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Let`s Talk [seriously] about sex

por Sofia Bragança Buchholz, em 09.11.08

 

 © Foto: ?
 
Tenho por hábito, depois de uma certa hora, aterrar em cima da cama e ficar a ver os programas que me impingem na Sic Mulher. Aquilo é como um folhear de “Holas” e “Caras”, uma massagem capilar no cabeleireiro, um banho de sol: descontrai, relaxa, deixa-nos o cérebro vazio das preocupações do dia.
Papo tudo, desde a Oprah à Tyra Ebanks, de uma tal de Janice Dickinson, histérica e malcriada que tem uma agência de modelos, até uma série com uma miúda que morreu e que tira almas em part-time.
No outro dia surpreendeu-me, contudo, um programa sobre sexo, uma espécie daquele que passou há tempos na TVI (“AB Sexo”), só que, em vez de uma bela e sensual Marta Crawford, com uma velhinha caquéctica.
Ao que parece a senhora chama-se Sue Johanson e é uma conhecida e conceituada enfermeira canadiana dedicada à educação sexual. O programa – Talk Sex with Sue Johanson – consiste em chamadas telefónicas por parte dos telespectadores, cujas dúvidas a dita senhora esclarece. Depois do seu sucesso no Canadá o programa transferiu-se para outros países, nomeadamente, para os Estados Unidos e é aclamado pelos americanos.
Aquilo chocou-me confesso. Chamem-me preconceituosa, conservadora, o que quiserem, sei lá, mas achei ridículo aquelas mãos sarapintadas de Melanose solar manusearem dildos e vaginas de silicone como se de agulhas de croché se tratassem. Pasmei ao ver aqueles lábios encarquilhados encenarem sucções eróticas e aconselharem as telespectadoras em linha – acompanhados pelo movimento de um maroto dedo indicador, chamativo – a dizerem aos seus parceiros para “virem cá” e a intitulá-los de “big guys”. Horrorizou-me vê-la pousar em cima da mesa um enorme saco e, qual Pai Natal, retirar de dentro dele carradas de brinquedos a que chamou maliciosamente de “hot stuff da Sue”. E principalmente impressionou-me a forma irresponsável como indicou como se tratavam certas doenças.
Não é que ache que o sexo esteja reservado a mais novos, não, nada disso, mas aquela personagem apenas descredibilizou ainda mais o programa. Tudo aquilo me soou a disparatado. A uma brincadeira ridícula.
Não é assim, seguramente, daquela forma leviana e superficial – a correr, como as chamadas a que tem de dar vazão – que se ensina sexualidade e se dá conselhos sobre uma coisa tão complexa - e delicada - que é a relação entre seres humanos.
 

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comentários

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De jonasnuts a 09.11.2008 às 21:22

Uma opinião diferente, aqui:http://cenasdegaja.blogs.sapo.pt/154704.html

Confesso que, neste caso em particular, inclino-me mais para a Sissi do que para a Sofia.

Desdramatizar e simplificar, muitas vezes chamando as coisas pelos nomes que são mais perceptíveis para as pessoas "normais", sem paninhos quentes nem eufemismos parece-me uma boa opção :)
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De Sofia Bragança Buchholz a 11.11.2008 às 19:03

Sim, Jonasnuts , mas aquilo não (me) convence.
Acaba por ser pretensioso por tentar não ser. A ideia da avozinha bacana e "sábia" que todos gostariam de ter, resulta ao contrário: ninguém quer ter uma avó a fazer aquelas figuras na televisão.
E depois a irresponsabilidade dos conselhos: não se cura uma candidíase , assim facilmente, às colheradas de iogurte como ela diz.

Mas ainda bem que temos opiniões diferentes. O mundo seria uma chatice se pensássemos todos da mesma maneira :-)

Beijinhos
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De jonasnuts a 11.11.2008 às 19:24

Teremos sempre o red bull e as asas :)
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De morgado_do_bombarral a 09.11.2008 às 22:18

Não costumo ver Tv, mas ontem quando me fui deitar estava a dar esse programa, e fiquei realmente com a mesma impressão.

