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Großdeutschland

por Vasco Campilho, em 23.03.09

 

No dia em que a Alemanha salvar da bancarrota um ou vários países da zona euro, a natureza da União Europeia mudará radicalmente. Não é ainda claro o que emergirá dessa mudança. Mas uma coisa é certa: o reforço dos países mais populosos e dos países mais ricos (isto é, essencialmente da própria Alemanha) vai-se aprofundar.

 

Resta saber por que via. Consigo vislumbrar duas: uma passa por colocar sob tutela os países beneficiários da intervenção financeira. Portaram-se mal, gastaram o que tinham e o que não tinham, não se governam nem se deixam governar? Pois agora fazem como nós dizemos, e é se querem continuar na Europa e com alguns (poucos) euros no bolso.

 

A outra via passa por consagrar ao nível das próprias instituições europeias que quem paga manda. Neste momento, a representação dos diferentes países encontra-se num ponto intermédio entre o "um país, um voto" e "um homem, um voto". Não estou a ver que países na bancarrota encontrem forças para se opor a que se se opte por um ponto intermédio entre "um homem, um voto" e "um euro, um voto".

 

Nenhum dos dois cenários é famoso para Portugal. No primeiro, não escaparemos à suspensão mais ou menos prolongada da nossa soberania. No segundo, perderemos o peso político que nos resta na Europa de uma forma menos brutal, mas mais permanente.

 

Será que ainda se podem evitar estes cenários? Quero crer que sim. Mas para isso, é preciso fazer três coisas:

  • Desde logo, parar de cavar - um conselho útil a qualquer um que se encontre num buraco. Se os desequilíbrios externos nos estão a colocar à beira da bancarrota, convém pelo menos tentar não os agravar.
  • Depois, aprovar o tratado de Lisboa de modo a fechar a discussão institucional durante uns anitos. Os irlandeses, que também não devem estar interessados em ser votados à total irrelevância, talvez pudessem atinar-se e fazer esse favor ao resto da malta.
  • Finalmente, trabalhar ao nível comunitário - e não puramente intergovernamental - para que seja criada uma política económica europeia que vá além da simples tentativa de coordenar as políticas económicas nacionais. É aqui que termos o nosso homem em Bruxelas pode fazer a diferença, se ele compreender que se trata de uma evolução que é não apenas importante para a Europa, mas vital para Portugal.

Eu sei que é um programa ambicioso. Mas a alternativa é deixar que a Europa se transforme numa espécie de Großdeutschland.

 

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Liebe deutschsprachige Leser, 

nachdem ich diesen Beitrag auf meinem Blog veröffentlicht habe, fiel mir auf, dass dessen Titel einen offensiven Beigeschmack für deutsche Bürgen haben könnte. Mir war die Komplexität der Bedeutung dieses Ausdrucks nicht bewusst. Es war in keinsterweise meine Absicht, eine Verbindung zwischen dem heutigen Deutschland und der Vergangenheit, auf die der Begriff verweist, herzustellen. Ich möchte mich deshalb bei Ihnen für dieses Missverständnis in aller Form entschuldigen.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De caodeguarda a 23.03.2009 às 12:29

ou seja... permitir que tudo aquilo que tem sido decidido à revelia dos povos europeus, tratado de lisboa incluido, passe em frente... com esse tipo de soluções, não obrigado... já bastou maastricht que o cavaco nos enfiou pelo c* acima sem pelo menos o untar préviamente com vaselia...

e com o cherne, não vamos a lado nenhum... ele etá mais preocupado com o "porreiro pá"...
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De douro a 23.03.2009 às 16:57

Só não percebo o que é que tem a ver a aprovação do Tratado de Lisboa com isto tudo? Será que nos quer impingir um balde de plastico como promoção se nós lhe comprarmos essa ideia de que o Barroso em Bruxelas serve para alguma coisa?
Cumprimentos
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De Vasco Campilho a 23.03.2009 às 17:08

Simples: o Tratado de Lisboa repondera o peso dos diversos países no Conselho, no PE e na Comissão de uma forma que já é desfavorável a Portugal relativamente ao statu quo actual. Se ele não for para a frente, os equilíbrios institucionais deverão ser renegociados mais tarde.

Se entretanto houver intervenções da UE em países da zona euro para evitar a bancarrota, a nossa posição negocial ficará muito mais frágil face aos países que pagarão essa intervenção, especialmente a Alemanha. E isto mesmo que Portugal não faça parte do grupo dos necessitados. Por isso, mais vale fechar o Tratado de Lisboa agora do que ter que aceitar um bem pior no futuro.
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De artur de oliveira a 24.03.2009 às 01:32

TAMBÉM SERIA UMA BOA SOLUÇÃO, MAS NÃO ESTOU A VER ISSO ACONTECER... SE CONTINUAMOS COM O DARK REIGN DO SOCRATES, ISTO VAI ABAIXO....
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De JMG a 23.03.2009 às 20:00

Uma outra hipótese seria sair do Euro. Mas primeiro parece que temos que ver o nosso défice externo ultrapassar os 200% do rendimento disponível e desaparecer da circulação política a geração que lá nos meteu.
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De artur de oliveira a 24.03.2009 às 01:30

QUEM TEM QUE POR JUIZO A PORTUGAL NÃO É A ALEMANHA, MAS TODOS OS OUTROS PAÍSES DA U.E.... NÃO SERIA PERDA DE SOBERANIA, SERIA DOMESTICAR A SOBERANIA DESTE PAÍS QUE NÃO SE GOVERNA NEM DEIXA GOVERNAR... UM POUCO DE DISCIPLINA NÃO FARIA MAL ESTE PAÍS PARA UM DIA EVOLUIR...

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