpa. Mas garanto-lhe que os professores não são aqueles que mais a têm. Se calhar, os pais dos alunos e por consequencia os próprias alunos, até tem mais culpa do que os próprios professores. Porque primeiro há que mudar as mentalidades e há que renovar as prioridades.
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De Rodrigo Moita de Deus a 06.10.2008 às 23:30

Cara Daniela,

Nunca disse que só há maus professores. Nem nunca disse que a responsabilidade era exclusivamente deles. O que disse, e repito, é que os professores são os primeiros responsáveis pela qualidade do ensino em Portugal. Tal coisa parece-me elementar.

É claro que imaginava a reacção. Disse que os professores eram corporativos e a corporação respondeu-me em coro que não.

Tem razão quando diz que não tenho docência para falar do assunto. Mas ao contrário do que diz a falta de docência dá-me autoridade acrescida para falar. O sistema não funciona e é remunerado com o meu dinheiro. O sistema não funciona e eu tenho três filhos para educar.

Cordialmente,

RMD
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De am a 07.10.2008 às 08:47

Os professores são os primeiros responsáveis porquê? Só descortino uma explicação: deviam recusar-se a serem professores sem terem autonomia e condições materiais para ensinarem bem? Deviam preferir o desemprego?
Se é pai de futuros alunos do ensino estatal, sabe o que tem de fazer. É exigir ao Ministério da Educação que dê aos professores as condições que forem necessárias para ensinarem bem - autonomia para organizar a escola e ensinar, escolas com boas salas de aula, bons equipamentos, meios educativos auxiliares e gabinetes. Ou julga que nas escolas os professores têm computadores e livros e papel e lápis e uma cadeira decente e uma secretária e um armário e um gabinete? Sabe a MERDA que é uma escola portuguesa?
Não tente refugiar-se na ambiguidade do seu discurso pouco ambíguo. Quer queira, quer não queira criticou os professores como se os professores não tivessem o direito de reclamar sempre condições profissionais cada vez mais confortáveis. Como se os professores devessem aceitar quaisquer condições e, por alguma ética republicana ou missionária ou otária, darem mais do que o litro.
E os professores não são corporativos. Para ser corporativo é preciso saber ser corporativo. Quem defende o acesso livre à profissão e o excesso de profissionais não é corporativo. Quem deixa que se tenha a impressão - que até é falsa - de trabalhar pouco e recusar toda e qualquer avaliação não é corporativo.
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De Rodrigo Moita de Deus a 07.10.2008 às 12:53

Caro am,

Os professores são os primeiros responsáveis porque: dão aulas. Tal como o engenheiro é responsável pela estrutura de um edifício e o canalizador pela sua canalização. Tão simples quanto isso. E são responsáveis para o bom e para o mau. Custa assim tanto admitir esta evidência?
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De am a 07.10.2008 às 13:09

Sim, dito dessa forma, sim. É a mesma responsabilidade que tem o condutor que está estacionado, quando vem outro que o atira contra um terceiro. Não devia estar lá? É como os professores, não deviam estar lá? Se eu for professor de Matemática e me mandarem substituir o professor de Religião Católica, qual é a minha responsabilidade? E se na aula de Matemática do 11º Ano apanhar alunos que não sabem a Matemática do 10º Ano, a minha responsabilidade é qual? E se na aula de Física em que os alunos deviam trabalhar com aplicações de computador não houver computadores, a minha responsabilidade é qual? Os professores têm a responsabilidade do que depende deles. E o que depende deles, isso o senhor não sabe, não é obrigado a saber, mas podia informar-se, é muito pouco e cada vez menos.

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