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o imenso poder da Igreja

por Rodrigo Moita de Deus, em 10.10.08

“(…) mesmo admitindo que mensagem da Igreja Católica é coerente com os seus princípios, isso nada nos diz sobre a sua responsabilidade na propagação do flagelo da SIDA. É preciso não esquecer que a responsabilidade também se aplica à inacção.”

João Galamba no 5 dias

 

Não me queria meter na conversa…mas o João Galamba está a ignorar um pequeníssimo pormenor. A toda-poderosa Igreja Católica Apostólica Romana, com os seus 2000 anos de escola e organização tentacular advoga fervorosamente, a milhões e milhões de crentes, em todo o mundo, as relações monogâmicas exclusivas e a santidade do matrimónio. Ao fazê-lo, e pela mesma ordem de ideias sobre a sua capacidade de influência, contribui mais para o combate ao vírus da SIDA que todas as campanhas e todas as organizações internacionais somadas. Vá João. O senhor Cardeal Patriarca aceita um pedido de desculpas.   

 


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Anónimo a 10.10.2008 às 15:36

Ao génio ali em baixo: quem é que disse que o Rodrigo "discorda dos homossexuais" e o que é isso de "discordar dos homossexuais"?

Pedro
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De Anónimo a 10.10.2008 às 15:56

RMD, se você próprio diz que já ninguém se quer casar e que os casamentos são uma treta, para convencer os gays a não entrarem nesse buracc, acha que ainda tem sentido que a Igreja fale na santidade no matrimónio e coisas assim? A Igreja não age; A Igreja tem rituais e princípios celestiais.
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De Rodrigo Moita de Deus a 10.10.2008 às 16:53

Eu não estava a fazer um juízo. Estava a constatar.
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De Anónimo a 10.10.2008 às 17:09

Eu não disse o contrário. E acho que a sua constatação é errada, mas pronto.
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De Rodrigo Moita de Deus a 10.10.2008 às 17:11

Você acha que eu estou errado porque parte do princípio que eu concordo com a igreja relativamente à santidade do matrimónio. Coisa que não está no texto.
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De Anónimo a 10.10.2008 às 17:35

Há aqui um problema de comunicação e a culpa é minha, concerteza. Eu pensava que se referia à questão da crise e inutilidade do casamento. Quanto ao resto, acredito que não acredite na santidade do casamento. Poucos acreditam, aliás.
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De Joao Galamba a 10.10.2008 às 16:39

Rodrigo,

o teu argumento é falacioso porque pressupõe que advogar o celibato é eficaz. Nao é. Mas o ponto realmente importante é: será que se a Igreja Católica defendesse o uso (em casos limite e cheios de advertências) estaria a ser mais responsável? eu acho que sim. vocês acham que não. eu prefiro ser responsável perante a vida e as pessoas do que perante um dogma intolerante, insensível e cego.

Responde-me a isto: perante quem/o quê responde a Igreja? Um Ortodoxo diria: perante os seus dogmas (não pode dizer a sua tradição porque esta não é imutável) ou a verdade revelada. Na minha opinião isto não passa de uma enorme irresponsabilidade.

A Hanah Arendt escreveu a sua tese de doutoramento sobre o Amor Santo Agostinho. O problema de Arendt era o de que ele não amava as pessoas directamente mas apenas mediada por uma verdade divina. E isto só pode ter uma consequência: esquecemo-nos da vida e dos homens, os únicos que verdadeiramente merecem ser amados.
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De Jaquim a 10.10.2008 às 17:04

O João Galamba é parvo
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De Rodrigo Moita de Deus a 10.10.2008 às 17:09

João,
Eu não percebo muito dessas coisas mas tenho a vaga ideia que celibato é diferente de relação monogamica. Digo eu. E se assim for o argumento não só continua a ser válido como não tem nada de falacioso.

De resto, se considerares o sexo com múltiplos parceiros enquanto comportamento de risco – como faz a Organização Mundial de Saúde – tens mesmo que pedir desculpas ao Cardeal Patriarca.
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De Ana Matos Pires a 10.10.2008 às 17:22

Rodrigo,
Importa-se de me mostrar onde é que a OMS diz isso?
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De Rodrigo Moita de Deus a 10.10.2008 às 17:30

ana, como podes imaginar já tinha os links preparados. mas tenho aqui um especialmente para ti: http://www.mac.min-saude.pt/clinica/doencastsex.html
para quem gosta de citar a maternidade...
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De Ana Matos Pires a 10.10.2008 às 20:40

A OMS, Rodrigo.

