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União de facto republicana

por Luís Filipe Coimbra, em 25.08.09

Como diria o comentador Rui Santos, - Ai!, Ai!, Ai!

Então queriam que um Chefe de Estado eleito pelos votos da direita, traísse o seu eleitorado e virasse o bico ao prego e não vetasse a lei das uniões de facto aprovadas pela esquerda?

Conviria recordar à esquerda republicana, que em República o Chefe de Estado nunca foi nem será imparcial.

Que tal os meus queridos amigos republicanos irem até aos reinos da Holanda ou da Suécia para reverem os seus tabus ideológicos?


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De LEGITIMISTA PORTUGUÊS a 26.08.2009 às 01:12

Que podem fazer então as elites ideológicas? Influenciar os modos de pensamento, como entendeu Antonio Gramsci, e preparar o caminho de uma nova ideologia ou de uma nova fórmula política triunfante, mobilizadora, capaz de derrubar a fórmula da elite dirigente. Neste sentido, funcionariam em aliança com a contra-elite. Gramsci chamou a estes intelectuais afectos ao novo príncipe (novo poder) os intelectuais orgânicos, destinados a destruir as bases e fundamentos ideológicos de elites enraizadas, como seja a religiosa, a militar e a política. A sua função crítica é deletéria e é preciso que o seja nesta conjuntura. As sociedades burguesas encontram-se defendidas no plano intelectual por diversos mecanismos de justificação e o que é preciso e urgente é desmontá-los. Entre eles está o Direito, a Religião, o conceito de Família, de Escola, o Serviço Militar e assim por diante, como nos haveria de especificar o francês Althusser. O melhor será a infiltração e o uso dos meios de comunicação de massa para alterar a cultura. Se há uma teoria de mudança social e política muito coerente vinda dos marxistas reflexivos é sem dúvida esta: as trincheiras intelectuais das sociedades capitalistas têm de ser derrubadas pelos intelectuais orgânicos situados nos mais diversos meios de influência, nomeadamente os meios de comunicação de massa, os quartéis, as universidades, as igrejas. Gramsci situa-se aqui como um dos maiores pensadores da mudança induzida através de um grupo selecto que deveria preparar as vias do novo príncipe, o partido comunista italiano86• E por aí regressamos a um leninismo especioso que os comunistas italianos do aparelho não apreciaram de todo, a começar no seu chefe Palmiro Togliatti (1893-1964).
Noutra perspectiva, platónica, a elite ideológica rodeia o soberano e ajuda a governar segundo a sabedoria e o bem comum. É para onde se inclina Platão nos seus últimos dias (As Le is) e para onde tende uma grande elite intelectual habituada a receber do poder dádivas e a turiferar qualquer déspota como fez Voltaire, o irritado literato e enciclopedista, crítico dos tronos e dos deuses, e que por algumas moedas em prata da Prússia endeusou o seu Monarca, a quem escrevia encomiasticamente. E fê-lo, tendo assegurado como contra-partida, uma pensão do rei da Prússia. Mas este tipo de actividade persistiu, mantendo indubitavelmente a sua importância até à actualidade, o que justi-fica, por si só, uma clara e convicta "carta de recomendação" para a pós-modernidade. Os intelectuais podem ajudar o poder e defendê-lo, com as respectivas contra-partidas, e podem agir como um contrapoder e potenciar com ideias novas e uma fórmula ideológica nova, nomeadamente utópica, a contra-elite.
As elites ideológicas podem estar longe, ter o seu centro de decisão em outro país, mas isso não significa que não possam atingir o poder num Estado aparentemente estável. Um bom estudo de caso seria o Irão, sob o poder modernizante da dinastia do Xá Rehza Pahlevi. A população predominantemente camponesa pouco entendia da modernização e pouco beneficiava de tal processo. Segue-se daqui que o fundamentalismo chiita encontrou terreno. acolhedor e os ideólogos chiitas pouco tiveram que fazer a não ser difundir a grande "boa nova": o regime ia cair e um novo regime se iria levantar seguindo os ditames do Corão. E assim foi para espanto de muitos que não acreditam no poder ideológico e só se preocupam com o poder das armas, o propriamente político.
Ao contrário, o enfrentamento do general De Gaulle. Com as manifestações ideológicas gigantescas, de estudantes e trabalhadores no Maio de 1968, que o desafiaram no seu poder legitimado por eleições, enquanto chefe de Estado francês não hesitou em utilizar parte do seu exército estacionado na Alemanha para dominar os distúrbios em Paris, e manter assim o controlo do poder político, o que naquele contexto, significava o controle das massas.
De uma forma geral as elites ideológicas encontram-se também divididas. Uma parte serve os governantes e reforça-lhes a fórmula em que assenta a sua governação. Funcionam como Voltaire para Frederico da Prússia. Outra parte empenha-se no derrube do sistema de poder e apoia uma contra-:-elite, no seio da qual alguns elementos desta elite já se encontram.
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De LEGITIMISTA PORTUGUÊS a 26.08.2009 às 01:14

Funcionam como Vaclav Havel durante o regime comunista na Checoslováquia. Porém, há a assinalar que os intelectuais, os universitários e os religiosos, podem optar por uma visão fria dos acontecimentos e destacar-se da luta que se desenrola. Mas o mais certo é o investigador não encontrar casos significativos desta atitude. Com Estaline no poder, a elite ideológica russa e uma parte significativa da elite ideológica do Ocidente só sabia fazer uma coisa: aplaudir as megarealizações de um dos maiores assassinos de homens de todos os tempos. Essa bela unanimidade interna e externa nunca foi conseguida por Hitler, que pareceu sempre um monstro maior, mas como se sabe tudo depende de onde se olha e para onde se olha. Se O Livro Negro do Comunismo teve algum mérito foi certamente o de expor publicamente os custos em vidas humanas de uma vertigem de poder, que inicialmente fora uma vertigem utópica numa pobre terra de camponeses, provas que ninguém pode actualmente contestar.
Assim a movimentação e agitação das elites ideológicas parece não poder ser submetida a uma regra geral: elas optam entre os campos que se enfrentam na arena política. Toma-se necessário estudar diversos modelos para propor conclusões para cada um, o que valerá, depois desse trabalho de campo paciente, um esforço comparativo e teórico.

Fonte: BESSA, Marques, Elites e Movimentos Sociais, Universidade Aberta.

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