O facto do poder terreno ser de césares não pode inibir os homens e as mulheres de Deus de clamarem contra os vendilhões do templo - a frase de César serve para muita coisa, como se vê, por esta sua interpretação. O Rui que defende a separação entre César e Deus, como Louçã, não vê razão de crítica nos padres da Baixa de Lisboa que fazem um despudorado apelo ao voto em Santana, só olha para o que lhe interessa - a crítica a Louçã por causa do padre-mandatário. Ficava-lhe bem zurzir em todos, já que acha que Deus não deve sair da sacristia.
Eu pelo contrário: acho que Deus tem de sair da sacristia, abrir as portas das igrejas e ser-se mandatário. O que já não entendo é que o púlpito seja usado para o apelo ao voto, ou ou que Jardim se instale vendilhão no templo. Há diferenças óbvias, só Rui prefere atirar a pedra sem saber que também peca.
Está equivocado: discordo totalmente que padres apelem ao voto em Santana, Costa, Fazenda, etc., seja em que partido for.
Mas notável, notável é Louçã, o puro, meter um padre como mandatário do Bloco. Onde está a coerência?
Pode ser faccioso, se quiser, porque a resposta é muito simples.
meu caro, não sou faccioso de Louçã, se é isso que pretende dizer, mas em todo o caso anda distraído: já não é a primeira vez que há padres-mandatários do Bloco, mas têm havido muitos mais exemplos de padres ao lado do CDS e do PSD, e muitos deles no púlpito, que aí é lugar bem distinto...
Já disse que tal não é correcto. Do mesmo modo que um juíz ou militar não deve fazer política, também os padres devem saber que o seu Reino não é deste Mundo. Não quer isto dizer que nõ se pronunciem, não devem é fazer campanhas por partidos políticos.
Mas a questão é que Louçã condena um padre que apele ao voto no CDS ou no PSD, mas integra um padre como mandatário, o que obviamente significa que ele espera que este apele - como está a apelar - ao voto no Bloco.
É só uma questão de coerência, ou de fata dela.
Custa assim tanto assumir que a atitude de Loução não é agora correcta ou que, pelo menos, é contraditória com o seu anterior comportamento?
Eu sei, dá jeito ter um padre...
A mim, tanto se me faz como se me deu que Louçã "tenha" um padre. Noto que o Rui não criticou os padres da Baixa de Lisboa, pela sua causa política! Talvez porque não dê jeito ter "césares" em casa. E, mais importante ainda: o Reino é deste mundo, é neste mundo que devemos lutar pela justiça, pela opção preferencial pelos pobres. Os padres são deste mundo, para padres alienados já nos bastam os que vivem numa redoma e esquecem-se dos homens e mulheres que devem servir.
Equivocado, novamente: eu discordei da participação política de padres nas campanhas eleitorais no meu comentário das 2.23 minutos.
E disse no das 2.32 que evidentementeos padres e a Igreja deve pronunciar-se sobre os assuntos terrenos, o que não devem é apelar ao voto num determinado partido político, como Louçã há 4 anos correctamente denunciou.
É um facto que o Bloco está em contradição com a frase de 2005 que Loução dirigiu aos seus adversários.
Isto é tão óbvio, que não percebo como se pode sustentar coisa diversa.
Em 2005 já houve padres-mandatários do Bloco. Louçã denuncia e bem o pregar do púlpito, que não é a mesma coisa que ser-se mandatário. Mas quem está equivocado é o Rui. Começou por dizer que a César o que é de César. Agora, já admite que "os padres e a Igreja deve[m] pronunciar-se sobre os assuntos terrenos", ou seja meter-se onde César erra, onde César espezinha, onde César é injusto.
Não vale a pena. O padre mandatário do Bloco por Viseu apelou ao voto no Bloco, de Biblia na mão, com um discurso claramente incompatível com a isenção a que está eticamente obrigado. Mas reonheço que agora dá jeito... Têm é de assumir.
Quanto a César, a frase tem um contexto que deve conher: os primeiros cristão não queriam pagar impostos e Cristo explicou-lhes, com uma moeda romana que tinha a efídie de César, que aquela moeda perteria a Roma e não a Deus.
Só um idiota diria que a Igreja e os padres não se devem pronunciar sobre a pobreza, as desigualdades, mas também, e agora já não interessa, a quebra dos valores morais da sociedade, o aborto, a eutanásia, o consumo de drogas, o casamento homossexual, as adopções por homossexuais, etc., etc. Claro que neste últimos casos, já dirão que não, os padres não se podem meter nesses assuntos.
