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A beleza da simplicidade

por Sofia Bragança Buchholz, em 27.10.08

Paris

 

Tenho sempre tendência para gostar dos filmes que a critica nacional da especialidade não gosta. Paris, o último filme de Cédric Klapisch (realizador de “A Residência Espanhola” e “As Bonecas Russas”), é mais um desses casos.

Ele relembra-nos como as coisas simples podem ser belas; como as coisas comuns têm encanto; como é preciosa a vida – facto que tantas vezes, com as preocupações e aborrecimentos do dia-a-dia, nos esquecemos.
Pierre é um jovem bailarino que sabe que está doente. Precisa de um transplante cardíaco que lhe dará 60% de hipóteses de sobreviver. 40% de probabilidades de morrer fazem-no ver a vida de outra maneira, olhar – literalmente – a vida à sua volta com outros olhos. Literalmente, porque é do seu apartamento, num último andar de um prédio de Paris, que ele observa a existência dos outros, que o realizador nos vai dando a conhecer num cruzar de acasos: do pragmático professor universitário em crise existencial que se apaixona pela aluna que mora de fronte de Pierre; do ex-companheiro da fruteira do bairro com quem a irmã de Pierre se vem a envolver; do refugiado cujo irmão é utente dos serviços desta, a narrativa vai-se desenrolando numa teia repleta de sentido de humor, com o lindíssimo pano de fundo que é a Cidade da Luz.

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comentários

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De Rodrigo Adão da Fonseca a 28.10.2008 às 00:36

Sofia,

Não sei se gostei do filme ou se o detestei. Há partes que claramente gostei, outras em que quase adormeci. Mixed feelings:)

Gostei do professor - a dada fase, fez-me lembrar Marcelo Rebelo de Sousa, o que tornou cada cena seguinte ainda mais hilariante - e gostei da crítica subtil ao assistencialismo social de pacotilha. Gostei ainda da abordagem ao problema dos imigrantes ilegais do Magrebe, e da dona da padaria (que poderia escrever no 31 da Armada).

Não gostei da primeira meia hora do filme, nem do mau gosto de uma das francesas "chic's" que, "para dar azo à sua imaginação", foge para o meio de um frigorífico cheio de carne crua.

A Binoche não faz o meu género; gostei do actor que faz de seu irmão, e do professor "Marcelo" - o melhor actor do filme inteiro. A aluna tem um certo "je ne sais quoi", mas falta-lhe "quelque chose".

Pensando bem, gostei do filme. Agora, vou nanar...
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De Sofia Bragança Buchholz a 28.10.2008 às 03:24

Rodrigo,

Também associei logo o professor de história ao Marcelo Rebelo de Sousa (têm expressões parecidíssimas) o que, de facto, tornou tudo à volta desta personagem mais divertido.
E também gostei muito da dona da padaria, embora não a quisesse a escrever aqui, pelo 31 da Armada chiça , que chata! ;-)).
Gostei do sonho do irmão do professor de história; e da vista do seu apartamento e do, do bailarino; e da cunhada do refugiado; e da empregada da padaria; e da cena no psiquiatra, mas sou suspeita porque, como disse, gostei do filme. A única coisa que acho que era dispensável é a existência das três personagens da passagem de modelos que não acho que acrescentem nada ao filme.

Um beijinho

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