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Simão, e o outro lado da Força. Ou não.

por Sofia Bragança Buchholz, em 01.10.09

Personagens:

• Simão, 8 anos
• Eu

 
Cenário:
Eu, uma Vader convicta aqui da Armada, tenho uma confissão [séria] a fazer-vos: nunca vi a “Guerra das Estrelas”.
Ontem, ao reparar, pousados na mesa do quarto dos brinquedos, em dois livros sobre o assunto, resolvo pedir ao Simão um breve e resumido – pensava eu – esclarecimento que me elucide de uma vez por todas.
Durante uma explicação longa e pormenorizada, repleta de uma catrefada de personagens horrendos e sinistros que jamais serei capaz de memorizar e que se renovam ou multiplicam a cada novo filme, eis que surge um miudinho loirinho, de ar inocente, que o meu sobrinho me assegura ser o Darth Vader. Desconfio. “Tão ignorante também não sou”, argumento. Para mim, tal maléfico personagem, usa uma máscara escura e uma capa – como tantas vezes tenho visto à rapaziada cá da casa – e respira ofegante e lentamente, quase como o país nos últimos tempos devido à tão célebre asfixia democrática. O Simão indigna-se, diz que, sim, que é ele, que está certo das suas afirmações, que é Darth Vader em criança, nessa altura intitulado Anakin Skywalker, filho de uma tal Shimi Skywalker e de um caçador que a violou (foi isto que ele me impingiu, juro, apesar da wikipédia desmentir). Céptica, interrogo-o:
 
Acção:
– Então, e a máscara?
– A máscara e aquele corpo só lho puseram mais tarde. Depois de lhe terem sido cortados os braços e as pernas e de ter ficado com a cara toda desfeita com lava.
E a cada explicação faz, convictamente, nos seus, o gesto dos membros a serem amputados e da face a ser desfigurada.
Eu, incrédula, questiono:
– Cortaram-lhe os braços e as pernas?
– Tudo! – Exclama, dramático. – E para tornar mais convincente a sua explicação, acrescenta: – Se queres que te diga, acho até que lhe cortaram a pila. Cá para mim, puseram-lhe depois uma pila robótica!
E, pronto, meus caros camaradas, perante esta explicação, não quis saber mais nada. Sobre o Darth Vader, fiquei esclarecida.
 


comentários

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De Luísa a 02.10.2009 às 21:27

Sou uma leitora deste blog relativamente recente (sim, vim cá por causa da história da bandeira. E então?!?!) e, de um modo geral, gosto de ler os posts que aqui encontro (e não sou virada para a monarquia). Estes posts associados ao "Simão" são novidade para mim. Mas pela amostra, acho que vou aos arquivos quando tiver tempo...
Mas mesmo que não gostasse dos posts do "Simão"... ainda se vive numa democracia em Portugal, não vive? Há ainda liberdade para se dizer o que se quer, desde que não afronte a liberdade dos outros, não há?
Pelo que vi neste post, a palavra mais ousada que  encontrei foi "pila" e isso, se as coisas não mudaram desde que saí de Portugal, não é contra a liberdade e bem-estar dos outros. Porquê tanta celeuma??? Não gostam, deixam na borda do prato, que é como quem diz, não gosta, não lê. E não sendo crítica literária, o texto está bem longe de ser mediocre.
Saudações
Luísa
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De Sofia Bragança Buchholz a 04.10.2009 às 16:48

Obrigada, Luisa.
Há sempre por aqui uns anónimos/as irritadinhos a dizerem mal. Nós já nem lhes ligamos ;-)

Se quiser ler mais histórias do Simão, pode ir ao meu
outro blog (tem as "aventuras" dele desde os 3/4 anos)
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De TESTICULATOR a 04.10.2009 às 18:39

Caramba cara Sofia Buchholz, que nome tão grande de blog nossaImage, estive nele e achei super engraçado

obrigado.

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