Meu caro: reconheça que, pelo menos nesta questão, o Bloco é incoerente. Evitava que o assunto fosse sendo esmiuçado até se revelar em toda a extensão a duplicidade desse partido que, julgo, continua a considerar a religião como o ópio do povo.
E o PSD e o CDS são coerentes, nestas matérias?! Claro que não. Mas isso não lhe interessa apontar.
Já agora: eu acho que a Igreja e os padres - e mais ainda os leigos, pois claro! - devem pronunciar-se sobre esses temas todos. Se me conhecesse saberia bem isso. Mas, e aqui sublinho a diferença, já não interessa à direita dizer que há padres (e bispos) e muitos leigos que pensam de modo diferente do seu em matérias como as que enumera, como se viu por exemplo no referendo sobre a despenalização ou no caso de Eluana em Itália. Os padres devem discutir todos estes assuntos, mas nem todos pensam "à direita". Os leigos devem discutir esses assuntos, mas muitos como eu defendemos a despenalização, discutimos o testamento vital, reflectimos a adopção por homossexuais, aplaudimos o amor entre todos, independentemente da sua orientação, porque estas matérias não são dogmas de fé nem essenciais à fé.
Claro que nestes casos dá muito jeito à direita pegar nos padres que lhes interessam, mas mais jeito dá sacudir os padres que agitam as questões sociais, que trabalham e denunciam injustiças, como aconteceu com o antigo bispo de Setúbal, que muitos quiseram apelidar de "vermelho", como aconteceu com o padre Edgar Silva, na Madeira, que o bispo e o governo PSD trataram de ostracizar... Como vê, os idiotas estão em todo o lado, mas o (ab)uso do Evangelho tem sido prerrogativa à direita, como se a esquerda não fosse compatível com o cristianismo. É-o e muito.
De Mafalda a 12.09.2009 às 03:39
O Que eu quero saber, no meio dessa sua demagogia barata, é quem é que decide quando é que eu morro!
O Eu, aqui significa todos os seres humanos deste mundo.
Quem decide desligar o ventilador, ou admistrar-me o tal Diprivan.
Os herdeiros ansiosos?
A família farta?
O hospital, que precisa das camas e dos ventiladores em rotação, até porque quanto mais rodarem mais rendem, em dinheiro, claro!?
O Estado, que despachando-me rapidamente, não me paga nem mais Tratamentos, nem Reforma, se for o caso, e pode gastar essa verba com amigos, primos e conhecidos?
Não lhe passe pela cabeça, nem pela sua, nem pela das criaturas como você, que nos vão despachar assim rápidamente, como fizeram com os desgraçados dos fetos, quando entregaram ás Clínicas Espanholas, o negócio do aborto.
Porque convenhamos, era isso que estava em questão. O resto foi folclore, para deitar poeira nos olhos dos eleitores.
Só que desta vez, é tudo denunciado!
E escusa de vir com a conversa da Igreja e das Religiões, que eu não sou crente.
Mas respeito a vida Humana como Sagrada!
Mafalda
De Mafalda a 12.09.2009 às 03:51
Exactamente, Sr Miguel Marujo!
É para si.
Mafalda
a senhora não percebeu nada do que estou para aqui a dizer, nem o nível de debate parece ser o mais saudável. por isso, continuo sem perceber porque carga de água é que aquilo é para mim...
Meu caro, há um pequeno pormenor: é suposto os padres acreditarem em Deus e não me parece que o marxismo perfilhado por Louçã, líder do BE, seja do mesmo parecer. Desculpee, mas quando foi do referendo do aborto, era a esquerda em peso a dizer que os padres e a Igreja não se deviam meter (registo a sua posição diferente).
Quanto à compatibilidade da esquerda com o Evangelho, tomara que assim fosse, pelo menos no caso dos comunistas: acretidam eles em Deus, no Dogma da Santíssima Trindade, na Ressureição do Senhor, etc., etc.?
Não me parece, infelizmente, e a verdade é que a Igreja não é uma IPSS. Faz obra social comparável à do próprio Estadon (e que muito antes deste começou), mas não é apenas uma associação de solidariedade.
E digo-lhe que tenho difculdade em ver um padre aceitar o aborto como legítimo, a eutanásia como aceitável, o casamento gay como feito à imagem de Deus e por aí fora.
Não contesto o seu direito: só me parece que deveriam ter a coerência de sair de uma congregação que rejeita liminarmente tais ideias.
Além do mais, sabe, o comunismo (não estou a insinuar que o seja) perseguiu e persegue ainda (China, Coreia do Norte, etc.), não só a Igreja comoos crisãos e isso não me parece muito de acordo com os Envangelhos (ironia)...
