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Fighting for framing

por Vasco Campilho, em 17.02.09

Palavras usadas no debate #cpms do twitter

 

O debate #cpms - casamento entre pessoas do mesmo sexo - que ontem se desenrolou no twitter a propósito do Prós e Contras (que não vi) foi um autêntico caso de estudo de como o framing (ver aqui) pode ser o principal objecto em disputa num debate público. Quando assim acontece, a discussão assemelha-se a um combate de judo: os adversários sabem que se autorizarem o opositor a aplicar a pega que ele pretende, inevitavelmente irão parar ao chão. Por isso passam tanto tempo a esquivar-se, e os seus ataques redundam as mais das vezes em golpes no ar.

 

Verdade seja dita que nesta contenda, os defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo me pareceram os mais hábeis judocas. O frame anti-discriminatório, que foi o mais frequentemente utilizado para defender a causa, é poderoso nas sociedades democráticas. Qualquer pessoa que tenha sido discriminada - e quem é que nunca o foi, pelo menos uma vez na vida? - se revolta com a injustiça e se identifica com o sofrimento que a discriminação provoca. Conquistar esta identificação e esta simpatia é um trunfo para qualquer causa social.

 

Acontece que a aplicação do framing anti-discriminatório na defesa do casamento das pessoas do mesmo sexo leva a uma contradição insanável: é que sem discriminação, o casamento não existe. Qualquer instituição que seja minimamente reconhecível como um casamento tem de conter elementos que discriminam quem objectivamente não cumpre as condições determinadas. Hoje, esses elementos são o sexo diferente, o número dos nubentes, a idade, a capacidade matrimonial, a inexistência de impedimentos tipificados na lei, etc. Amanhã poderão ser outros. Mas o facto é que o framing anti-discriminatório, aplicado neste contexto, redunda numa crítica radical à própria instituição do casamento. O que me parece  legítimo, mas contraditório com a aspiração dos homossexuais a poderem casar-se entre si.

 

Na batalha pelo framing do casamento entre pessoas do mesmo sexo, preocupa-me que o movimento gay em Portugal ceda à facilidade do argumento anti-discriminatório. Se assim for, estará a ser usado por uma agenda que não é a dele, mas sim a de um individualismo radical que visa a dissolução do próprio conceito de casamento. O cerne da questão do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo é o reconhecimento social da igual dignidade dessas uniões: ora esse reconhecimento nunca será generalizado se o casamento entre pessoas do mesmo sexo for encarado como um cavalo de Tróia de uma agenda política radical.

 

Há outro caminho, que se apoia na longa marcha contra o preconceito  e pelo direito à (in)diferença que o movimento gay tem percorrido e continuará a percorrer. Esse caminho culmina numa redefinição de conceitos que tanto pode levar ao alargamento do casamento civil como à desmultiplicação das formas legais de protecção das uniões de natureza familiar - ambas soluções válidas para garantir o reconhecimento da equivalente dignidade dos modos de vida em causa. Haverá líderes no movimento gay e nos partidos políticos que saibam conduzir a sociedade portuguesa neste sentido? Espero que sim.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De aaaa a 17.02.2009 às 20:40

"Exmos senhores,

O negócio recentemente anunciado entre a Caixa Geral de Depósitos e Manuel Fino, no que concerne à venda de 10% do capital da Cimpor à CGD, é patentemente ruinoso, injusto e, dir-se-ia, mesmo uma afronta ao povo em geral, e aos investidores em particular.

Não é concebível que para evitar dificuldades financeiras de um especulador, o maior banco do Estado (a CGD) vá ao ponto de lhe comprar os seus investimentos falhados 25% acima do valor de mercado, quando na realidade e perante essas mesmas dificuldades, este especulador ou qualquer outro ver-se-ia sempre forçado a vender essas mesmas posições ao preço de mercado ou abaixo deste.

A diferença entre aquilo que a CGD pagou por esta posição e o preço de mercado, foi uma dádiva pura e simples, de mais de 64 milhões de euros, a este especulador, que se podem considerar retirados directamente dos bolsos do povo português para o bolso do especulador.

Acresce que, não satisfeita, a CGD ainda concedeu uma opção de compra ao especulador, de forma a que se a Cimpor eventualmente valorizasse, o especulador poderia nela reentrar (tornar a comprar) sem risco. Isto é perfeitamente absurdo. A CGD colocou-se assim na posição de assumir todo o risco do investimento por vez do especulador e, ainda pior, desde logo entregou mais de 64 milhões ao especulador, pelo privilégio de fazer um negócio que ninguém aceitaria fazer de livre vontade.

Esta aberração ocorre no mesmo momento em que milhares de investidores se vêem a braços com perdas para as quais ninguém se apresta a suavizar pagando acima do mercado. Ocorre ainda no momento em que Portugal está a entrar numa crise profunda, em que centenas de milhar de pessoas perderão o emprego e, no entanto, é ao especulador que a CGD decide entregar dezenas de milhões de euros. Será isto certo? Obviamente não é.

A ser permitido, este negócio representa a morte da meritocracia neste país. Pensamos que as consequências de sequer se considerar este tipo de negócio, estão a ser subavaliadas pelas instituições.

Pedimos firmemente que, dentro do possível, sejam feitos todos os esforços para determinar a nulidade deste acto pirata sobre o povo deste país.

Atenciosamente, um grupo de cidadãos preocupado,"

In http://www.ipetitions.com/petition/CGD/

Assinem e divulguem.

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