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É preciso mais médicos?

por Nuno Gouveia, em 26.08.09

Portugal tem falta de médicos. Pelo menos é isso que depreendo da vinda de médicos cubanos para Portugal. Dos 60 que vieram para Portugal, 16 chumbaram nos testes, o que também diz alguma coisa da sua qualidade. Lamento que Portugal tenha de recorrer a médicos estrangeiros, ainda por cima de um regime ditatorial, quando centenas de jovens portugueses são obrigados todos os anos a estudar no estrangeiro.

 

A solução para este problema passa por: aumentar as vagas nas faculdades públicas (se possível) e permitir o ensino da medicina em estabelecimentos privados que preencham os requisitos de qualidade exigidos pela tutela. Não se percebe qual a razão para impedir projectos de qualidade  apenas por serem privados. Será que o Ministério do Ensino Superior considera que os privados apenas têm qualidade para formarem profissionais noutras áreas do conhecimento? Ou haverá algo por trás desta recusa?

 

Também aqui.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Adriana Gaspar da Rocha a 26.08.2009 às 14:36

Aos 26 anos, sou estudante do 1.º ano de Medicina, em simultâneo com trabalho na área da Saúde e após ter sido docente do Ensino Superior Particular (ou privado, como queiram). Por isso, a minha experiência permite-me justificar a minha discordância com a opinião do Nuno Gouveia.
Penso que actualmente há uma grande escassez de médicos em muitas áreas geográficas e em muitas especialidades, contrastando com o excesso de profissionais noutras zonas e noutras especialidades. Entendo que, durante muitas anos, houve (e continua a haver) uma má distribuição dos profissionais, tanto pelas áreas do saber, como pelas regiões de todo o Portugal. As especialidades mais populares continuam a ser aquelas que "dão mais dinheiro", que possibilitam a conjugação do "Público+Privado"; lembro a Oncologia, que continua com poucos profissionais. Desta forma, penso que deveria ocorrer uma grande estruturação por parte dos Colégios de Especialidade. De referir também que, durante muitos anos, não houve rigor por parte de alguns médicos que trabalhavam na Função Pública e no Privado em simultâneo.
Relativamente ao número de alunos de Medicina em Portugal, observou-se um grande aumento de vagas e a criação de novas faculdades; porém, esse aumento só se fará sentir daqui a uns anos e, nessa altura, vão ser importantes os incentivos à "desregionalização" (dinheiro não é sinónimo de incentivo; possibilidade de investigação científica, sim, é um sinónimo).
Relativamente às escolas privadas (vou pronunciar-me apenas sobre a área da saúde, não tenho conhecimento sobres outras áreas), não penso que haja muita confiança nelas, como produtoras de conhecimento. Houve um crescimento exponencial de licenciaturas graças à existências delas, mas não houve um crescimento exponencial de produção científica graças a elas (os factores foram outros), nem patrocinaram uma mudança das carreira profissionais (refiro-me, por exemplo, ao Diagnóstico e Terapêutica, cujos profissionais vivem como se não fossem licenciados). Ou seja, o que pretendo afirmar é que as escolas privadas não têm feito muito pela excelência académica e profissional no nosso país. Têm sido uma "fábrica" a produzir licenciados em série. E, mais recentemente, a produzir Mestres, porque os miúdos saem licenciados, não arranjam emprego e o mestrado sempre pode abrir portas (erradamente); a escola agradece, porque as propinas fazem jeito. E de que forma seria feita a selecção de candidatos? E quais os valores das propinas?
Por isso, enquanto as escolas privadas não mostrarem exigência e excelência, não merecem graduar profissionais com a responsabilidade dos médicos (todos nós esperamos que o nosso médico "saiba tudo" e nunca falhe).

Gostaria de saber se continua com a mesma opinião ou se concorda comigo.
Parabéns pelo blog (ou blogue), vejo-o todos os dias; hoje decidi sair do anonimato.
Adriana 
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De M.C.E.L. a 26.08.2009 às 22:58

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<P class=incorrect name="incorrect" <a>Sra</A> Dra Adriana</P>

