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depois disto a greve contra os papéis

por Rodrigo Moita de Deus, em 10.11.08

O terreiro do paço encheu-se de milhares de professores que protestavam contra o "preenchimento de papéis" (sic). Milhares de professores foram perder tempo porque não gostam de perder tempo com papéis. Eis um motivo, tão bom como outro qualquer, para ir passear à baixa.  Como não gosto de desiludir aqui deixo algumas notas sobre a coisa:

 

1. Este sistema de avaliação é mau. Qualquer sistema de avaliação inter-pares é mau.

2. Este sistema de avaliação resulta directamente das negociações entre o governo e os sindicatos. O sistema original era melhor. Se este sistema é péssimo a responsabilidade é dos sindicatos que o negociaram.

3. Há um acordo assinado pelos sindicatos. Os sindicatos não querem cumprir o acordo que assinaram. Coisa que devia envergonhar todos os professores.

4. Os sindicatos continuam mais interessados em fazer política que em defender os interesses da classe. Os professores continuam mais interessados no seu umbigo que na qualidade do ensino.  

5. Esta manifestação foi uma acção partidária.

6. A grande vantagem deste sistema de avaliação é o precedente da avaliação. Prefiro um mau sistema agora que uma discussão sobre bons sistemas nos próximos dez anos.

7. Quando um professor, mesmo que bem intencionado, se junta a este tipo de protestos está voluntariamente a participar numa acção partidária.

 

Preencher papéis é chato. Eu sei. Mas os sindicatos podem sempre sugerir que os formulários de avaliação sejam entregues na internet. Tenho a certeza que o governo aceita. 

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comentários

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De blogdaping a 10.11.2008 às 11:19

E já marcaram uma greve para 19/1/2009...
Adivinhem a que dia da semana vai calhar ??
Sexta-feira...? Não, errado !!
Segunda -feira....!!
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De António a 10.11.2008 às 12:42

Teimosias é o que é!
Concordo plenamente que os Sindicatos têm andado a fazer um péssimo trabalho. Não são esclarecedores e até parece que andam especialmente empenhados em que este assunto não seja esclarecido tão cedo.
Precisamos de calma no Ensino. Os professores têm que se mentalizar que já não são Universitários, com a capa a adejar ao vento das revolucionarites agudas. Honra aos heróis das Universidades dos anos 60!
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De Calendário a 10.11.2008 às 12:49

Não sabia que o dia de São Martinho era no dia 10 de Novembro, conforme dito no vosso rodapé.
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De Moita Carrasco a 10.11.2008 às 13:48

Você tem algum trauma sexual com professores, ou a sua agencia de comunicação trabalha para o governo? vá passear.
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De PDuarte a 10.11.2008 às 14:21

a professora que ensinou quem escreveu a tag , não foi devidamente avaliada, por certo.
é que não só o São Martinho é a 11 como é o dia do Verão de São Martinho, e por isso não chove.
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De Pentagamia a 10.11.2008 às 16:37

Raramente concordo com o Rodrigo mas neste assunto ele tem toda a razão e acrescento ainda: a ''baderna'' que eu vi e as ''figurinhas'' que assisti no sabado levou-me a perguntar se aquelas pessoas são os mesmos que querem ensinar os nossos filhos....
Desde invasões de Hoteis para ir aliviar necessidades fisiologicas vindo depois fechar a braguilha para a porta, a professoras muito ''animadas e excitadas'' sentadas num Coffe pot''(seria uma manifestação privada ou uma desculpa para vir em excursão a Lisboa?) tudo se viu ali pelas bandas do marquês.....
Seria de rir se não fosse triste!
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De edobasilio a 10.11.2008 às 17:12

Oh Rodrigo!
Até que enfim que estamos de acordo. Tem toda a razão. Quem dirige a orquestra não quer nenhuma avaliação. Senão propunha uma alternativa. Não quer nenhum entendimento porque quer manter a tropa de choque ( dantes eram os operários da construção, agora os prof) agitada criar descontentamento e confusão até às próximas eleições. O PC sabe que numa situação eleitoral normal tem 8-9 % de votos. O curioso é dizerem-se defensores da escola pública, como se aos sindicatos competisse tal tarefa. Os governos a a AR é que estão mandatados para organizar o ensino público e para isso são avaliados de 4 em 4 anos.
Claro que infelizmente há muitos bem intencionados no meio da maralha. Mas, só têm que pensar quem define a estratégia e os objectivos. Eles são só carne para canhão. A escola não foi feita para os professores, mas sim para os alunos. Esses é que devem ser os protagonistas.
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De maria a 10.11.2008 às 18:28

