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VAE VICTIS

por Rui Crull Tabosa, em 04.08.09

Ai dos vencidos! Assim terá respondido o chefe gaulês Brennus aos romanos que protestavam contra a exorbitância do resgate em ouro que os invasores lhes exigiam para abandonarem Roma eterna.
Também a derrota de Alcácer Quibir selou a imagem que alguns têm de D. Sebastião.
Mas, se a história é feita pelos vencedores, a História é feita com a Verdade.
E, ao invés de leviano, irresponsável e imprudente, é bem outra a verdadeira História daquele nosso malogrado Rei.
D. Sebastião sabia da inevitável decadência do Império do Oriente: ingleses, holandeses e franceses esbulhavam os Portugueses das suas praças da Índia, bem como do comércio que aí exploravam desde 1500.
D. Sebastião estava também ciente da força centrípeta dos vizinhos Áustrias.
Por isso concebeu a estratégia do Império ao pé da porta.
Situando-se o território metropolitano de Portugal na Península Ibérica, importava a Norte apoiá-lo na Aliança inglesa, a Sudeste dar-lhe extensão telúrica através do Hinterland marroquino (o então denominado Algarve d’além Mar) e, finalmente, no Atlântico Sul conservar-lhe a potência imperial através do estabelecimento e colonização do Brasil e de Angola.
A estratégia geopolítica foi, pois, notável e estava inteiramente correcta.
O único problema foi que, a 4 de Agosto de 1578 - passam hoje 431 anos -  o exército português, comandado pelo próprio Rei, depois de ter a vitória quase ao alcance, pela perseguição que a Ala dos Aventureiros faz às tropas mauritanas, pára, cede e desorienta-se com as mais lúgubres palavras que se ouviram em Quinhentos: «Ter! Ter!», bradou o fatídico Sargento-Mor Pedro Lopes. E os Portugueses pararam, duvidaram da vitória e foram depois submergidos por um incontável número de infiéis.
O resto é conhecido.
Perguntam ao Desejado: «Que pode haver aqui que fazer, senão morrermos todos?»
E este responde: «Morrer sim, mas devagar!»
A verdade é, pois, que o Rei combateu até à eternidade, que assim o guarda!
 


comentários

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De Anónimo a 04.08.2009 às 17:55

"...se a história é feita pelos vencedores, a História é feita com a Verdade" - infelizmente, a História que é feita com a verdade tem sido, demasiadas vezes, exclusivo dos especialistas, e divulga-se até à náusea um chorrilho de mentiras; mesmo depois das razões ideológicas das mentiras e distorções terem, por sua vez, passado à História, a nulidade intelectual do nosso sistema educativo continua a papagueá-las!


  Por tudo isso - parabéns pelo comentário histórico, tão correcto, e tão longe do políticamente correcto!
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De JPA a 04.08.2009 às 17:56

Esqueço-me sempre do nome
JPA
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De Rui a 04.08.2009 às 17:58

"Fraco líder fez fraca forte gente".

Funcionou com o Guterros e pelo andar da carruagem vai voltar a "funcionar" com o Sr. Sousa.

A

Rui

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