- há outro grande pormenor: o neoliberalismo e o liberalismo anti-doutrina social de Igreja, perfilhados por CDS e PSD, também nos atiram contra Deus...
- a minha posição diferente era a de muitos, sobretudo dentro da Igreja...
- peço desculpa: quem é o senhor para julgar a minha fé sobre se devo sair da Igreja?! ("não julgueis para não serdes julgados", ou agora já não dá jeito?)...
- já agora: "a congregação" rejeita essas ideias? qual? a do Vaticano que condena o preservativo, ou a dos missionários em África que combatem a sida com preservativos? a sua "congregação" que rejeita essas ideias ou da Igreja inscrita no Vaticano II que defende a alteridade e o amor ao próximo, não se vinculando a dogmas naquilo que é acessório e não matéria de fé...
- o comunismo perseguiu, como persegue(iu) o neoliberalismo e o fascismo e o nazismo, ou Pinochet, Franco e Salazar não dão jeito?
- ser-se de esquerda é ser-se comunista? linda "arrumação", essa...
- a compatibilidade da esquerda com o cristianismo mede-se na doutrina social da Igreja, não em regimes que perseguem quem pensa diferente, da extrema-direita à extrema-esquerda.
sem ironias: o senhor adora atirar pedras, mas eu católico baptizado dispenso bem lições de fé e teologia. a minha Igreja faz-se de pontes e diálogo, com os fariseus e os pecadores, não contra o mundo, noutro "Reino", enquanto espezinho os pobres, os ciganos, os do rendimento mínimo...
De Mafalda a 12.09.2009 às 04:23
Sr Miguel Marujo
Esqueci-me de reforçar há pouco, e de novo, que a Vida Humana para mim é Sagrada, pelo que não sou óbviamente defensora da Pena de Morte.
E já agora, quando tiver tempo, ainda há-de fazer o favor de nos explicar quem são os Pecadores e os Fariseus. Esses, com quem o Sr defende o diálogo e as pontes.
E também lhe fico grata se um dia nos explicar, que diabo de Justiça Social é esta, que dá reformas de cerca de 250 euros por mês a quem trabalhou e descontou para a Segurança Social 40 anos, e mais de 700 euros por mês a quem nunca fez nada de útil na vida, nem descontou 1 cêntimo que fosse para a dita Segurança Social.
Mafalda
De Mafalda a 12.09.2009 às 02:54
Olhe Miguel Marujo, eu sou dos que não votam. Por opção!
E uma das inúmeras razões porque todo este circo me enoja, é a imensa Demagogia da autodenominada Esquerda, seja a do Centro, seja a das Cadeiras da Ponta Esquerda.
Em retórica parola, em mentira, em incompetência em corrupção, e em desvios totalitários, batem aos pontos qualquer Direita Radical!
Mafalda
De Mafalda a 12.09.2009 às 03:46
Para mim, esse tipo de resposta não serve! E também dispenso o interruptor, porque neste caso, quando se desliga, não se pode voltar a ligar.
A morte é definitiva! Irremediável!
Portanto fico à espera que o Sr Miguel Marujo, explique, quem decide, quando e como, os outros Seres Humanos devem morrer.
Mafalda
Mafalda, pergunte aos médicos todos os dias quem decide quem morre. Eles lhe dirão, das angústias, das dúvidas. Ah, e espero que não seja a favor da pena da morte, em caso algum.
De Mafalda a 12.09.2009 às 04:08
Sr Miguel Marujo
Ponto 1, percebi muito bem a sua retórica.
Ponto 2, vejo que também me percebeu, já que foi o Sr, quem falou na Eutanásia, quando referiu a Eluana.
Ponto 3, não atire para cima dos Médicos a questão da Eutanásia, porque tal como o Aborto, não é, nunca foi nem nunca será ,uma questão médica.
É uma questão política!
E eu quero saber porque têm certos sectores políticos tanto empenho em nos apressar o fim.
Tão simples quanto isto!
Porquê?
Mafalda
1. Ainda bem que percebeu, porque não parece.
2. Quem puxou da eutanásia e outras questões morais foi o autor do post, Rui, num comentário. Eu comentei.
3. Os médicos têm todos os dias esses dilemas. Os ventiladores que faltam, os doentes que entram em falência multiorgânica. É uma questão ética, vivida por médicos, enfermeiros, familiares.
4. Sou político, como é a Mafalda - cidadãos da Cidade. Mas não quero apressar o fim de ninguém, como acusa. Conspirações não fazem o meu género.
