Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




era exactamente aqui que eu queria chegar

por Rodrigo Moita de Deus, em 11.10.08

João Miranda diz que houve uma filosofia estatista na regulação dos mercados. Claro que sim. O próprio conceito de regulação dos mercados implica uma “filosofia estatista”. Mas o João Miranda conclui que foi essa filosofia estatista que provocou a crise. Pois.

 

Vamos por partes. As autoridades nacionais foram completamente incapazes de regular um mercado global. Foram incapazes de acompanhar a evolução dos próprios mecanismos de funcionamento do mercado. O carry trade é um óptimo exemplo disso mesmo. A regulação ficou-se – como o próprio João Miranda o disse – pela última grande crise. 

 

Ficamos com a regulação que de facto existe. E essa não funcionou. Não funcionou porque, utilizando o mesmo exemplo, durante anos o Presidente do BCP foi mais importante que o Presidente do Banco de Portugal. Que é como quem diz: faltou autoridade ao Estado.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

Imagem de perfil

De António de Almeida a 11.10.2008 às 11:40

-Ao capitalismo chinês não falta autoridade de estado, mas prefiro sinceramente a liberdade. O mercado já é regulado, prova disso mesmo os depósitos dos clientes estão garantidos, mas não os fundos de investimento de risco, porque são isso mesmo, de risco. Quem quer produtos seguros opta pelo depósito a prazo, mas a remuneração não é atractiva, também não se pode ter sol na eira e chuva no nabal. As empresas que tomaram uma gestão demasiado arriscada deveriam ter falido, outras tomariam o seu lugar, por vezes até adquirindo as que estão em dificuldades, como já assistimos na presente crise. Não é injectando dinheiro em enormes quantidades que se restitui a confiança, essa não se compra nem se vende, está associada à liberdade, viu-se uma semana após a aprovação do plano Paulson, as bolsas registaram as maiores quedas dos últimos 30 anos, porquê? Ninguém empresta dinheiro sem confiança, a intervençaõ governamental retira essa mesma confiança, resultado, maior injecção de capital(?), nacionalizações(?), socialismo(?), já vimos o final desse filme, queremos mesmo um remake?
Sem imagem de perfil

De Gabriel Silva a 11.10.2008 às 14:58

Isto é muito bom:

«As autoridades nacionais foram completamente incapazes de regular um mercado global.»

portanto, recorra-se ás autoridades nacionais para regular o mercado global. Gosto. Tem coerência e lógica.....

«durante anos o Presidente do BCP foi mais importante que o Presidente do Banco de Portugal.»

A Sonae mais importante que Autoridade da Concorrência. O Expresso e a SIC mais importantes que a ERC. A EDP mais importante que a ERSE. O Benfica mais importante que a Comissão Disciplinar.
Parece-me bem. Parece-me mesmo saudável que as empresas sejam mais relevantes que os reguladores (caso contrário estes não existiram e seriam operadores públicos, como nos «bons velhos tempos»).

«faltou autoridade ao Estado.»
Se faltou, parece evidente ser responsabilidade do estado. Pelo que é curioso a defesa de «mais» autoridade para o Estado. É assim a modos de que uma fezada: agora é que vai ser.
Imagem de perfil

De Rodrigo Moita de Deus a 12.10.2008 às 04:03

"portanto, recorra-se ás autoridades nacionais para regular o mercado global. Gosto. Tem coerência e lógica....."

hummmm. não me lembro de ter escrito isto.

"A Sonae mais importante que Autoridade da Concorrência. O Expresso e a SIC mais importantes que a ERC. A EDP mais importante que a ERSE."

A Brisa mais importante que a Autoridade da Concorrência (quando comprou a Autoestradas do Atlântico mesmo com parecer contrário da AdC). A EDP mais importante que a ERSE (quando obrigou o único concorrente na distribuição, a Sodesa, a fechar portas sem que alguém se tivesse queixado).

E por aí fora. A questão não é a relevância. A questão é autoridade.
Sem imagem de perfil

De Helder a 11.10.2008 às 23:11

Rodrigo pá tens que vir fazer uma pós graduação à L.M.B.S . :-) aprendias o que te explicaram o JM e o Gabriel sem espinhas e, de caminho, aqui perto na Roberto Ivens fica o Mal-Criado ". O peixe grelhado é bom sim senhor mas, se não gostares, está logo ali a Marisqueira dos Pobres. Essa é fraquinha, mais vale a Tasca do Godinho com as "lambretas". Cumprimentos. Pá.
Imagem de perfil

De Rodrigo Moita de Deus a 12.10.2008 às 04:04

Helder,

parece-me que as notícias destes últimos dias já fizeram um mark to market aos "ensinamentos" do JM e do Gabriel.

Comentar post