Não é só a imagem da senhora, mas a forma como fala das coisas e aborda os problemas... mas em calhando está bem para a mentalidade da mulher norte-americana.
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De Sofia Bragança Buchholz a 11.11.2008 às 19:29

... para a mentalidade da mulher e do homem norte-americanos que fartaram-se de ligar para lá homens.

Também acho que aquilo encaixa muito mais na mentalidade americana do que na nossa, Morgado.
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De André Campos a 10.11.2008 às 06:07

Pois a mim parece-me que será precisamente por ser uma velha ordinária que não se inibe de dizer e fazer certas coisas - que aquilo "pega". E que faz com que nós não "despeguemos". De resto, não podemos esperar que a televisão seja pedagógica, sequer séria. E talvez também não possamos esperar muito da sic mulher...
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De gaja que gosta de um orgasmo a 10.11.2008 às 08:22

meus senhores/senhoras
que pena tenho de quem ainda pensa que um orgasmo e' uma coisa delicada e complexa
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De André Campos a 11.11.2008 às 22:30

Epá, que pena tenho eu é de quem acha que um orgasmo não é complexo e delicado! Então o que é um orgasmo senão complexo e delicado? Um orgasmo é um processo físico, sim - mas é no campo psicológico que importa, que toma vulto (pra não falar do campo sociológico!). E o nosso campo psicológico é tudo - menos complexo. Do "delicado"... bem, mais difícil de defender, mas: não tratar um assunto ou um acto destes com delicadeza é, por assim dizer, roubar-lhe a beleza e negar que é (pondo de forma simples) para ele(s) que vivemos.
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De Anonimo a 10.11.2008 às 09:43

Hum.... Estava a lembrar-me de uns Posts no 31 da Armada feitos aqui pela Sra. Dª Fada com Dildos e afins... Não altura não se deverá ter lembrado da delicadeza... Alias, se bem me lembro, estava fascinada...
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De Sofia Bragança Buchholz a 11.11.2008 às 19:07

Se não percebe os meus posts, nem percebe ironia, não vale a pena gastar as minhas palavras a explicar-lhe o que quer que seja
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De Anónimo a 10.11.2008 às 10:42

Eu ainda não percebi qual é exactamente a critica que lhe faz. Onde é que a apresentadora erra, exactamente, Sofia?

Luz
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De Sofia Bragança Buchholz a 11.11.2008 às 19:10

Luz,

leia, por favor, o comentário que deixei acima, ao responder à Jonasnuts. Lá eu explico.
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De blogdaping a 10.11.2008 às 11:27

Estou vendo !
Aqui para a assembleia é mais simples dizer:
Na minha casa ou na tua e tá tudo explicado.... !!

Deus Nosso Senhor inventou o vinho, para que as feias, pequeninas e gordas, também pudessem gozar a vida...

Ou só os anjos com asas é podem .... ?
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De jpt a 10.11.2008 às 12:58

Sofia, essa do sexo ser uma coisa "complexa" e "delicada" já tem barbas, e normalmente é o argumento usado por quem não quer que se fale da coisa (acontece muito quando se pretende acabar com a educação sexual na juventude. "eles não vão perceber, é preciso alguma maturidade para perceber",etc). Admito que não seja esse o sentido do seu texto, mas o sexo é uma coisa tão banal ou evoluida, complicada ou simples, séria ou hilariante, quanto a culinária: Há junk food e nouvelle cuisine, há a sande de coiratos e o paté trufado, e independentemente de tudo isto quase toda a gente, se tentar, consegue fazer uma sopa e toda a gente, sem excepção, tem fome, incluindo crianças de 13 anos e velhinhas com púrpura senil.

Beijos, mas castos.
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De Sofia Bragança Buchholz a 11.11.2008 às 19:22

Completamente de acordo consigo, jpt , mas o que se trata aqui é do programa de culinária .
É que se aprovo um programa de culinária em que nos expliquem a escolher, manusear, confeccionar , os ingredientes com qualidade e responsabilidade, já dispenso outro, em que estes sejam tratados de forma "leviana" e gordurosa.

Beijinhos castos também para si :-)
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De Nuno Lopes a 14.11.2008 às 16:04

Simples, clara e desempoeirada
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De anonimo a 18.02.2009 às 22:10

acho muito bem o que disse e para além de ser nojento, quando fala de máquinas para fazer sexo, é nojenta a falar, literalmente.

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