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Cisão interna e coesão regional II

por Laura Abreu Cravo, em 21.02.07
Não me parece que o Henrique tenha razão no que diz aqui. Antes de mais considerações, e por uma questão de lisura é preciso esclarecer alguns pontos que enquadram e determinam o que penso sobre este assunto. Sou madeirense, de direita, e nasci em 1979 (um anos depois de Alberto João Jardim ter sido eleito para o seu primeiro mandato). Vivi na Madeira até aos 17 anos e acompanhei de perto a evolução política, económica e social daquela ilha (com tudo o que isso possa ter de bom e de mau).
É óbvio que não se pode olhar para AJJ e esquecer, por um momento que seja, os seus excessos, alguns disparates e a reconhecida inconveniência. O “boneco” de irreverência desabrida que construiu nestes 30 anos joga mais contra quem o aprecie do que contra o próprio. Mas não é isso que está aqui em causa. O Francisco, neste post, poupa-me o trabalho de delimitar aquele que é, para mim, o ponto central desta demissão e recandidatura. Quando se candidatou AJJ não o fez baseado nestas circunstâncias. Quando foi eleito pelos madeirenses para o mandato em curso (agora interrompido) Jardim não contava com esta alteração determinante para as contas da Região e para o seu programa de governo. E os madeirenses também não. Aprove-se ou não o modelo de desenvolvimento económico da Região Autónoma da Madeira (e admito que não se aprove porque demasiado apoiado no endividamento) o que é relevante, no caso concreto, é que ocorreu uma alteração de circunstâncias. E essa alteração não é irrelevante. Esta demissão trará um desafio a AJJ: por contraponto à aguardada legitimação por sufrágio, Jardim deixará de poder culpar os cortes no orçamento uma vez eleito sob esse novo pressuposto.
Não tenho dúvidas que Jardim será reeleito. Porque os madeirenses sentem uma coisa que se sente muito pouco por essa país fora: que, bonecos e fogos de artifício à parte, o direito de voto que exerceram nos últimos 30 anos apresentou resultados visíveis na respectiva qualidade de vida e não em 4 rotundas, dois fontanários e um ou dois clubes de futebol locais.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Diogo Vaz Pinto a 22.02.2007 às 11:37

Parabéns por este seu post, por dizer uma coisa que faz todo o sentido, por fazer uma análise correcta da jogada política do AJJ. De facto é muito triste reparar que em Portugal os senhores que gostam de comentar os passos dos verdadeiros intervenientes na vida política se deixam levar pelos seus sentimentos e acabam por escrever coisas a que falta juízo. Estes rapazes não são fãs do AJJ e porque as pessoas (na maioria) também não são não lhes levam a mal que comentem tudo o que vem do homem como se fosse mais um disparate.
Deve ser muito difícil para esta gente ver que passados 30 anos a besta da Madeira continua a ser popular o suficiente para dar à ilha a estabilidade que o Continente nunca teve... mas a besta lá não é besta nenhuma, as bestas são estes meninos que não sabem do que falam mas falam e falam...

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