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é o centralismo, é o centralismo

por Rodrigo Moita de Deus, em 03.12.08

Diz o Gabriel Silva que a decisão de construir/alargar o aeroporto Francisco Sá Carneiro foi "de um ministro sentado no seu gabinete em Lisboa". Como não me lembro do último ministro das obras públicas alfacinha (talvez Duarte Pacheco) digo apenas que Lisboa não tem culpa que os ministros continuem a preferir a vista do Terreiro do Paço.Eu, que sou Lisboeta, livrava-me de bom grado dos ministérios, dos ministros, do aeroporto e da assembleia da república. Coisas que só atrapalham o trânsito sem servir para mais coisa nenhuma.

Feitas as contas, e com tantos ministros "estrangeiros", as duas maiores cidades do país continuam ligadas por uma IC. O metro da capital continua a não sair da capital. A CREL está por acabar. A CRIL está por acabar. A IC16 está por acabar.

A grande Lisboa é responsável por mais de 60% do PIB. Receitas que invariavelmente vão parar a um qualquer aeroporto, circunvalação ou metro de superfície.  

O contribuinte em Lisboa continua a alimentar a euros a ideia que os portuenses têm da sua cidade. E os portuenses ainda se queixam.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De João Lopes a 03.12.2008 às 07:06

Visão mesquinha e pequena a sua. Já em tempos se dizia "Lisboa é Capital e o resto é paisagem".

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De António Pais a 03.12.2008 às 19:58

Foi do adiantado da hora, 01:57, estava inspirado, o que já não é novidade. Então, não repararam na farpa das duas maiores cidades do país ainda estarem ligadas por um (e não uma, já agora) IC? Refere-se a Lisboa e... não, não é o Porto que está ligado a Lx por uma (agora sim) AE . Muito boa e realista.
Sempre provocador e com um humor corrosivo. O velho RMD do costume. Ainda bem, digo eu. Nada como uma boa provocaçãozinha, aqui e ali. De resto, nem os de Lisboa nem os do Porto podem falar muito porque é o interior do país que é paisagem. Os do Porto só ficam eriçados devido a um inexplicável complexo de inferioridade em relação ao inexplicável complexo de superioridade lisboeta. De facto, os do Porto estão-se nas tintas para o resto do país.
PS: O PIB que aqui é referido é o da Grande Lisboa e não o da grande cidade de Lisboa. Quem é que falou em fabricar cimento? Na Grande Lisboa fabrica-se, em Alhandra. Os Ferrari ficam aonde? Está bem, mas aí eu acho que ainda é o Grande Porto.
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De Carlos Duarte a 03.12.2008 às 09:32

Caro RMD,

Em relação à história do PIB, só gostava que o mesmo fosse contabilizado no ponto de efectivo fabrico em vez do sítio aonde se situam as sedes das empresas. Podia ser que o número fosse diferente.
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De Yuppie Boy a 03.12.2008 às 09:34

Por momentos acreditei que o Rodrigo estava a falar a sério...
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De TNunes a 03.12.2008 às 09:37

O Duarte Pacheco era ALGARVIO!
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De Maria Henriques a 03.12.2008 às 09:44

Sempre achei os comentários deste jovem os mais fraquinhos do blog. Este então, é muito pobre.... É que Lisboa funciona tipo Banco Alimentar, com a diferença que as campanhas são diárias, damos mesmo não querendo e o resultado do contributo não vai para os necessitados.
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De Cruzado a 03.12.2008 às 10:25

Quantos KW de electicidade produz Lisboa? A PT só tem ligações em Lisboa? A GALP? CIMPOR? PROTUCEL? A Banca? É tudo produzido por Lisboa?
Quando um investimento "estratégico" vem para Portugal é logo colocado em Lisboa. Quando é de "salário mínimo" para a paisagem. Já agora, retirem os funcionários públicos de Lisboa, e depois conversamos.
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De Rui a 03.12.2008 às 10:53

Declare-se já a independência de Lisboa.
Para quê, afinal, incomodar essa superior raça às manigancias do resto do país ?
Assim, ao tornarem-se independentes ficavamos todos a ganhar :
Vocês, em Lisboa, já não teriam esse embaraço de pertencer a este pobre país.
Nós, cá na "paisagem", poderiamos ter finalmente a oportunidade enriquecermos.
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De Gabriel Silva a 03.12.2008 às 10:59

Caro Rodrigo,

Parece-me óbvio que dizer «um ministro sentado no seu gabinete em Lisboa» não terá o mesmo significado que afirmar que o mesmo fosse adepto incondicional de saladas ou seja natural da cidade-capital.

