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Mão de obra nacional

por Vasco Campilho, em 17.03.09

Reservar o investimento público à mão-de-obra nacional é um absurdo. Já vários bloggers o afirmaram, e com razão. Simplesmente, não acredito que Manuela Ferreira Leite tenha proposto isso. Não por uma questão de fé, mas por uma questão de boa-fé.

 

Olhando para as declarações que a líder do PSD proferiu ontem à saída de São Bento, vemos que ela fala de privilegiar "investimento público de proximidade", cujas vantagens enumera: "não tem componentes importadas (...) não tem encargos para orçamentos futuros e (...) utiliza mão de obra nacional". Neste contexto, a expressão mão de obra nacional só pode compreender-se como mão de obra residente em Portugal, e não estritamente como mão de obra de nacionalidade portuguesa.

 

Aquilo de que Ferreira Leite fala é de escolher um tipo de investimento a priori mais direccionado para a oferta empresarial portuguesa, que recorra pouco a importações - o que está a um universo de distância da discriminação dos imigrantes residentes em Portugal, e mesmo da discriminação de empresas estrangeiras. Por mais que se discorde da sua política económica, é pouco sério acusá-la de xenofobia neste contexto.

 

Até porque o próprio Governo, ao apregoar as vantagens do investimento público, nunca se esquece de colocar a criação de emprego no topo da lista. Ora eu ainda não vi nenhum socialista explicar aos portugueses que o PS nos está a endividar para criar empregos fora de portas. Duvido que se saísse muito bem.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Carlos Santos a 18.03.2009 às 06:02

Como bem lhe disse o Paulo Gorjão, tem a noção que está a defender o indefensável?
http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/03/empregos-nacionais-para-portugueses-na.html
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De Pedro Santos a 18.03.2009 às 18:07

Ouvi as declarações de MFL na rádio e não descodifiquei nenhuma teoria de "trabalho português para trabalhadores portugueses". O que há aqui é um problema de expressão crónico de MFL e muita gente com muito tempo para malhar em ferro frio. Para mim a ideia é válida e precisava de desenvolvimento e debate honesto (como muitas outras, de todos os quadrantes).
"espalhar merda e cortar cabeças..." todos são capazes de fazer. Não é bem disso que precisamos.
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De Ricardo S a 18.03.2009 às 23:07

O Vasco alega que "mão-de-obra nacional" significa trabalhadores que residem em Portugal, mesmo que sejam estrangeiros.
Então mas isso não é o normal? Ou será que os nossos trabalhadores, quando saiem das obras, vão dormir a Espanha, a França ou aos EUA e voltam no dia seguinte para mais uma jornada de trabalho? Será que isto faz algum sentido? Algum?
Obviamente que todos os trabalhadores residem cá e, desta forma, é claro que Ferreira Leite não queria dizer isto, utilizar aquela expressão neste sentido.

O Vasco diz que faz esta interpretação (que é semelhante a dizer que branco é preto) com "boa-fé". Acredito que sim. Mas não tenho dúvidas em dizer que o Vasco muito dificilmente teria esta mesma interpretação se tivesse sido Sócrates a dizer aquela frase bombástica. Mesmo com os níveis de "boa-fé" no máximo, nunca seria capaz de encontrar tal explicação para o "grande chefe". Porque é disto de que se trata, de defender o líder, não é Vasco? É preciso falar verdade, lembra-se Vasco?
Se aqueles que estão sempre prontos para defender Sócrates (os chamados "socratinos") são criticados - e bem - por não serem imparciais, aqueles que estão sempre prontos para defender Ferreira Leite deverão estar no mesmo patamar, o que não tem acontecido. Quem diz bem de Sócrates é um "socratino" ou um assessor do governo, mas quem diz mal é um iluminado. E é chato quando são contrariados...
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De Vasco Campilho a 18.03.2009 às 23:55

Caro Ricardo,

é refrescante ter alguém a acusar-me de estar sempre pronto a defender a líder do PSD. Estou mais habituado a que me acusem de fabricar factos hostis a Manuela Ferreira Leite. Posso pôr a sua crítica no meu CV?

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