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"É tradição da monarquia ter uns bobos de serviço". Profundas palavras estas, de Duarte Moral, assessor do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, ao Expresso.

 

A criatura parece não entender que os lisboetas, sejam eles monárquicos, republicanos ou desalinhados, não sentem, na maioria dos casos, qualquer afinidade com este tipo de declarações:  seja porque não se identificam com o ressentimento pouco saudável de Duarte Moral perante as legítimas convicções de outros cidadãos; seja porque têm mais que fazer do que lidar com uma confrangedora relação não resolvida do assessor com a História.

 

Com Duarte Moral, ganham os psiquiatras que, porventura, dele se venham a encarregar, e Pedro Santana Lopes, destinatário natural do voto de monárquicos e republicanos escandalizados com este tipo de reacções.

 

Veremos se António Costa tem o talento e a intuição necessários para, a muito curto prazo, reconhecer o evidente e inverter uma situação que tem tudo para se tornar muito desconfortável (recorde-se, neste âmbito, o elenco de monárquicos ilustres que se dividem pelas candidaturas à Câmara Municipal de Lisboa): para isso, haverá que deixar claro que todos, sem excepção, têm o direito de ser ou monárquicos ou republicanos; e que a opção monárquica de alguns,e a maior ou menor criatividade com que esses a defendem, não justificam as declarações tendencialmente ofensivas de um funcionário menor e malcriado.

 

Quando a Duarte Moral, que fique tranquilo: se enquanto assessor não é grande coisa, como palhaço, faz-se. Ao serviço de quem, é algo que veremos; da minha parte, porém, confesso que gostaria de o ver a milhas de um futuro Primeiro-ministro de Portugal.

 

* Post editado.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De 1143.blogs.sapo.pt a 14.08.2009 às 00:22

E estão 10 milhões a suportar esse bobo, que no fim vai ter uma bela reforma à custa do zé povinho. É a tal ética republicana.
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De João Afonso Machado a 14.08.2009 às 00:25

Boa. Vamos à ética republicana. Por quem começamos?
Pelo Isaltino? Pelo Freeport? Pelo nosso Engenheiro?
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De 1143.blogs.sapo.pt a 14.08.2009 às 00:32

Isso é só o início da longa lista...
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De Ema a 14.08.2009 às 00:36

Vamos à ética "tout court" e talvez se possa começar convosco. Boa?
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De João Afonso Machado a 14.08.2009 às 01:19

Ao seu inteiro dispor. Em termos muito resumidos: esta brincadeira da bandeira não é um crime, seria sempre considerado uma bagatela penal. É um gesto simbólico que ofende pessoas que não têm o mínimo pejo em praticar actos muito mais graves ou branquear verdadeiros atentados históricos.
Verifique se assim não é quanto às actuais instituições republicanas: Justiça, Ensino, Administração Pública...

O que pensa o povo português delas. Obviamente o pior. Só ainda não associou essa escandaleira ao Regime. Todo o aparato criado visa que não faça tal.

Daí as demagógicas alusões dos republicanos à aristocracia, aos antepassados e regalias dos monárquicos, etc. E lá vai tudo de férias em carros topo-de-gama, enquanto o eleitor fica por casa sem reparar que a Republica vai nua. 
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De Céptico a 14.08.2009 às 01:31


Num país que elegeu um Presidente da República que pisou a bandeira nacional como forma de protesto, deter quem troca a bandeira de Lisboa pela bandeira Portuguesa monárquica é no mínimo caricato e ridículo. Mais ridículo ainda é ver Inspectores da PJ preocupados com tal facto e ver processos como o da Cova da Beira e o Freeport arrastarem-se até à conveniente prescrição.

Mas o problema base foi o acto, o terem-se metido com republicanos pedreiros de trazer por casa... e fazerem-no à porta do local que presenciou o Golpe de Município mais evidente e mal engendrado que os anúncios do engenheiro dominicano.
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De Respública a 14.08.2009 às 09:29

Bem não há provas que ele pisou a bandeira, mas se conseguirem avisem, que eu gostava de ver o sr. dr. soares se confrontado com isso...
A ética (e a sua falta) é algo geral, não é património exclusivo de nenhum regime político, até o Estado Novo tinha valores ético (mesmo superiores aos actuais valores do Estado "socialista").
Seja como for a República é mais ética que a monarquia, pois assenta na soberania popular e subsequentemente vontade da maioria, que segundo Kelsen cria os valores morais ou éticos, posteriomente positivados nas leis, logo um mau legislador é que faz uma má ética e este parlamento é muito mau, mas atendendo quem manda no pais eles estariam lá mesmo que fossemos uma monarquia (até há muitos deputados de esquerda e de direita monárquicos, mesmo no PS).
Seja como for o Governo do Povo, para o Povo e pelo Povo é sempre preferível (ou na milha visão o governo da Classe Média, para a Classe Média e pela Classe Média), mesmo que, tal como refere Karl Popper, isso não deva significar uma ditadura da maioria.
Em Portugal falta-nos orgulho de Classe.
Viva o 5 de Outubro de 1910
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De Céptico a 14.08.2009 às 11:02