A nossa dúvida Sra Dra , é porque é que instituiram o Numerus Clausus em Medicina, quando todos sabíamos que havia um desfasamento de, mais ou menos 10 anos, entre os Médicos Especialistas e os Novos Internos, à data da institucionalização do Númerus Clausus.
Caso ninguém se recorde, houve uma guerra, e os médicos tal como os outros licenciados, terminavam as licenciaturas antes de partir, mas só continuavam as respectivas carreiras, depois de regressarem.
Os que regressaram.
Quanto a licenciaturas na Área da Saúde, Sra Dra , pareceu-me que se falava da Licenciatura em Medicina, e não em Folclore.
Aliás, uma das razões, que vejo ser apontada, para que não existam Licenciaturas em Medicina no Ensino Privado, é o seu elevado custo, e o facto de necessitarem da autorização dos doentes, que estando internados num Hospital Privado, podem, com todo o direito, recusá-la.
E as Faculdades Privadas, existem para ganhar dinheiro, não para perder dinheiro.
Quanto à falta de rigor por parte dos médicos, que trabalhavam nos Hospitais e na Medicina Privada, o trabalho privado processava-se  na esmagadora maioria dos casos, após o Serviço Hospitalar, e relembro à Sra Dra , que os Médicos, dessa época que a Sra critica, recebiam um ordenado de Funcionário Público Administrativo, não tinham estatuto de Quadro Técnico. Mas também lhe digo, que o não reivindicaram. O dinheiro, não era o objectivo máximo da vida, nessa época.
Por isso  Exma Sra Dra , os vi trabalhar aos sábados aos domingos aos feriados, durante as Férias, e aparecerem a qualquer hora da noite, para reavaliarem um doente que os preocupasse. E alguns que conheci, Sra Dra , trabalhavam também em regime de voluntariado nos Serviços de Urgência, e não só, durante os últimos anos das licenciaturas, durante os internatos,  e  até depois.
Desejo à Sra Dra , as maiores felicidades, e espero que venha a dedicar tanto da sua vida ao seu Serviço, como aqueles que agora critica, fizeram.

M.C.E.L.
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De Adriana Gaspar da Rocha a 27.08.2009 às 13:54

Caro(a) Sr(a) MCEL,

vamos lá por partes:

Ponto 1: "não houve rigor por parte de alguns médicos que trabalhavam na Função Pública e no Privado em simultâneo", não me referia à falta de competência nem de boa vontade; referia-me ao horário de trabalho. E não vale a pena defender uma pequena minoria, porque a esmagadora maioria fazia-o e se pudesse continuaria a fazê-lo. E porquê? Simplesmente porque podiam fazer. Por isso, é fundamental criar e cumprir regras. E só agora (como cidadã) começo a sentir que a existência dessas regras.

Ponto 2: "os Médicos, dessa época que a Sra critica, recebiam um ordenado de Funcionário Público Administrativo, não tinham estatuto de Quadro Técnico. Mas também lhe digo, que o não reivindicaram. O dinheiro, não era o objectivo máximo da vida, nessa época. Por isso  Exma Sra Dra , os vi trabalhar aos sábados aos domingos aos feriados, durante as Férias, e aparecerem a qualquer hora da noite, para reavaliarem um doente que os preocupasse. E alguns que conheci, Sra Dra , trabalhavam também em regime de voluntariado nos Serviços de Urgência, e não só, durante os últimos anos das licenciaturas, durante os internatos,  e  até depois."
Possivelmente não estamos a falar do mesmo "espaço temporal" e, possivelmente, está a referir-se a uma minúscula minoria. Trabalhar Domingos e Feriados, sim cabe a todos fazer turnos e, alguns, até ganham mais por isso. E Férias? Pela Santa, não vamos enganar o ceguinho.

Os médicos têm os deus direitos e os seus deveres. E não vamos pelos extremos: nem são todos maladrões como $ nos olhos, nem são todos a nova versão da Madre Teresa de Calcutá. Há de tudo.

Ponto 3: Para mim, licenciaturas na área da saúde inclui a Medicina, a Enfermagem e todas as Tecnologias da Saúde. Porque o sistema de saúde necessita de todos estes profissionais.
E mantenho a minha opinião: as escolas privadas não têm capacidade de licenciar muitos dos cursos que licenciam, muito menos a Medicina. E não é por causa de não haver um Hospital por trás; é mesmo pelo objectivo que referiu: o de ganhar dinheiro!!!!

Adriana
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De A.S.M. a 28.08.2009 às 02:19

Sra Dra Adriana

O Sr, suponho que seja Sr, que escreveu aquele comentário, referia-se à época em que a Ilustre Doutora ainda não tinha nascido.
Eu trabalhei nos H.C.L. Fui Enfermeiro toda a vida, e sei, que o que ele escreveu foi verdade.
Foi Srª Drª, mas já não é! Nem voltará a ser!
Nem na Medicina, nem na Enfermagem.
A Srª Drª vem aqui fazer propaganda dos políticos que desmantelaram o Serviço Hospitalar, quando a Srª Drª, nem conheceu a vida nesses Hospitais. Nem trabalhou com os cirurgiões de há 40 anos. Sabe lá o que eles e nós fazíamos.
E de como a nossa Medicina era reconhecida no Estrangeiro.
Vinte seis anos, no primeiro ano, menina doutora, é já fala de tão alto. Os nossos, com essa idade, já tinham acabado o curso, e trabalhavam há três ou quatro anos.
E Srª Drª, ensinei, muitos dos mais novos a tirar sangue a dar injecções,  sem preconceitos  Srª Drª, porque eles estavam ali para aprender tudo, e havia respeito e amizade verdadeira entre nós.
Não é saudosismo. É a constatação da realidade, agora tão tecnológica, tão inovadora, e afinal com as marcas da decadência.

Mas a Srª Drª, não respondeu à pergunta que lhe fizeram.
Porque foi instituido o númerus clausus em Medicina, e depois em Enfermagem?
É porque é isso, que todos nós, contribuintes, que sustentamos o país com os nossos impostos, queremos saber.
E a Exmª Srª Drª afirmou estar capacitada para discutir esta questão. Então faça-nos o subido favor de responder.

