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Imaginemos

por Ana Margarida Craveiro, em 04.08.09

Imaginemos que eu fazia crítica de livros. Imaginemos que tinha para criticar um livro de um autor que eu sempre detestei. Por motivos vários, tenho mesmo de escrever a recensão desse livro. Por acaso, até escrevo que não gosto daquele autor, mas que me surpreendeu, porque o livro até tinha partes boas. Imaginemos tudo isto: perfeitamente normal, certo? É a minha profissão escrever sobre livros, nem sempre vou gostar do que tenho para ler. Aliás, até seria estranho se gostasse de todos os livros que me passam pela mão.

 

Agora, imaginem que recebo cartas de leitores indignados por eu não gostar daquele autor. E recebo insultos, vários, e disparates diversos. Penso eu: vou encolher os ombros, não podemos contentar sempre todos. Mas não: um dos directores da publicação em que escrevo faz um editorial a pedir desculpa aos fãs do autor por mim, num tom subserviente e que insulta o meu trabalho. Pior: depois vem o provedor da mesma publicação dizer em tom autoritário que, se não gosto daquele autor, nunca deveria ter escrito sobre ele. Diz ele que não é curial. Assim, categoricamente.

 

Pode isto acontecer em Portugal? Pode. Na verdade, não se trata de livros, mas de uma crítica a um concerto, e tudo isto está a acontecer a um crítico musical, João Bonifácio. O jornal é o Público, e o artigo do provedor pode ser lido aqui. A liberdade de expressão está em sérias dificuldades por estas paragens.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De PedroL a 05.08.2009 às 01:13

Na realidade não foi bem isso que se passou.
Esse jornalista (ou crítico musical) simplesmente aproveitou uma crítica musical a um concerto para ofender os muitos adeptos do Clube de Futebol Os Belenenses, escrevendo várias vezes na sua crónica referências negativas ao Clube, dado o concerto ter sido realizado no Estádio do Restelo e de ele preferir estar num milhão de outros lugares que não no Estádio do Restelo nesse dia.
Se tivesse lido o artigo desse Boi Bonifácio, teria percebido que ao contrário do que escreveu neste seu post, não foi feita nenhuma crítica musical nesse artigo, não foi escrito nenhum elogio ou mencionado nenhum facto positivo do concerto, mas pior ainda, o autor (talvez por falta de capacidade para mais) limitou-se a fazer trocadilhos entre o espectáculo que assistiu e o Clube proprietário do Estádio onde se realizou o concerto, ofendendo por várias vezes os muitos sócios e adeptos do Belenenses.
Na prática era como se um analista político (ou politólogo, como agora é fino dizer-se) escrevesse um artigo onde fizesse uma analogia entre o facto de José Sócrates ser um mentiroso compulsivo, um péssimo governante e uma grande besta, e de ser simultâneamente adepto do Benfica para escrever que todos os benfiquistas são mentirosos compulsivos e péssimos governantes, sendo ainda umas grandes bestas. Acha que os muitos sócios e adeptos do Benfica não se mostrariam indignados com esse artigo? E não protestariam com esse artigo? E o director desse jornal não pediria desculpas públicas por essa alarvidade escrita por um seu analista político?

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