
“Pessoas revoltadas com o que sentem como injustiças cometidas contra si, desmotivadas face à profissão, sem confiança na instituição e nas hierarquias, com medo de agir por receio de serem alvo de um processo disciplinar, com a vida familiar desestruturada, desenraizadas das matrizes afectivas ou porque estão afastadas dos seus locais de origem e, por isso, também, da sua casa, da mulher e dos filhos, ou porque não conseguem conciliar as exigências da profissão com a vida familiar; muitas delas cansadas, com problemas de saúde e a necessitarem de ajuda psicológica – Eis, em traços largos, um retrato de muitos dos polícias portugueses. Vivem uma vida dura, com fracas recompensas, e mesmo assim procuram cumprir o que entendem como o seu dever.
Mas pagam um preço elevado que, em alguns casos, felizmente pouco frequentes, pode chegar ao suicídio, porque há aqueles que, incapazes de conciliar a farda com o ser humano que também são, "acabam por se meter em comprimidos, no álcool, noutro tipo de vida, para esquecer, para se anestesiarem como forma de sobreviver, até que alguém lhes diga – Mata-te, tens aí uma pistola!”
Este é um excerto do livro “Polícia à Portuguesa”, o primeiro de uma série em torno dos grandes temas que preocupam a sociedade civil, assinado pela dupla de antigos profissionais da comunicação social, Fernando Contumélias e Mário Contumélias.
O livro, que chega hoje às livrarias pela Dom Quixote, traça um retrato actual e pertinente da Polícia de Segurança Pública, através dos testemunhos directos de vários dos seus operacionais, numa altura em que a necessidade de mais e melhor segurança continua a ser um tema central.
Segundo os autores, “Polícia à Portuguesa” trata-se fundamentalmente de um contributo para o debate urgente sobre o estado da PSP, na medida em que esse afecta directamente a segurança dos cidadãos.
Vale a pena ler.