Equivocado, novamente: eu discordei da participação política de padres nas campanhas eleitorais no meu comentário das 2.23 minutos.
E disse no das 2.32 que evidentementeos padres e a Igreja deve pronunciar-se sobre os assuntos terrenos, o que não devem é apelar ao voto num determinado partido político, como Louçã há 4 anos correctamente denunciou.
É um facto que o Bloco está em contradição com a frase de 2005 que Loução dirigiu aos seus adversários.
Isto é tão óbvio, que não percebo como se pode sustentar coisa diversa.
Em 2005 já houve padres-mandatários do Bloco. Louçã denuncia e bem o pregar do púlpito, que não é a mesma coisa que ser-se mandatário. Mas quem está equivocado é o Rui. Começou por dizer que a César o que é de César. Agora, já admite que "os padres e a Igreja deve[m] pronunciar-se sobre os assuntos terrenos", ou seja meter-se onde César erra, onde César espezinha, onde César é injusto.
Não vale a pena. O padre mandatário do Bloco por Viseu apelou ao voto no Bloco, de Biblia na mão, com um discurso claramente incompatível com a isenção a que está eticamente obrigado. Mas reonheço que agora dá jeito... Têm é de assumir.
Quanto a César, a frase tem um contexto que deve conher: os primeiros cristão não queriam pagar impostos e Cristo explicou-lhes, com uma moeda romana que tinha a efídie de César, que aquela moeda perteria a Roma e não a Deus.
Só um idiota diria que a Igreja e os padres não se devem pronunciar sobre a pobreza, as desigualdades, mas também, e agora já não interessa, a quebra dos valores morais da sociedade, o aborto, a eutanásia, o consumo de drogas, o casamento homossexual, as adopções por homossexuais, etc., etc. Claro que neste últimos casos, já dirão que não, os padres não se podem meter nesses assuntos.
Meu caro: reconheça que, pelo menos nesta questão, o Bloco é incoerente. Evitava que o assunto fosse sendo esmiuçado até se revelar em toda a extensão a duplicidade desse partido que, julgo, continua a considerar a religião como o ópio do povo.
E o PSD e o CDS são coerentes, nestas matérias?! Claro que não. Mas isso não lhe interessa apontar.
Já agora: eu acho que a Igreja e os padres - e mais ainda os leigos, pois claro! - devem pronunciar-se sobre esses temas todos. Se me conhecesse saberia bem isso. Mas, e aqui sublinho a diferença, já não interessa à direita dizer que há padres (e bispos) e muitos leigos que pensam de modo diferente do seu em matérias como as que enumera, como se viu por exemplo no referendo sobre a despenalização ou no caso de Eluana em Itália. Os padres devem discutir todos estes assuntos, mas nem todos pensam "à direita". Os leigos devem discutir esses assuntos, mas muitos como eu defendemos a despenalização, discutimos o testamento vital, reflectimos a adopção por homossexuais, aplaudimos o amor entre todos, independentemente da sua orientação, porque estas matérias não são dogmas de fé nem essenciais à fé.
Claro que nestes casos dá muito jeito à direita pegar nos padres que lhes interessam, mas mais jeito dá sacudir os padres que agitam as questões sociais, que trabalham e denunciam injustiças, como aconteceu com o antigo bispo de Setúbal, que muitos quiseram apelidar de "vermelho", como aconteceu com o padre Edgar Silva, na Madeira, que o bispo e o governo PSD trataram de ostracizar... Como vê, os idiotas estão em todo o lado, mas o (ab)uso do Evangelho tem sido prerrogativa à direita, como se a esquerda não fosse compatível com o cristianismo. É-o e muito.
De Mafalda a 12.09.2009 às 03:39
O Que eu quero saber, no meio dessa sua demagogia barata, é quem é que decide quando é que eu morro!
O Eu, aqui significa todos os seres humanos deste mundo.
Quem decide desligar o ventilador, ou admistrar-me o tal Diprivan.
Os herdeiros ansiosos?
A família farta?
O hospital, que precisa das camas e dos ventiladores em rotação, até porque quanto mais rodarem mais rendem, em dinheiro, claro!?
O Estado, que despachando-me rapidamente, não me paga nem mais Tratamentos, nem Reforma, se for o caso, e pode gastar essa verba com amigos, primos e conhecidos?
