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Canal para memória futura: o tempo dos Rodrigos

por Henrique Burnay, em 09.10.08

Nos próximos tempos vão aparecer vários Rodrigos. Rapaziada dita de Direita que se orgulha na companhia das opiniões económicas do Dr. Soares e outros altermundialistas e que promove a tese de que o capitalismo desregulado (em breve também vão chamar-lhe selvagem) trouxe a miséria ao Mundo. O detalhe de a banca não ser exactamente o sector mais desregulado e de a História desta crise estar por escrever não os comoverá. Discutir se esta é uma crise financeira gerada por uma crise económica ou o contrário não lhes interessa. Saber se o mal começou quando se quis que a banca fizesse de Estado e assumisse as políticas públicas dos governos ou se foi apenas a ganância, ou tudo isso e muito mais, não é tema que lhes aguce o espírito. O entusiasmo pelo potencial que abre esta intervenção do Estado é maior que tudo. Uns, porque não gostam muito da liberdade como valor fundamental; outros, porque olham sempre com fascínio para o Estado. Os Rodrigos, se acreditassem nas virtudes da liberdade económica, da economia de mercado e da iniciativa privada, estavam agora muiot mais tristes e preocupados que toda a esquerda junta, a procurar explicações e, sobretudo, empenhados em defender os princípios de um modelo económico que trouxe décadas de prosperidade. Mais tarde vamos lamentar tanto acordo com os detractores do mercado. Por agora, é popular ser contra os mercados. Façam boa viagem. 

 

Mesmo perante a ruína de toda a banca (com imagens cinematógráficas para acompanhar), continuarei a acreditar que a economia se faz de iniciativa privada e liberdade, da ganância e da ambição e de tão pouco Estado quanto possível, a quem cabem outras missões. E isso afasta-me irremediavelmente do Dr. Soares e dos seus amigos. Prefiro outras companhias.     
 


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De al kantara a 09.10.2008 às 09:40

Caro Henrique, não se fique pelo Friedman. Por ser boa companhia, dê recomendações ao Milken, esse grande inventor da junk bond que elevou à categoria de título o bilhete premiado do velho conto do vigário...
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De João Pedro Marques a 09.10.2008 às 11:55

Não seja tonto, Henrique. Misturar os rodrigos com a esquerda é uma táctica idiota que não leva a nada. Há uma esquerda que é contra o mercado e a favor de um Estado totalitário, e há os rodrigos (que não são de esquerda), que são a favor do mercado, mas entendem que o estado tem que ser forte e ter poder para intervir se necessário.

Admita que há direitas diferentes da sua, e que podem até ter alguma razão. Não use a técnica bloquista de atirar essas direitas para guetos que o sr. cria na sua mente fantasiosa, apesar de bem inttencionada.

Com liberais destes, de facto, não vamos longe
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De Henrique Burnay a 09.10.2008 às 12:24

João Pedro Marques, foi o Rodrigo, nos posts que escreveu, que escolheu a companhia de Soares. Não foi imposição nem invenção minha. Claro que há imensas direitas, e algumas até bem mais liberais que a minha. E outras menos, mas mesmo assim defensoras do mercado. Mas quem busca a companhia da eloquência económica soarista destes últimos tempos dificilmente está do lado de cá da discussão. Simples. E se não percebe que vai surgir um discurso anti-mercado generalizado, e que vai ter apoio à direita, bom, não o posso ajudar.
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De João Pedro Marques a 09.10.2008 às 12:53

Henrique, a direita que numa altura destas assumir uma posição completamente acritica do mercado está a ajudar a esquerda e os soares deste mundo. A direita deve ser firme a defender o mercado, mas intransigente com os seus devarios. Caso contrário, vai ficar a falar para o boneco. Isto não é assunto para ficarmos atrás da nossa trincheira agarrados aos nossos princípios (que, aliás, julgo eu, não são contrários à existência de um papel do estado como regulador)
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De Henrique Burnay a 09.10.2008 às 13:26

Caro João Pedro, ninguém (pelo menos eu) tme uma posição em geral acrítica do mercado. E menos ainda dos gestores destas instituições. Portanto, nada de ficar atrás das trincheiras, agarrado aos princípios. Mas também não quero ser arrastado para um campo de batalha onde a própria ideia de mercado é o alvo. É aqui que está a necessidade de traçar a fronteira e defender os princípios que achamos válidos. Agora mais ainda.
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De hugo a 09.10.2008 às 13:33

henrique burnay não se olvide que também está na companhia da esquerda mais marxista que preferia deixar tudo isto ruir. Este jogo de associações desonestas até poria bin laden e bush a dormir na mesma cama.
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De Henrique Burnay a 09.10.2008 às 13:46

Hugo, não. Não é isso que escrevi. E o Hugo sabe isso muito bem. Pela terceira (e última vez) não fui eu que os associei. Insistir nisso é... disparate.

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