Quanto ao link... qualquer tipo de contacto sexual é um risco porque, em rigor, todos desconhecemos os hábitos sexuais do(a) parceiro(a).

Ps1: má escolha, este link, mau serviço informativo, como se prova:
"Como prevenir?
A chave para a prevenção a nível da população em geral destas doenças é o diagnóstico e tratamento eficazes, juntamente com a avaliação, tratamento e aconselhamento dos parceiros sexuais.
Falar com o parceiro sobre as DTS pode ser difícil, no entanto é a única forma de parar o alastramento da infecção e de impedir que você se volte a re-infectar."
(...)
O que posso fazer para diminuir o risco de infecção?
Usar preservativo durante as relações sexuais; coito, sexo oral ou sexo anal. Este deve ser colocado antes do coito. Durante o sexo oral o preservativo pode ser cortado ao meio e colocado sobre a vulva."

Diminuir o risco de uma qualquer doença - através da vacinação, p. ex. - é prevenir a doença, tudo o resto ultrapassa os cuidados primários de saúde.

Ps1: atenção ao uso da expressão "comportamentos de risco", ela tem um significado preciso em epidemiologia da saúde.

Ps2: de onde vem essa de eu gostar de citar a maternidade?
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De Jacinto Bettencourt a 10.10.2008 às 17:46

«Estarei em risco?
Se nunca teve relações sexuais ou se mantem uma relação monogâmica com o seu parceiro o seu risco é virtualmente nulo».

Bis dat, qui cito dat...
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De Hugo Pinto Abreu a 10.10.2008 às 18:11

"Responde-me a isto: perante quem/o quê responde a Igreja?"

A Igreja é perfeita, logo, não 'responde' no sentido em que você lhe está a dar a ninguém. Pedro, ou seja, o Papa, e os homens que o auxiliam, não podem ir contra a Tradição nem os Dogmas. Embora a Tradição não seja imutável, pelo contrário, está sempre em desenvolvimento, ela não se pode contradizer a si mesma de forma alguma.

Meu caro, o primeiro Mandamento é: "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração,
com toda a tua alma e com todas as tuas forças".

Todo o homem tem que Amar primeiro a Deus e Sua Justiça para ser capaz de amar os outros e a si mesmo. Você se não conhece Deus, não pode conhecer o amor, e logo, é incapaz de amar plenamente.
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De al kantara a 10.10.2008 às 18:33

Caro Pinto Abreu, agradecia-lhe que não fosse tão peremptório em passar esse atestado de incapacidade de amar plenamente a quem não conhece deus e o seu amor, como é o meu caso. É que a atitude de arrogante certeza com que diz essas coisas, para além de assente apenas em dogma bem aprendido e bem papagueado, faz lembrar personagens que reivindicam o conhecimento de deus e do seu amor numa perspectiva que já não faz sentido numa sociedade plural em termos de crenças ideológicas e religiosas. E depois, não se coaduna muito com a humildade cristã...
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De Hugo Pinto Abreu a 10.10.2008 às 20:52

"personagens que reivindicam o conhecimento de deus e do seu amor numa perspectiva que já não faz sentido numa sociedade plural em termos de crenças ideológicas e religiosas."

Pense comigo: assuma por um só segundo que a Fé Católica é verdadeira. Porque havia o princípio de que só conhece totalmente o amor de Deus quem se aproxima e comunga o próprio Deus mudar porque a sociedade é "plural em termos de crenças ideológicas e religiosas"?
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De al kantara a 10.10.2008 às 21:27

Sobre o "princípio de que só conhece totalmente o amor de Deus quem se aproxima e comunga o próprio Deus" não tenho nada a opôr, parece-me até uma evidência. Só que no seu post anterior postulou que só o conhecimento do amor de Deus permite ao Homem amar plenamente os outros e a si mesmo, sendo o desconhecimento de Deus condenatório ao desconhecimento do amor. É essa conclusão que contesto absolutamente por experiência própria...

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