De Mafalda a 12.09.2009 às 04:38
Sr Miguel Marujo
Não adianta escamotear a questão.
A questão é a Eutanásia, não é a morte por falência múltipla de orgãos, pelo que os problemas diários de Médicos e Enfermeiros não fazem parte deste filme.
E que eu saiba, um dos grandes defensores da Eutanásia, sob a suave designação de Interrupção da Vida é o Bloco de Esquerda, não é o Sr Rui. E quem se referiu à Eluana foi o Sr Miguel, por isso eu perguntei:
Porque têm certos sectores políticos, tanta empenho em nos apressar o fim?
E já agora, um pequeno reparo, eu não sou cidadã, da cidade, sou Portuguesa e mulher do Campo.
Mafalda
Fui clara?
Claríssima como a água. Insisto, exemplifiquei com Eluana, quando Rui falou da eutanásia, e a reflexão que muitos padres e religiosos italianos fizeram. Digamos que naquele caso não houve pressa nenhuma em desligar a máquina: foram 17 anos, de uma vida vegetativa. É uma vida estranha.
Mas fiquei esclarecido sobre o seu conceito de vida. A vida é toda sagrada, excepto a de quem cai na miséria e não tem outra possibilidade se não aquela que o Estado lhe dá. Preocupe-se mais com os milhões que o Estado dá aos banqueiros que mantêm lucros, do que os feijões que o Estado perderá nas fraudes (minoritárias) do rendimento mínimo.
E percebeu mal, a da Cidade: falava com maiúscula, da Pólis, cidadã deste país. Se não sabe isto, fique-se com a pretensa ruralidade.
E volto a insistir: a questão é médica e ética, a senhora é que nos quer atirar areia para os olhos, como se não houvesse dúvidas éticas todos os dias para os profissionais de Saúde. Espere pelo surto máximo de gripe A e quando for necessário escolher quem tem ventilador. Passe bem, e com menos azia, já agora.
De Ega a 12.09.2009 às 11:55
Sra. D. Mafalda:
Desculpe a intromissão e o facto de não acompanhar o debat desde o início. Apenas um aparte, permita:
Os políticos não têm propriamente pressa em matar os doentes graves. Os políticos têm é pressa e necessidade de arranjar temas controversos e pretensamente modernos para desviar a nossa atenção sobre a sua absoluta inépcia.
Vai daí: eutanásia, casamento gay, aborto... Até as criancinhas valem nesse alvoroço e toca a discutir a adopção por casais homo. Tudo assuntos modernos, como na estranja evoluida se discutem já.
Está a ver? Entretanto, o emprego, a economia, o ensino ficam sossegadinhos e ninguém se lembra de recorrer ao velho sistema da lapidação - apedrejando convictamente a classe politico-partidária que nos trouxe aonde chegámos.
Uma vez mais, as minhas desculpas pela intromissão.
De Ega a 12.09.2009 às 02:57
A frase não é de César. É dos desgraçados dos gladiadores que se matavam para o divertir e entreter o povo, enquanto Roma se derretia na sua economia e finanças. É como agora: liberalização do cannabis e legalização do casamento homo, mais uns desconchavos obre as questões importantes. E nós vamos na conversa. Consulte Platão e Arstóteles (não o Sócrates) e escolha entre os tiranos, os oligarcas e os demagogos.
Pão e circo - então como agora. E nós votamos na tragicomédia. Assim vai a nossa liberdade.
De Marquesa de Carabás a 12.09.2009 às 12:18
Carissimo senhor Ega,
Que falta fazia aqui um homem desta cêpa, ataviado de polaina e suspensório, certamente e, como manda o decoro, para fazer face ao discurso escorrido do senhor Respública (que não há meio de aparecer hoje).
Brindo-o de imediato com um estufado de lebre que pode acompanhar de uma pêras nacionais, previamente descascadas e descaroçadas, quiçá , pour moi même.
(Que disto não aparece todos os dias e há que aproveitar.)
Um lindo fim de semana para si
A Marquesa das empadinhas
De Ega a 12.09.2009 às 12:37
Sra. Marquesa:
V. Ex.cia confunde-me. Polainas só mais lá para a frente, quando o frio apertar. Para já, noto que V. Exc.ia não ficou indiferente ao verniz dos meus sapatos e à meiazinha escarlate.
A ementa, Sra. Marquesa, apresenta-se-me divina. Sintra, Sra. Marquesa, Sintra, repasto em Seteais. Já o amigo Alencar e o Respublica M. Guimaren louvam esses sonhos culinários.
E antes do lunch, nada como um bocadinho de política para aguçar o apetite, não é verdade?