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Para onde vamos?

por Francisco Proença de Carvalho, em 23.03.09

Já todos sabemos que o ponto forte dos partidos políticos portugueses nunca foi o Sentido de Estado. Por isso, este é um país adiado… Tivemos uma revolução, aprovámos uma Constituição, instituímos um conjunto de direitos que rapidamente se tornaram adquiridos…A partir daí, metemos o modo cruzeiro e ficámos à espera que a integração europeia nos trouxesse prosperidade. É inegável que em algumas coisas melhorámos: devolvemos aos privados parte daquilo que lhes foi roubado, dotámos o país de infra-estruturas básicas que não existiam e… ponto final parágrafo.

Aspectos absolutamente fundamentais na estrutura de um país, como a Justiça, Saúde, Educação ou mesmo o Sistema Fiscal, sobrevivem ao sabor do vento, ora mais laranja, ora mais rosa. Não há uma visão de longo prazo, não há uma visão de Estado. Nada disso! Apenas uma gestão de danos, condimentada com pseudo reformas que nunca passam disso mesmo… pseudo! E isto, porque, quando o partido A está no Poder, ou se está nas tintas para o partido B ou este também não está interessado em mais do que minar a governação e toda e qualquer reforma que se pretenda. Depois, quando o partido B recupera o Poder, pura e simplesmente, revoga a pseudo reforma do partido A e inicia, com pompa e circunstância, a sua pseudo reforma. Portanto, definir um caminho de futuro para Portugal tem sido, manifestamente, impossível!
Para um Portugal com rumo, seria fundamental que os partidos com vocação de poder fossem responsáveis, metessem de lado o indigno jogo da politiquice que tanto tem prejudicado o país e se entendessem, pelo menos, quanto aos pontos fundamentais das reformas a fazer naqueles aspectos estruturais.
Tudo isto para dizer:
Não obstante o cenário que acabo de descrever, pelo menos até agora, PS e PSD, sempre se entenderam na escolha do Provedor de Justiça. No essencial, procura-se uma pessoa independente e com estatuto. Nada mais…
Agora, pelos vistos, já nem isso. Não se entendem e ainda nos obrigam a assistir a um triste espectáculo mediático.
Para onde vamos?


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Carlos Santos a 23.03.2009 às 02:33

Como sabe, o arranjo partidário português, derivado directamente da dita aliança povo-MFA, é único. Há 3 partidos na área da Social Democracia. Porque convém não esquecer o CDS. Embora, com o tempo o CDS tenha caminhado para o espaço natural onde não se podia afirmar em 74/75: um partido de direita. O problema é que a tradição de voto de direita caiu no PSD, mas este não abandona o espaço central porque, tal como o PS, acha que numa réplica do modeli de Hottelling se ganham mais clientes ao Centro. O resultado é a falta, por exemplo de um partido de Direita Liberal em Portugal. Que obrigaria a dividir o PSD.
Há quem entenda que esta crise o propiciará: um rearranjo partidário após as legislativas. Mas o que me custa a imaginar, quando por exemplo leio Gary Becker no WSJ de ontem (que comento aqui http://tinyurl.com/dfq6nj), a admitir que o liberalismo falha na tentativa de compreender a crise, se um partido liberal tem espaço de afirmação na conjuntura económica que vivemos?
Mas sem essa rearranjo, honestamente não creio que a cena da escolha do Provedor de Justiça seja a última guerra triste dos ditos partidos de centro. Porque continuarão a sê-lo.
Deixo-lhe a pergunta e o convite de analisar o que no link acima comento sobre o liberalismo hoje.

Cumprimentos,
CS

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