Não lhe passe pela cabeça, nem pela sua, nem pela das criaturas como você, que nos vão despachar assim rápidamente, como fizeram com os desgraçados dos fetos, quando entregaram ás Clínicas Espanholas, o negócio do aborto.
Porque convenhamos, era isso que estava em questão. O resto foi folclore, para deitar poeira nos olhos dos eleitores.
Só que desta vez, é tudo denunciado!
E escusa de vir com a conversa da Igreja e das Religiões, que eu não sou crente.
Mas respeito a vida Humana como Sagrada!
Mafalda
De Mafalda a 12.09.2009 às 03:51
Exactamente, Sr Miguel Marujo!
É para si.
Mafalda
a senhora não percebeu nada do que estou para aqui a dizer, nem o nível de debate parece ser o mais saudável. por isso, continuo sem perceber porque carga de água é que aquilo é para mim...
Meu caro, há um pequeno pormenor: é suposto os padres acreditarem em Deus e não me parece que o marxismo perfilhado por Louçã, líder do BE, seja do mesmo parecer. Desculpee, mas quando foi do referendo do aborto, era a esquerda em peso a dizer que os padres e a Igreja não se deviam meter (registo a sua posição diferente).
Quanto à compatibilidade da esquerda com o Evangelho, tomara que assim fosse, pelo menos no caso dos comunistas: acretidam eles em Deus, no Dogma da Santíssima Trindade, na Ressureição do Senhor, etc., etc.?
Não me parece, infelizmente, e a verdade é que a Igreja não é uma IPSS. Faz obra social comparável à do próprio Estadon (e que muito antes deste começou), mas não é apenas uma associação de solidariedade.
E digo-lhe que tenho difculdade em ver um padre aceitar o aborto como legítimo, a eutanásia como aceitável, o casamento gay como feito à imagem de Deus e por aí fora.
Não contesto o seu direito: só me parece que deveriam ter a coerência de sair de uma congregação que rejeita liminarmente tais ideias.
Além do mais, sabe, o comunismo (não estou a insinuar que o seja) perseguiu e persegue ainda (China, Coreia do Norte, etc.), não só a Igreja comoos crisãos e isso não me parece muito de acordo com os Envangelhos (ironia)...
- há outro grande pormenor: o neoliberalismo e o liberalismo anti-doutrina social de Igreja, perfilhados por CDS e PSD, também nos atiram contra Deus...
- a minha posição diferente era a de muitos, sobretudo dentro da Igreja...
- peço desculpa: quem é o senhor para julgar a minha fé sobre se devo sair da Igreja?! ("não julgueis para não serdes julgados", ou agora já não dá jeito?)...
- já agora: "a congregação" rejeita essas ideias? qual? a do Vaticano que condena o preservativo, ou a dos missionários em África que combatem a sida com preservativos? a sua "congregação" que rejeita essas ideias ou da Igreja inscrita no Vaticano II que defende a alteridade e o amor ao próximo, não se vinculando a dogmas naquilo que é acessório e não matéria de fé...
- o comunismo perseguiu, como persegue(iu) o neoliberalismo e o fascismo e o nazismo, ou Pinochet, Franco e Salazar não dão jeito?
- ser-se de esquerda é ser-se comunista? linda "arrumação", essa...
- a compatibilidade da esquerda com o cristianismo mede-se na doutrina social da Igreja, não em regimes que perseguem quem pensa diferente, da extrema-direita à extrema-esquerda.
sem ironias: o senhor adora atirar pedras, mas eu católico baptizado dispenso bem lições de fé e teologia. a minha Igreja faz-se de pontes e diálogo, com os fariseus e os pecadores, não contra o mundo, noutro "Reino", enquanto espezinho os pobres, os ciganos, os do rendimento mínimo...
De Mafalda a 12.09.2009 às 04:23
Sr Miguel Marujo
Esqueci-me de reforçar há pouco, e de novo, que a Vida Humana para mim é Sagrada, pelo que não sou óbviamente defensora da Pena de Morte.
E já agora, quando tiver tempo, ainda há-de fazer o favor de nos explicar quem são os Pecadores e os Fariseus. Esses, com quem o Sr defende o diálogo e as pontes.
E também lhe fico grata se um dia nos explicar, que diabo de Justiça Social é esta, que dá reformas de cerca de 250 euros por mês a quem trabalhou e descontou para a Segurança Social 40 anos, e mais de 700 euros por mês a quem nunca fez nada de útil na vida, nem descontou 1 cêntimo que fosse para a dita Segurança Social.
Mafalda