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De que tamanho é a tua unanimidade?

por Rodrigo Moita de Deus, em 04.02.07

"(...) nem a ciência consegue estabelecer, com o mínimo de unanimidade, quando é que o embrião passa a ser uma pessoa"

Zé Diogo Quintela no Sim no Referendo

 

O Zé Diogo considera que ele há o mínimo de unanimidade e o máximo de unanimidade. É quase unânime que o mínimo de unanimidade está a uma distância mínima do máximo de unamidade. Porém entre o mínimo de unanimidade e o máximo de unanimidade está uma média unânime insuficiente para satisfazer o Zé Diogo. Mas atenção. Não é unânime que a unanimidade tenha tamanho.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Rodrigo Moita de Deus a 06.02.2007 às 20:22

Guardei este naco a pensar em ti: “A questão em debate no referendo não se destina a reconhecer ou a proclamar uma afirmação científica: se o feto é uma forma de vida (claro que é, embora não seja uma pessoa!)”- Carlos Fiolhais, cientista no impoluto Sim no Referendo. Claro que é uma vida. Diz o Carlos Fiolhais, esse cientista ao serviço do César das Neves. O problema é que a vida “não é uma pessoa”. Suponho que, não sendo uma pessoa, há falta de melhor, regressamos à tese da coisa.

Mas este é só um. De todos os cientistas que passaram no Sim Referendo não me lembro de nenhum que tenha ousado dizer que “não existe vida”. Posso estar enganado (é raro, mas às vezes acontece). “Existe vida, mas…” Mas não é bem um ser humano, mas não é bem uma pessoa, mas é mais um aglomerado de células. (a tese do aglomerado de células é a minha preferida). Este “mas…” que juntas à equação é só um pretexto para aligeirar a consciência. Mas é um pretexto que te leva para zonas cinzentas que tenho genuíno receio de explorar.

Enfim. Voltando à abóbora. Vida existe (dizem os teus) e está por isso formado o tal mínimo de consenso necessário para legislar. Mas, se li bem as tuas palavras o teu problema não é com a existência de vida mas “sou por deixar a decisão à grávida”. Vamos parar de andar às voltas com o assunto. Tu achas que a barriga – e o que está lá dentro - é dela, portanto. É isso? Se é, diz. Assume a coisa sem “mas…” pelo meio ou analgésicos de consciência.

É que “deixar a decisão à grávida” significa que os direitos da “grávida” prevalecem, em qualquer circunstância, sobre os direitos do “filho”. Neste caso, o meu bom senso é, por via da protecção do outro um senso comum.

Um abraço,

RMD

PS: Aceita as referências à Lídia Jorge e à Odete Santos como “ternurentas pisadelas”. Sou perdulário, mas não tanto.
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De M. Mira a 22.05.2007 às 16:26

com jeitinho ainda concluem que masturbação é genocidio...
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De Laura a 04.10.2009 às 00:00

Deparei-me com este debate hoje, um ano e meio depois. Não há qualquer problema. Independentemente da minha opinião que até vai de encontro totalmente com a opinião do Zé Diogo, tenho a dizer-te, Rodrigo, que "ternurenta", palavra que tentas usar como sendo um adjectivo, é uma palavra que, das duas, uma: ou foi inventada por ti, ou ouvida por ti, de alguém que aprendeu a Língua Portuguesa por correspondência (as unidades curriculares do curso vieram com toda a certezinha do Brasil). Talvez quisesses ter dito antes "terna". Dou-te o benefício da  dúvida. É que na altercação entre unanimidade e consenso, a verdade é que, sendo unânime  que a forma correcta de escrever o adjectivo em questão será "terna", é da mesma feita, consensual, que anda aí meio mundo a pensar que será antes "ternurenta".

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