Hum! Estive a reflectir melhor e... se calhar isto é já uma terapia.
Só uma curiosidade: o seu psiquiatra é que escolheu o alvo ou deu-lhe autonomia no assunto?
A minha solidariedade de qualquer forma.
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De Monica a 10.11.2008 às 18:29

Não sou professora, mas sou casada com um. Sei o tempo que gasta ao preencher um sem número de papéis que em nada vão melhorar nem o desempenho dele como professor, nem beneficiar os alunos. Sei que é professor de educação musical mas vai ser avaliado por uma colega de educação física ... e sei que quando 4/5 dos membros de uma classe profissional sai à rua em protesto, algo vai muito mal. Sei que ele e muitos outros não estão a ser instrumentalizados por nenhum partido ou sindicato- estão apenas revoltados e cansados. POrque mesmo que tenham nota máxima nas avaliações, mesmo que tenham excelente, só vão poder progredir na carreira se não ultrapassarem as quotas fixadas ... e como também sou mãe, acho que faz falta à escola e ao ensino mais do que avaliação dos professores ... quem diz que a escola deve servir os alunos tem razão- mas sem os professores, o que fazem os alunos na escola? A quem beneficia o descrédito dos docentes? Talvez por isso se admita a hipótese de acabar com o chumbo dos alunos- quando assim fôr, não serão precisos professores !
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De uma coisinha assim sem sal a 10.11.2008 às 19:52

Sim, acreditemos no que diz a Ministra da Educação. 125 mil pessoas são 80% da classe, mas claro que não eram só professores. Eram todos do partido! Para quem assistiu à coisa, dizia-se que a marcha ia desde o Marquês de Pombal, passando pela Avenida da Liberdade, ao Terreiro do Paço. Mas foram os partidos. Vieram cerca de 700 autocarros das escolas do Norte, mas foram os partidos.

Os professores até gostam de passar 8 das 12 horas que trabalham por dia a preencher papeis. Sim, porque as aulas preparam-se sozinhas, os testes corrigem-se em tempo útil, durante o horário escolar (toda a gente sabe disso), e os alunos, enfim, os alunos não precisam de atenção nenhuma: os colegas professores é que sim.

Outra coisa: as quotas de professores "excelentes" nas escolas. Cada escola, por muitos bons professores que tenha, só pode ter um "x" de professores "excelentes". Digamos que uma escola pequena só pode ter um professor excelente. Os outros, mesmo que sejam excelentes, não são excelentes.

Outra coisa ainda: a Ministra anunciou o congelamento da carreira a quem não "obedecesse" ao novo sistema. Várias escolas já se recusaram, por UNANIMIDADE. Mas claro que são os partidos. Toda a gente sabe que todos os professores pertencem aos partidos.

As outras escolas têm medo de aprovar a suspensão da medida por causa dos mais novos. Esses, por sua vez, têm medo que lhes seja suspensa a carreira. Ainda não são da geração "morangos com açúcar", mas são certamente os seus precedentes. Bem-mandados, claro, como manda a lei.

E todos nós gostamos da Ministra. Aqui, também.
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De Anónimo a 11.11.2008 às 17:50

"As outras escolas têm medo de aprovar a suspensão da medida por causa dos mais novos."

Uma realidade que tive o prazer (ou não) de presenciar. Sou novo e Professor. E não tenho medo nenhum de ser avaliado e tenho ainda menos medo de suspender este monstro de modelo de avaliação.

"Esses, por sua vez, têm medo que lhes seja suspensa a carreira. Ainda não são da geração "morangos com açúcar", mas são certamente os seus precedentes. Bem-mandados, claro, como manda a lei."


Fico triste mas é verdade. estive na manifestação e vi poucos colegas meus da minha geração.

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