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"Preso por ter cão, preso por o não ter". O Presidente se tivesse esclarecido os portugueses no momento oportuno (a mais de um ano das eleições legislativas), nada de mal viria ao pequeno mundo de intriguinhas palacianas em que vivemos.

Se o Presidente tivesse esclarecido o País quando saíu a "notícia" dos emails no DN e dito que havia vulnerabilidades nos sistemas electrónicos da Presidência, então teria sido acusado pelo PS de estar a dar uma ajuda ao PSD em plena campanha eleitoral. Como se manteve em silêncio, acabou na prática por dar uma ajudinha política ao Eng. Sócrates. Jogada magistral do PS que talvez lhe tenha valido ter sido até o partido mais votado!

Vem isto a propósito da necessidade de "escutarmos" a história política dos últimos cem anos das democracias ocidentais.

Nos regimes monárquicos constitucionais como os do Reino Unido, Suécia, Dinamarca, Noruega, Luxemburgo, Espanha, Holanda, Bélgica, Japão, Austrália, Canadá, nunca o Chefe do Estado foi acusado de partidarismo, ou se levantaram suspeitas de que serviços secretos andavam a armar-se em espiões partidários.

É preciso irmos às repúblicas dos EUA (Nixon), França (Chirac) ou ao Portugal de hoje, - já sem falar na Itália ou na Grácia por uma simples questão de decoro, - para confirmarmos, mais uma vez, que a natureza da própria República acaba sempre, mais tarde ou mais cedo, neste espectáculo lamentável a que estamos a assistir.

Nas Monarquias constitucionais contemporâneas, o Chefe do Estado - a Coroa - é o garante do suprapartidarismo do Poder Judicial, das Forças Armadas e da Independência Nacional.

Em República as "secretas" andam quase sempre ao deus dará. Umas vezes só nas mãos do Chefe do Estado, outras sob a alçada do Governo da altura.... por entre os "mixericos" partidários de quem irá ser o próximo Presidente...

Mas alguém tinha dúvidas que iam começar mal as comemorações do tal "centenário" da república?

 


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De G. Bastos a 01.10.2009 às 11:41

Aqui temos um bom exemplo de que a republica não acrescenta nada à nossa Pátria.  As pessoas estão iludidas com o voto no “chefe”. Este  voto  não  serve   para grande coisa.  Só serve mesmo para as guerras que agora somos “forçados”  a assistir e que só arrastam o País para o fundo.

Numa Monarquia não teríamos que assistir às figuras tristes das lutas entre partidos (porque não devemos esquecer que o presidente ele próprio só representa os partidos que nele votaram).

Era portanto agora a hora de todos os Monárquicos se unirem em torno da sua causa última. Mas que vemos nós? A maioria dos “pseudo-monárquicos” coladinhos ao PSD. É mesmo muito triste! 

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De Flávio Santos a 01.10.2009 às 13:10

Não me parece que seja possível estabelecer uma correlação causal entre a República e este tipo de jogos eleitorais que descredibilizam totalmente as instituições soberanas. Pode ocorrer, certamente, mas não decorre necessariamente da instituição republicana.

Decorre apenas das dinâmicas partidárias e da falta boa cidadania, e são essas relações que é necessário sanar. Esta espécie de 'essencialismo' monárquico, que institui uma figura insubstituível, sem que os seus atributos sejam relevantes ao desempenho das suas funções, não é, certamente, uma panaceia para os problemas da Democracia Representativa.

Por outro lado, e à guisa de contra-exemplo, não creio que as relações entre a Coroa Britânica e os serviços de informação (nomeadamente o MI5) sejam assim tão claras. Citando Sua Majestade, a Rainha: "there are powers at work in this country of which we have no knowledge". 
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De Anónimo a 01.10.2009 às 14:34

Luis Coimbra,
E porque diabo alguém se interessaria com o eventual facto de figuras venerandas e decorativas como o Imperador do Japão ou a Rainha de Inglaterra terem gostos partidários? O problema do partidarismo nesse caso, nem se coloca; simplesmente é irrelevante. Do mesmo modo, porque diabo, seriam eles envolvidos em problemas de espionagem? O grande mérito dessas figuras é serem excelsos jarrões, a transbordar de carga simbólica.

Pedro

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