Não vejo por que a República deva ser, por princípio, mais ética que a monarquia. Tal raciocínio enferma do vício de partir de pressuposto que uma República é, necessariamente, democrática... o que, olhando para o panorama mundial, se revela uma tremenda falácia. Em República o Presidente PODE ser eleito, em Monarquia o Rei não é eleito... o exercício democrático dos poderes executivo e legislativo (já que o judicial só é democrático no EUA com os resultados que estão à vista de todos) deriva da estrura do Estado e do seu sistema político e de Governo. Em portugal, como muito bem disse Adriano Moreira, vive-se num presidencialismo de chefe de Governo, que Cavaco tenta contrariar olhado de soslaio pelo povo em geral que o não compreende. Mas as funções presidnciais podem, muito bem, ser desempenhadas por um Rei não comprometido com questões político partidárias e, muito provavelmente, melhor.

Quanto à apreciação feita sobre a natureza positivista (de raiz popular alegadamente) do poder legislativo, relembro que foi esse positivismo que deu origem à legitimição nacional-socialista na Alemanha. O conceito de Direito Natural tem vindo a ser represtinado como fonte de legitimação pura dos sistemas de ordenação social... a diferença é que modernamente esse Direito Natural não procura a sua sustentação num Direito Divino, mas sim na própria natureza das coisas. Kelsen está ultrapassado na sua concepção positivista, mas não na estrtura piramidal... há que procurar a superação da sua teoria como bem nos ensinou Hegel.
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De Respública a 14.08.2009 às 11:22

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<P class=incorrect name="incorrect" <a>Kelsen</A> não foi superado.</P>
<P class=incorrect name="incorrect" <a>Kelsen não era jusnaturalsita , até combateu o nacional-socialismo (mais um defensor de Carl Schmidt ).</P>
Apenas o positivismo normativista de Kelsen permite justificar o Estado de Direito com base na superioridade normativa da sua Constituição, e apenas se aplica a este, pois a vontade da maioria dos cidadãos de cada Estado é a liberdade e a democracia.
Meu caro sr . a teorias anti-positivistas de grandes mentes, em Portugal Castanheira Neves e Pinto Bronze, não conseguem superar os benefícios do positivismo, que evolui constantemente, leia mais um pouco da Escola Austríaca do Direito e da Economia e vai ver.
Viva o 5 de Outubro de 1910
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De Céptico a 14.08.2009 às 11:34

Como tinha dito, a concepção piramidal do normativismo é uma base estrutural valorosa. Já o positivismo normativista puro que pretende que daí resulte parece-me, sinceramente, ultrapassado e pernicioso. Kelsen combateu o nacional-socialismo, até porque dele seria vítima, mas a verdade, verdadinha, é que o sistema de Kelsen permite tudo e mais alguma coisa e alberga, claramente, as concepções do regime nacional-socialista.  Num positivismo puro tudo é permitido desde que sustentado e porque sustentado numa norma. A "Grande Norma" poderá, se não for balizada por uma pitada de jusnaturalismo, prever e admitir tudo e, a partir dela, todo o sistema normativo também.

Se aceitarmos o juspositivismo na sua pureza conceptual, podemos esperar tudo e abandonar qualquer concepção de justiça equitativa... afinal, independentemente da solução e de a quem agrida essa solução, ela será sempre justa desde que sustentada no direito positivo.
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De Respública a 14.08.2009 às 11:55

Não se trata de uma ideia de justiça equitativa, mas retributiva , é necessário que a cada pessoa ou cidadão sejam garantidos os direitos que estes reconhecem como seus, como é necessário garantir a punição dos ilícitos realizados contra esses direitos.
Seja como for o positivismo não resulta apenas das normas contidas na Lei e na Constituição, mas também dos costumes criados pela comunidade onde se inserem, logo a sociedade democrática não necessita de conter nas suas normas positivadas a referência à liberdade ou direitos humanos, desde que sejam valores éticos ou morais dessa comunidade.
Mesmo que, tal como defende Kelsen , não exista meio de impor coactivamente esses direitos.
Seja como for prefiro o positivismo normativista kelseniano (com as suas falhas) a um jusnaturalismo bachofiano limitador da autonomia de cada Estado em nome de uma super norma natural internacional.
Viva o 5 de Outubro de 1910
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De Céptico a 14.08.2009 às 12:03

Caro Respublica,

é sempre interessante discutir temáticas por vezes tidas como etéreas, ainda que se parta de uma base de discordância e se termine, também, discordando. Não me sinto, contudo, inclinado para enteder como legítimas as agressões aos "direitos humanos" (as aspas são propositadas, já que os não reconhece como tal, mas na estrita medida do reconhecimento que lhes é dado por cada povo) só porque legitmidas pelo direito local e aceites - por condicionamento social - pelas populações locais. A excisão em África, os apedrejamentos islâmicos, a escravatura, o tráfico humano, a pedofilia tornam-se legítimos pois outra concepção seria limitadora da autonomia dos Estados que os reconhecem ou, até, toleram como prática "costumeira".

Viva o 5 de Outubro de 1143!

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