Com os meus respeitos.

A.S.M.
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De ZÉ POVINHO a 28.08.2009 às 02:28

Quando refere os vinte e seis anos no primeiro já mostra preconceitos Exma Dra.

Está a assumir que todos têm dinheiro para entrar na faculdade aos 17 ou 18 como provavelmente a Exma. Dra. teve.
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De Zé Plebeu mas Monárquico com Muita Honra a 28.08.2009 às 02:49

O que os outros assumem não sei, mas essa conversa de falso Zé Povinho, conheço de gingeira, e a entrada em Medicina, não é por dinheiro é por nota.
Portanto, eu também quero saber porque foi instituido o tal Númerus Clausus, em Medicina, e porquê.

Ou respondes tu, ou responde a Srª Drª ali de cima.

Zé Plebeu, mas Monárquico com muita honra 
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De ZÉ POVINHO a 28.08.2009 às 10:28

Eu respondo idiota.

Mas se a Exma Dra. quiser também pode responder. Aqui cagar tacos é livre.

A entrada em Medicina é por nota, e certo.

As suas capacidade dedutórias espantam.

1. Como sabe o senhor, se pode mesmo que seja pagar as propinas e os livros? As propinas não são tão baratas como isso e livros de Medicina são tudo menos baratos.
2. Conhece se a família pode suportar vários anos com um salário a menos a entrar em casa? Em grande parte das casas deste país o dinheiro é contado mensalmente ao Euro. Cem euros no arranjo do carro rebenta com o orçamento familiar, um salário a menos é de todo incomportável. Para algumas famílias que já vivem melhor, um salário a menos durante vários anos, implica fazerem um credito estudante, mais um a juntar à asfixia dos outros.
3. Foi informado de qualquer outra razão apresentada pela Dra. para estar com 26 anos no primeiro ano? Outro curso anterior? Doença? Nascimento de filhos? Viagem de volta ao mundo? Prisão? Não. Nem tem que saber, que não lhe diz respeito.

Tal como não lhe diz respeito o facto de ter 26 anos e estar no primeiro ano. Puro preconceito pacóvio português.

É verdade, eu também tive o privilégio de não pessoalmente essas dificuldades, como obviamente o senhor também não teve, caso contrário teria deduzido pelo menos uma delas.

Pelo menos tenho dois neurónios activos e consigo ver que nem todos têm ou tiveram os mesmos privilegias que eu.
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De Adriana Gaspar da Rocha a 28.08.2009 às 15:06

Olá a todos, novamente.

Quando referi factos da minha vida, não tinha intenção que eles fossem comentados neste blog.
Mas já que foram, passo a dar algumas informações que podem fazer-vos perceber que em nada as minhas palavras foram preconceituosas.

Aos 18 anos concorri à faculdade e fiquei fora de Medicina por meio valor. Não baixei os braços e fiz a minha licenciatura numa escola pública (com o apoio financeiro dos meus pais). Passados 4 anos, tive a felicidade de conseguir emprego na minha área (num hospital), onde estive durante 4 anos e meio. Durante esse tempo, apiquei o meu ordenado nas propinas duma pós-graduação e de um mestrado, na ajuda em casa e na compra de um carro em 2.ª mão. Dei também aulas no ensino superior e fui orientadora de estágio. Finalmente, aos 26 anos, decidi concorrer a Medicina. Entrei. Mudei de emprego, para um onde estou em part-time e a ganhar muito menos, mas que me permite sobreviver e assistir a algumas aulas. E não, não tenho filhos, nem uma casa para pagar ao banco. Se tivesse, as coisas mudavam de figura. E sim, custa muito "hipotecar" a vida durante 6 ou 7 ou 8 anos, e fazer as contas todos os meses, não poder viajar, não poder comprar uma blusa só porque se gosta, pedir livros emprestados. Mas a escolha foi minha, a luta é minha e com sangue, suor e muitas lágrimas, vou conseguir fazer este curso e depois agradecer às pessoas que me disseram "Coragem".
Ainda tento perceber como é que é que os factos da vida duma pessoa influenciam a nossa opinião sobre ela.

Numerus clausus? Porque é que me perguntam a mim? Não fui eu que criei. E já fui "vítima" deles", também já fiquei de fora...
Que eu saiba não existe só em Medicina, existem em todos os cursos.

Sempre houve profissionais muito bons e aplicados. Ainda há e espero continuar a haver (e vou trabalhar para o ser). Mas vamos lá ser honestos: quantos de nós nunca criticou um médico por ele ter saído mais cedo do Centro de Saúde? ter "despachado" a consulta? ter sido mais arrogante?

Foi isso que referi no meu primeiro comentário: as coisas estão a mudar para melhor (agora todos têm de marcar o ponto, as horas de entrada e saída são controladas); há muita coisa ainda a corrigir, mas daqui a 10, 15 anos teremos médicos em excesso em algumas especialidades.

Adriana

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