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A conversão de Louçã

por Rui Crull Tabosa, em 12.09.09

Em 2005, nas vésperas das últimas eleições legislativas, Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda, sentenciava que é triste que "um pároco utilize a Igreja e a responsabilidade que tem para fazer campanha política pelo PSD e o PP. É uma vergonha".

Concordo. A César o que é de César.

Surpreendente é que agora, em 2009, o mesmo Francisco Louçã aceite que um padre católico seja mandatário do Bloco de Esquerda pelo círculo de Viseu nas eleições do próximo dia 27.

Para Louçã, agora os ministros da Igreja Católica já podem fazer campanha política, desde que, claro está, o façam pelo seu Bloco.

Esclarecedor. É caso para dizer bem prega Frei Louçã...

Porém, como acredito na salvação das almas, faço votos sinceros para que Francisco tenha finalmente começado a trilhar, como Saulo de Tarso, a sua estrada de Damasco...


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Joana Pacheco de Amorim a 12.09.2009 às 13:48

Do ponto de vista do estado, parece-me que o facto de se ser padre não retira qualquer tipo de direito a participar na vida política; a discussão só se coloca em termos de Igreja - e a Igreja é muito clara - a maior parte das causas defendidas pelo BE são condenadas pela Igreja.
  A tolerância para com os pecadores não é tolerância com o pecado, e o perdão implica arrependimento. Aquela que diz ser a sua Igreja, Miguel Marujo, fez-se contra o
mundo: contra  judeus, contra romanos e gregos, contra tudo o que era o "pensamento moderno" de então, contra tudo o que era políticamente vantajoso. A recusa de prestar culto ao imperador levou à morte centenas de milhares de cristãos e, no entanto, toda a gente sabia que ninguém levava a sério a divindade desse imperador; hoje em dia esses primeiros mártires eram irremediavelmente acusados de fanatismo e estupidez, mas a verdade é que o que eles fizeram foi levar a sério as palavras de Jesus Cristo, que disse muito claramente que mais vale perder a vida do que perder a alma. Esse padre do BE está claramente fora da Igreja, mas não o diz, o que levará muitas pessoas mal informadas a pensar que o aborto não é pecado - e isso,de novo, nos remete para Jesus Cristo, que nos falou dos lobos com pele de cordeiro.

 O chavão do "eu cá não vou em dogmas" é uma coisa porreira para aceitar, do Evangelho, o que agrada, e recusar o que é mais duro de pôr em prática!

  A sua Igreja, Miguel Marujo, o Vaticano que tão moralísticamente despreza, pelos vistos não tem nada que lhe agrade - porque motivo insiste em chamar-lhe a "sua Igreja"?  E não me venha dizer que não tenho o direito de julgar a sua fé - tenho todo o direito de julgar uma posição tomada públicamente, da mesma maneira que você julga o Vaticano com acusações gratuitas e completamente infundadas ("...noutro "Reino", enquanto espezinho os
pobres, os ciganos, os do rendimento mínimo...
").

  Você, o padre do BE e mais uns quantos julgam que podem dizer ao mesmo tempo "estou dentro" e "estou fora"?

   Lutero foi muito mais coerente!!!


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