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O samba da Foz ao domingo à tarde

por Sofia Bragança Buchholz, em 21.12.08

 

É a menina dos totós, a rapariga e o namorado, a bolacha americana, a gorda da coxa grossa. Os dois velhotes bem vestidos, a jovem do collant de renda, a senhora dos tremoços, o rafeiro farfalhudo, o cão de raça pela trela. É a foto de família, o casalinho do filho pequeno, o relato de futebol, o fumo do cigarro. É a moça da saia comprida, a velha que fica a olhar, a neta lambida da velha, o senhor da castanha assada. É o cata-vento que brilha, o menino que faz birra, o pai contrariado, a mãe com ar de má. É o fotógrafo a aguardar o momento, é a rapariga do gelado, a outra dos óculos escuros e o rapaz do blusão à maneira. É a menina dos patins em linha, o senhor da biciclete, o menino do skate, o atleta da corrida. São os carros em fila na marginal, a música alta que toca, é o parolo do cabriolet, o bimbo da lambreta. É a loira das raízes escuras, o puto ranhoso gordo, as velhinhas de braço dado e as meninas do jogging. São os pescadores de cavalas, os Labradores e os donos, as senhoras perfumadas, os cavalheiros de gel. É a menina dos totós, a rapariga e o namorado, a gorda da coxa grossa e mais bolacha americana…

 

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comentários

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De António Pais a 21.12.2008 às 22:38

Bossa Nova, Sofia. Ao ler este texto veio-me à memória a música de Tom Jobim: "[...] são as águas de Março anunciando o fim do verão". Foi assim que eu li o seu post, com esta música na minha cabeça.

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