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Sejamos claros.
Não é provável que o PS ou o PSD alcancem isoladamente a maioria absoluta nas eleições legislativas do próximo dia 27.
E, a acreditar nas sondagens, há uma possibilidade real de o PS conseguir uma maioria parlamentar com o apoio político do Bloco de Esquerda.
Sabemos bem que nem José Sócrates nem Francisco Louçã têm sustentado este último cenário, o que se compreende facilmente devido ao facto de este ser ainda um tempo de apelo ao voto. E se o PS afastaria eleitores moderados caso confessasse essa possibilidade, também o Bloco perderia inúmeros potenciais votantes, de entre os crédulos de esquerda desiludidos com estes 4 anos e meio de governação.
Mas, pelo sim pelo não, alguns próceres socialistas (Mário Soares, Manuel Alegre, Ana Gomes, etc.) vão já anunciando os amanhãs que cantam, admitindo um entendimento entre o PS e o BE.
O que cumpre saber é como se materializará a nova maioria caso o PS e o Bloco alcancem juntos 116 ou mais deputados nas próximas eleições.
Louçã tem dito e repetido que não fará uma coligação com o PS. Claro que não, pois tal seria a sua morte política. Mas já nada diz sobre apoio parlamentar.
Quanto a Sócrates, depois de ter perdido a soberba de exigir a maioria absoluta, também tem recusado discutir qualquer cenário que signifique abrir o jogo…
Neste contexto, em que nem Sócrates nem Louçã dizem honestamente ao eleitorado o que pensam fazer se juntos obtiverem maioria política no próximo Parlamento, importa, então, reflectir sobre cada uma das possibilidades que a ambos se colocam.
Existem, grosso modo, quatro possibilidades: i) Governo minoritário do PS sem qualquer apoio do BE; ii) Governo de coligação PS/BE; iii) Governo PS com acordo de incidência parlamentar com o BE; e iv) Governo PS com apoio circunstancial do BE.
i) Esta é, evidentemente, uma possibilidade não desprezível. Mas, a ocorrer, representa um risco grande, quer para o PS quer para o Bloco. Com efeito, o PS arrisca-se a governar sem estabilidade, com um líder pouco dado a compromissos e a cair sem honra nem glória no princípio ou a meio da próxima Legislatura; pelo seu lado, o BE arrisca-se a que, tendo uma votação de cerca de 10%, os seus eleitores comecem a sentir alguma inutilidade ou, pelo menos, inconsequência prática no seu voto bloquista;
ii) Esta possibilidade é inverosímil. O PS teria de adoptar a agenda radical do Bloco (o que seria insustentável, em particular na Economia) ou o BE sacrificaria os seus temas fracturantes para se conformar com as contingências da governação. Um deles ficaria certamente a perder;
iii) Um acordo de incidência parlamentar, embora comprometesse um pouco menos ambos os partidos, continuaria a representar, em especial para o BE, o inconveniente de poder ser tido como uma traição pelos respectivos eleitores, sem que esta força política consiga impor a sua agenda radical, pois muito do que defende não é passível de ser aceite em acordo por qualquer partido democrático moderado;
iv) Esta é a possibilidade que considero mais provável: o PS governaria em minoria, comprometendo-se o Bloco a aprovar a lei do Orçamento do Estado, a apoiar o PS em moções de censura/confiança e em outras matérias estruturantes para a governação e, em troca, o PS permitiria que aquele partido trotskista conformasse as políticas governamentais de forma sub-reptícia e não assumida perante os Portugueses.
Daqui a uma semana saberemos, então, o que finalmente vai acontecer.
Apesar de PS e BE o negarem, creio que está em formação um acordo secreto de partilha do Poder, que terá como inevitável consequência a radicalização das políticas governamentais e o ataque às classes médias.
O País pagará pesada factura se no dia 27 permitir uma maioria PS/BE.
serem tratados da mesma forma, com a simplificação e redução do sistema de deduções e benefícios ao
estritamente necessário nas despesas de saúde e educação".
Nada se diz sobre diferenças entre despesas de saúde (cirurgias no estrangeiro vs. despesas com medicamentos ou dentista).
O que louçã disse no referido debate é que não deveria poder haver deduções se houvesse 'alternativa' pública: logo, na educação não haveria benefícios, sendo a ideia de as famílias porem gradualmente os seus filhos no ensino público (pondo em causa a sua liberdade de escolha e esquecendo que ao estarem no ensino privado, essas crianças não representam despesa para o estado equiparável ás que frequentam a escola pública. mas, enfim, é uma questão de ideologia em que a vontade das pessoas não deve contar para o BE); na saúde há alternativa sempre que o SNS preste os serviços e cuidados de saúde em questão: logo, é preferível as bicas de meses e anos às pessoas recorrerem à medicina privada por esta ser mais célere. recorde-se que estes benefícios representam uma pequena parte das despesas efectuadas e o que é grave é que o BE ataque furiosamente a iniciativa privada, como se esta fosse um crime (e sempre lhe digo que foi enternecedor ver que Louçã, Ana Drago, etc. a subscrever PPR's: afinal não são maus de todo, ou não os considera classe média como sugere no seu comentário?).