Os dados que consultei dizem que a região alfacinha e saloia produz 37% do PIB e não 60%.
A que se acrescentam duas coisas: muitas empresas, nomeadamente as públicas e semi-publicas (edp, galp) tem sede em Lisboa por efeito precisamente do centralismo, pelo que a riqueza produzida em outros localidades é ali contabilizada.
A Grande Lisboa tem uma média de rendimento superior á media europeia, o que a faz, a par da subsidiada Madeira e Algarve as únicas regiões ricas de Portugal.
O Grande Porto e todo o resto do país estão classificados como regiões «deprimidas».
O Grande Porto tem 50% do rendimento médio de lisboa.
Lisboa não produz um único kWh de electricidade.
Lisboa não fabrica um quilo de cimento.
Lisboa não transforma pasta em papel.
Lisboa não refina um litro de gasolina.
Mas Lisboa contabiliza como sua a riqueza produzida em todo o país (e nalgumas partes do Mundo) pela EDP, Cimpor, Portucel e Galp, porque é na capital que essas grandes companhias têm a sede e pagam os impostos.

Sobre Metros e afins haverá que dizer que o brutal prejuizo do metro alfacinha é pago com os impostos de todos, sendo que um bilhete custa aos contribuintes o dobro do que custa um bilhete do metro do porto. O mesmo na Carris versus stcp.

Haverá ainda que destacar o seguinte: os planos de embelezamento e ajardinamento da cidade de lisboa são considerados «nacionais», sejam os 702,9 milhões de euros até 2020 para a Baixa-Chiado, os 400 milhões para a zona ribeirinha, os 500 milhões para o inutil metro no aeroporto-que-vai-fechar, os 600 milhões da 3ª ponte-que-não-interessa-ao-menino-jesus, os prejuízos da expo98, os 3.000 milhões do aeroporto absurdo, os milhões do terminal de contentores, etc.....

Falas em aeroporto, metro de superficie. Pois falas bem, todos esses empreendimentos foram e são decididos em Lisboa, pertencem a empresas públicas comandadas em lisboa.
E se alguém quiser alguma obra na circunvalação, tem de ir a lisboa pedir especial favor e autorização à empresa pública alfacinha Estradas de Portugal.

Eu moro mesmo junto á Circunvalação. Na zona onde estaciono, numa faixa de cerca de 200 metros, cinco postes de iluminação estavam fundidos ou não funcionavam. Demorou 18 meses (repito 18 meses) para a empresa alfacinha Estradas de Portugal, com sede em lisboa, sem delegação no Porto, desse andamento aos pedidos dos moradores, da junta de freguesia e da camara, todos de chapeu na mão a pedir aos nababos sentados no terreiro do paço que fizessem o favor de mandar uma equipe de técnicos «verificar» que não havia luz e se dignassem colocar novas lampadas. 18 meses.

P.s. não deves andar de Metro em Lisboa. Este já chega aos concelhos de Odivelas e Amadora.

Falas em «estrangeiros» no MOP. Pois falas bem, de facto para quem esteja longe da cidade-poder que tudo decide, são mesmo uns estrangeiros.
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De Luis Melo a 03.12.2008 às 11:03

Das duas uma:

Ou o RMD está a ser irónico (e tal como com MFL, outros não conseguem ver) ou está a ficar como a maioria dos Lisboetas (basta dizer isto, não vou adjectivar).
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De Paciência a 03.12.2008 às 12:22

Luis Melo vá à merda. Ou para Santo Tirso.
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De Luis Melo a 03.12.2008 às 14:07

Este comentário vem provar...
É o nível de certas pessoas...
Enfim...
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De Gabriel Silva a 03.12.2008 às 11:12

RMD:«Como não me lembro do último ministro das obras públicas alfacinha»

Actual MOP: Mário Lino (Lisboa, 31 de Maio de 1940)
Precedido por : António Mexia (Lisboa, 12 de Julho de 1957)
Precedido por : Carmona Rodrigues (São Miguel, Lisboa, 1956)



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De Nuno Santos Silva a 03.12.2008 às 12:59

Se calhar o Lino, o Mexia e o Carmona não nasceram em Lisboa, a família é que estava aí sedeada!

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