Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Os filhos de Estaline

por Rui Crull Tabosa, em 15.09.09

O Partido Comunista Português, fundado nos anos 20 do século passado, é, há mais de sete décadas, um partido com uma mundivisão totalitária, uma matriz anti-democrática e uma prática estalinista - aliás cimentada pelo seu histórico líder Cunhal -, a qual nunca foi entretanto objecto de denúncia ou retratação.

Além disso, o PCP tornou-se o principal responsável perante a História pelo período revolucionário de 1974-75, o tristemente célebre PREC, durante o qual Portugal esteve à beira da guerra civil, o tecido produtivo nacional foi destruído e se quis promover e concretizou efectivamente uma apressada descolonização que provocou centenas de milhares de mortos, principalmente em Angola, Moçambique, Guiné e Timor.

Julgarão alguns incautos que o PCP mudou entretanto: que se tornou mais democrático; que aceita o pluralismo político; que respeita os Direitos Humanos.

Estão errados! Como estão errados...

O PCP continua a apoiar a ditadura da família castrista em Cuba, acha que a Coreia  do Norte é um regime democrático, é um bom amigo desse exemplo de democracia que é a China e, 40 anos depois, continua a apoiar a invasão da Checoslováquia pelas tropas do Pacto de Varsóvia!

Um comunista, Domingos Lopes, militante do PCP durante 40 anos, afastou-se hoje do seu partido de sempre por não o julgar capaz de se adaptar ao nosso tempo, a um tempo que, felizmente, soube por termo ao bloco soviético.

Vale a pena ler aqui a sua carta de saída, que revela elevada coragem e sentido cívico, partilhando connosco a sua experiência no paraíso do centralismo democrático.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

Sem imagem de perfil

De Pinto a 16.09.2009 às 11:13

O comunismo (PCP+BE) poderá vir a ter um resultado histórico em Portugal, nestas eleições. Muitos dos que votam no comunismo, dizem que já estão fartos de ver “sempre os mesmos” a governar, numa clara menção ao PS, PSD e CDS.
É bom lembrar que o PCP – que nos dias de hoje se subdivide em PCP e BE – já formou três governos provisórios no período entre o 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975. Para os mais esquecidos ou não nascidos, covém lembrar um pouco da história (principalmente para os jojoratazanas e outros comunistas de Bairro Alto):
 
1974
 
9 DE JUNHO
São estabelecidas as relações diplomáticas de Portugal com a União Soviética e com a Jugoslávia.
8 DE JULHO
O Conselho dos CEMFA cria o Comando Operacional do Continente (COPCON). A força militar de elite COPCON com 5.000 homens e liderada pelo Major Otelo Saraiva de Carvalho, actua como polícia política.
18 DE JULHO
Tomada de posse do II Governo Provisório, presidido por Vasco Gonçalves.
20 DE AGOSTO
O primeiro comício do CDS tem lugar em Vila Nova de Famalicão.
25 DE AGOSTO
Tentativa falhada do MFA em acabar com a greve dos trabalhadores da TAP com a intervenção do COPCON.
27 DE AGOSTO
Promulgação da chamada “lei da greve” que regula o exercício do direito à greve e ao lock-out.
SETEMBRO
O Ministério da Administração Interna emite um comunicado em que proíbe a manifestação pretendida pelos trabalhadores da Lisnave para o dia 12 de Setembro, dando como justificações as seguintes: “[...] ela diz respeito a um grupo reduzido do pessoal, afasta-se do uso correcto das liberdades cívicas e da disciplina social e é lesiva da economia nacional e do direito de reunião.” É considerada, portanto, ilegal, na medida em que não obedece aos requisitos exigidos pela lei sobre manifestações.
11 de SETEMBRO
Uma vez informado da criação da comissão organizadora da manifestação da “Maioria Silenciosa”, o general Spínola faz um segundo apelo na televisão para que “a maioria silenciosa do povo português reaja contra o comunismo”.
12 DE SETEMBRO
Com a intervenção do COPCON, o MFA tenta anular a greve dos trabalhadores da Lisnave a 28 de Setembro.
13 DE SETEMBRO
São publicados diplomas pelos quais se procede respectivamente à nacionalização dos Bancos Emissores: Banco de Angola, do Banco Nacional Ultramarino e do Banco de Portugal.
O PL começa a enviar circulares convocando para a “Manifestação Nacional” de 28 de Setembro. Também o PNP promove a reorganização de ex-legionários “para recomeçar a luta interrompida em 25 de Abril”.
18 de SETEMBRO
Na madrugada de 18 para 19 são colados cartazes nas principais artérias de Lisboa, convidando para uma manifestação de apoio ao Presidente da República.
25 de SETEMBRO
É anunciada para o dia 28 a realização de uma manifestação da “Maioria Silenciosa” de apoio ao Presidente da República.
27 de SETEMBRO
Os partidos de esquerda tomam posição contra a manifestação da “Maioria Silenciosa”.
29 de SETEMBRO
São erguidas barricadas nas principais estradas do país.
30 DE SETEMBRO
António de Spínola renuncia ao cargo de Presidente da República.
1 DE OUTUBRO
Tomada de posse do III Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves.
4 DE NOVEMBRO
Grupos de militantes de extrema-esquerda tentam impedir a realização de um comício do CDS em Lisboa. A Sede do CDS, partido da direita, em Lisboa é destruída por activistas da extrema-esquerda.

Comentar post